O acesso à casa própria no Brasil ganhou um novo fôlego nesta terça-feira (24) com a aprovação, pelo Conselho Curador do FGTS, de um amplo reajuste nos limites de renda e nos tetos de preços do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV). A medida visa realinhar o programa ao novo salário mínimo de R$ 1.621 e garantir que o aumento nominal dos salários não exclua as famílias das faixas de juros mais subsidiadas. Na Faixa 1, o limite de renda saltou para R$ 3.200 mensais, uma correção de 12% que permite que famílias antes enquadradas na Faixa 2 retornem ao primeiro degrau do programa, garantindo taxas de juros mais acessíveis e maiores subsídios.
A reestruturação também contempla as faixas intermediárias e a classe média, expandindo o alcance do programa para grupos que enfrentavam dificuldades com a alta dos preços imobiliários. A Faixa 2 passou a ter teto de R$ 5 mil, enquanto a Faixa 3 subiu para R$ 9.600. O destaque fica para a Faixa 4, voltada à classe média, que agora atende famílias com renda de até R$ 13 mil.
Segundo o ministro das Cidades, Jader Filho, a mudança é uma resposta direta à necessidade de manter o “sonho da casa própria” viável diante da inflação do setor, permitindo que cerca de 87,5 mil famílias brasileiras paguem juros menores em seus novos contratos de financiamento.
O impacto prático dessa migração entre faixas é significativo para o bolso do consumidor. Como exemplo, uma família com renda de R$ 4.900, que antes estava na Faixa 3, agora passa para a Faixa 2, vendo sua taxa de juros anual cair de 7,66% para 6,5%.
Essa redução no custo do crédito amplia a capacidade de compra: no mesmo exemplo, o poder de financiamento sobe de R$ 178 mil para R$ 202 mil, permitindo o acesso a imóveis de melhor padrão ou em localizações mais valorizadas sem aumentar a parcela mensal.
Acompanhando a nova realidade de renda, o governo também elevou o teto do valor dos imóveis financiáveis. Na Faixa 3, o limite subiu de R$ 350 mil para R$ 400 mil, enquanto na Faixa 4 o teto saltou de R$ 500 mil para R$ 600 mil. Esses novos valores refletem a atualização dos custos de construção aprovada ainda em 2025 e que consolidam o MCMV como o principal motor do mercado imobiliário nacional.
A expectativa é que a medida gere um aquecimento imediato nos lançamentos voltados à classe média, que agora conta com condições de financiamento do FGTS para imóveis de maior valor agregado.