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Economia brasileira enfrenta ciclo de desaceleração e incerteza global para 2026

Um dos principais fatores para a redução do ritmo econômico é o enfraquecimento do consumo das famílias, que cresceu apenas 1,3% em 2025 frente aos 5,1% observados no ano anterior

(Foto: Reprodução)
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O desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2025, que fechou com alta de 2,3%, consolidou uma tendência de perda de fôlego da atividade econômica nacional. Especialistas apontam que o resultado, embora dentro das expectativas, reflete o segundo ano consecutivo de arrefecimento após o crescimento de 3,4% registrado em 2024. Para 2026, as projeções são ainda mais cautelosas, com estimativas que variam entre 1,8% e 2,1%. Esse cenário é agravado pela escalada das tensões no Oriente Médio envolvendo Estados Unidos e Irã, que ameaça elevar o preço do petróleo e pressionar a inflação global, dificultando a continuidade do ciclo de corte de juros pelo Banco Central.

Um dos principais fatores para a redução do ritmo econômico é o enfraquecimento do consumo das famílias, que cresceu apenas 1,3% em 2025 frente aos 5,1% observados no ano anterior. Segundo economistas do Instituto de Economia Gastão Vidigal (IEGV-ACSP) e da Genial Investimentos, esse recuo é reflexo direto do alto endividamento da população e dos efeitos acumulados de uma política monetária restritiva.

Apesar do suporte dado pelo mercado de trabalho aquecido e pelos programas de transferência de renda, a demanda doméstica entra no novo ano com menos vigor, especialmente pela maior sensibilidade do setor privado aos juros elevados.

Desafios estruturais e o peso das commodities

A estrutura do crescimento brasileiro em 2025 revelou uma forte dependência do setor primário e da indústria extrativa. Enquanto a agropecuária saltou 11,7% impulsionada por safras recordes de soja e milho, a indústria de transformação apresentou queda de 0,2%. Outro ponto de preocupação é a taxa de investimento, estagnada em patamares baixos (16,8% do PIB), o que sinaliza uma fragilidade na produção de bens de capital e no potencial de crescimento futuro.

No setor de serviços, embora todas as atividades tenham crescido, o ritmo também foi ditado pelo impacto de ajustes tarifários que afetaram o bolso do consumidor no segundo semestre.

Para os pesquisadores do FGV Ibre, o grande temor para 2026 reside na duração dos conflitos geopolíticos. A possibilidade de um novo choque nos preços dos combustíveis coloca a Petrobras em uma posição delicada, uma vez que a política de preços atual reduz a margem para a empresa absorver altas internacionais sem repassá-las ao mercado interno.

Se a inflação voltar a acelerar devido à guerra, o Comitê de Política Monetária (Copom) poderá ser forçado a manter a Selic em patamares que, se por um lado controlam os preços, por outro asfixiam a recuperação da indústria e o consumo, tornando o horizonte econômico de 2026 um terreno de alta sensibilidade.

Fonte: Agência DC News