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Conheça a brasileira por trás da pesquisa que pode devolver movimentos a pacientes com paralisia

Estudo com molécula desenvolvida em laboratório entra em fase clínica e reacende expectativa de pacientes com paralisia

Conheça a brasileira por trás da pesquisa que pode devolver movimentos a pacientes com paralisia

A possibilidade de recuperar movimentos perdidos após lesões na medula espinhal voltou ao centro das discussões científicas no Brasil. À frente dessa linha de pesquisa está a bióloga Tatiana Sampaio, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que coordena estudos sobre a polilaminina, uma molécula produzida em laboratório a partir da laminina, proteína essencial para a comunicação entre neurônios.

Tatiana conseguiu desenvolver a polilaminina como uma rede de proteínas inspirada na laminina — estrutura que se torna mais escassa no organismo ao longo da vida. O objetivo da pesquisa é estimular a regeneração do tecido nervoso e recriar conexões entre neurônios danificados, restabelecendo a comunicação entre o cérebro e o restante do corpo.

O trabalho teve início na década de 1990 e ganhou formato mais estruturado em 1998, no Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ, com foco específico na recuperação de danos na medula espinhal.

A polilaminina foi desenvolvida a partir de proteínas extraídas de placentas humanas. Nos primeiros testes experimentais, oito pacientes com paraplegia e tetraplegia receberam a aplicação da substância. Segundo a equipe, seis apresentaram recuperação parcial de movimentos. Um dos voluntários, que estava paralisado do ombro para baixo, voltou a andar sem auxílio.

De acordo com os pesquisadores, a substância foi capaz de recriar conexões entre os neurônios no cérebro e o restante do corpo, o que explicaria os ganhos motores observados nos pacientes.

Com os resultados preliminares, o estudo agora deixa o ambiente exclusivamente acadêmico e avança para a primeira fase de testes clínicos com vistas à aprovação de um novo medicamento. Em janeiro de 2026, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o início da fase clínica destinada a avaliar a segurança do tratamento em humanos.

Nesta etapa inicial, cinco pessoas com lesão completa da medula espinhal receberão uma única aplicação de polilaminina até 48 horas após o trauma. Os participantes serão acompanhados por seis meses para monitoramento de possíveis reações adversas. Caso não sejam identificados efeitos graves, o estudo seguirá para as próximas fases, que irão avaliar a eficácia da substância na recuperação dos movimentos.

Além das pesquisas em humanos, Tatiana Sampaio também conduz estudos em cães com lesões crônicas, ampliando o campo de aplicação terapêutica da molécula. A cientista atua ainda no setor privado como sócia e consultora científica da Cellen, empresa voltada à produção de células-tronco para uso veterinário.

Formada em Ciências Biológicas pela própria UFRJ, onde também concluiu mestrado e doutorado, Tatiana realizou estágios de pós-doutorado nos Estados Unidos e na Alemanha, incluindo passagens pela University of Illinois e pela University of Erlangen-Nuremberg. Tornou-se professora da universidade aos 27 anos e, hoje, aos 59, lidera uma das pesquisas mais promissoras na área de regeneração neural no país.

O avanço da polilaminina representa, para especialistas e pacientes, uma nova perspectiva em um campo historicamente marcado pela ausência de terapias capazes de reverter danos na medula espinhal.