O menor tamanduá do mundo passou a ser alvo de pesquisas ambientais no Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses. Conhecido como tamanduaí (Cyclopes didactylus), o animal mede entre 30 e 35 centímetros e pesa até 400 gramas, sendo considerado raro e de hábitos noturnos.
A iniciativa faz parte do projeto “Na Rota do Tamanduaí”, desenvolvido pelo Instituto Tamanduá, que desde 2025 mantém bases de atuação em Barreirinhas e Atins. O trabalho busca entender melhor a distribuição, o comportamento e a evolução genética da espécie, que também é encontrada nos biomas da Amazônia e Mata Atlântica.
Os estudos incluem o monitoramento da fauna por meio de armadilhas fotográficas. Ao todo, 24 câmeras foram instaladas em áreas de vegetação nativa e já registraram mais de 20 espécies de mamíferos terrestres. Entre elas estão o mão-pelada, o veado-catingueiro e a raposinha-do-mato. A ocorrência do tamanduaí é considerada um indicativo da importância biológica da região.
Segundo o biólogo Alexandre Martins, vice-presidente do instituto, ainda há pouco conhecimento sobre a espécie no Nordeste. “Uma das vertentes da pesquisa é preencher essas lacunas para fortalecer estratégias de conservação e subsidiar políticas públicas”, afirma.
Um dos episódios que reforçaram a necessidade de estudos ocorreu no fim de 2025, quando um exemplar foi encontrado fora do habitat natural, encalhado em uma praia dos Lençóis. O animal foi resgatado, recebeu cuidados e voltou à natureza em janeiro de 2026.

Para além da pesquisa, o projeto também atua na recuperação ambiental. A iniciativa prevê o plantio de 60 mil mudas de espécies nativas em áreas de mangue, restinga e caatinga, ao longo de dois anos, em uma área de cerca de 20 hectares.
A região dos Lençóis Maranhenses é considerada estratégica por reunir características de diferentes biomas, formando um ecótono — ambiente onde há grande diversidade de fauna e flora. Esse cenário demonstra o potencial científico e ambiental da área, que ainda é pouco explorada em estudos sobre biodiversidade.