A Polícia Civil do Acre deu início a uma investigação para apurar as circunstâncias da morte de Jefferson Alves Pinto, um estudante de medicina de 23 anos que faleceu após buscar atendimento hospitalar em Brasiléia. Natural de Rondônia, o jovem residia na fronteira para cursar a graduação em uma faculdade boliviana e começou a apresentar fortes dores de cabeça na última quarta-feira (25). A família acusa o Hospital Regional do Alto Acre de negligência, relatando que Jefferson procurou a unidade por duas vezes em um curto intervalo de tempo, mas não teria recebido o socorro adequado diante do agravamento de seu quadro clínico.
De acordo com relatos de familiares e do companheiro da vítima, a primeira busca por atendimento ocorreu na noite de quarta-feira, quando o estudante recebeu medicação e foi liberado após uma hora de espera. Contudo, as dores persistiram e Jefferson retornou sozinho ao hospital durante a madrugada.
Testemunhas afirmam que, enquanto aguardava novo atendimento, o jovem sofreu convulsões e caiu no chão da unidade antes que qualquer medida de emergência fosse tomada. O óbito foi constatado pouco depois, gerando revolta entre parentes que alegam dificuldades para acessar o prontuário médico e obter esclarecimentos sobre os procedimentos realizados.
Em resposta às acusações, a Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre) emitiu nota informando que o paciente foi atendido em duas ocasiões, medicado e mantido em observação com solicitação de exames complementares.
O órgão estadual relatou que o jovem foi encontrado inconsciente nas dependências do hospital e encaminhado imediatamente à sala de emergência, onde a morte foi confirmada. Diante da gravidade do episódio, a Sesacre confirmou a abertura de uma sindicância interna para apurar a conduta da equipe assistencial e definir a causa da morte por meio de investigação clínica.
O corpo de Jefferson foi encaminhado para Rio Branco para a realização de autópsia, exame fundamental para determinar se a causa do óbito possui relação com as falhas apontadas pela família.
Após os procedimentos periciais na capital acreana, o corpo será transladado para Rondônia, onde ocorrerão o velório e o sepultamento. O caso agora segue sob a responsabilidade das autoridades policiais, que devem ouvir profissionais de saúde e testemunhas que presenciaram os últimos momentos do estudante no hospital para esclarecer se houve omissão de socorro.