Brasil · opinião

Ano novo, empresa nova

O mais poderoso Ministro da Fazenda da história brasileira, Delfim Netto, conhecido também pela sua fina ironia, costumava dizer que não compreendia o que de tão extraordinário acontecia na noite daquele dia a ponto de as pessoas esperarem que dali em diante tudo iria ser diferente e até melhor do que vinha sendo até então

Ano novo, empresa nova

É muito comum dizer-se no início do ano “Ano novo, vida nova”, para significar que a sua chegada constituirá oportunidade para refazerem-se práticas e formularem-se novos propósitos que permitirão a partir deste novo ciclo uma existência mais feliz e exitosa do que o foi até o último 31 de dezembro vivido. O mais poderoso Ministro da Fazenda da história brasileira, Delfim Netto, conhecido também pela sua fina ironia, costumava dizer que não compreendia o que de tão extraordinário acontecia na noite daquele dia a ponto de as pessoas esperarem que dali em diante tudo iria ser diferente e até melhor do que vinha sendo até então.

Mas que há essa esperança, lá isso há! Dados divulgados recentemente sobre a abertura de empresas no Brasil e no Maranhão revelam que no primeiro bimestre de 2026 estabeleceu- se novo recorde nessa estatística. Quanto ao país, registrou-se índice 3% superior ao de aberturas ocorridas em 2025, pois criaram-se mais de 1 milhão de novos negócios no período.

Destas aberturas, mais de 97% foram de micro e pequenos negócios, dentre estes predominando o porte MICROEMPREENDEDOR INDIVIDUAL- MEI- pois que correspondeu a 79,5 % do total ocorrido.

No Maranhão, o comportamento foi semelhante ao do Brasil, constatando-se crescimento de 9% no número de empresas criadas, de 21% no de MEI’s, enquanto apenas em São Luís o crescimento observado chegou a 11,19%.

No atinente à distribuição setorial, os dados de crescimento são os seguintes: na Agropecuária, 63,27% (160 estabelecimentos novos em 2026 em relação a 98 em 2025), na Indústria, 38,24% (1.081 estabelecimentos novos em 2026 em relação a 782 em 2025) , na Construção, 34,41% (871 estabelecimentos novos em 2026 em relação a 648 em 2025), nos Serviços, 26,48% (8.594 estabelecimentos novos em 2026 em relação a 6.795 em 2025) e no Comércio, 11,68% ( 5.575 estabelecimentos novos em 2026 em relação a 4.992 em 2025).

Naturalmente, as pessoas se perguntam o que explica a intensificação do surgimento de novos negócios assim que o novo ano se inicia. Tal como em todas as demais questões da Economia, também nesta as respostas são várias, não apenas uma.

Por outro lado, deve-se levar em conta que os fenômenos econômicos também possuem elevada carga de subjetivismo, apesar de muito se associar a Economia às Ciências Exatas e Quantitativas. Não é bem assim! Portanto, existem causas objetivas e subjetivas a responderem por estes fatos acontecidos.

O intenso trabalho do SEBRAE de divulgação do significado e das possibilidades do empreendedorismo como alternativa de ocupação e de realização pessoal certamente responde em boa medida para que cada vez mais brasileiros e maranhenses desejem e efetivamente empreendam. Esta afirmativa encontra respaldo nos relatórios anuais do OBSERVATÓRIO GLOBAL DO EMPREENDEDORISMO (GEM, na sua sigla na língua inglesa), segundo os quais o Brasil é dos países mais empreendedores do mundo, aqui existindo um grande contingente humano já engajado no seu próprio negócio ou com planos iminentes de fazê-lo.

Essa “disposição empreendedora”, portanto, ganharia “tração” na virada do ano, muitos acreditando que “chegou a hora” de partir para o próprio negócio, fazendo, na prática, do novo ano uma nova vida.

Mas se tal estado de coisas assim é necessário, não é suficiente para aparecerem novos negócios. Para tanto é preciso existirem previsibilidade e estabilidade econômicas no país, isto é, um AMBIENTE DE NEGÓCIOS FAVORÁVEL. Até o presente momento, o Brasil se encontra mais ou menos próximo desse estado, o que pode explicar os números citados.

Ser empreendedor é tornar-se um PROFISSSIONAL e normalmente o novo empreendedor vai buscar uma atividade em que acha que possui o mínimo de conhecimentos e habilidades a serem intensamente utilizadas no dia a dia do negócio que criar. Sob esta premissa, parte então para empreender. A partir daí, o processo se torna irreversível e só resta ao novo empresário buscar qualificação, profissionalização e formação de equipes para não aumentar as cifras das empresas que desaparecem nos primeiros anos de vida.

É positivo a abertura de novos negócios, independentemente da época do ano em que acontece, criando-se por esse meio novas possibilidades de trabalho, inovações e formação de capital físico e humano no Brasil.