Comércio · pneus queimados

Portões fechados no Mercado Central provocam protesto de comerciantes

Queimando pneus, feirantes denunciam falta de estrutura no novo mercado.

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Feirantes do Mercado Central fecharam a Avenida Guaxenduba, no centro da cidade, na manhã desta quarta-feira (11). Com pneus queimados na pista, eles protestaram contra o fechamento do prédio e reclamaram da estrutura do Mercado da Cidade, para onde estão sendo transferidos. Segundo os trabalhadores, o novo espaço não comporta todos e o prazo dado pela prefeitura é insuficiente. 

A mobilização ocorreu após o antigo Mercado Central amanhecer trancado, com mercadorias ainda no interior do prédio. De acordo com os feirantes, a medida teria sido adotada para forçar a transferência imediata das atividades. A interdição bloqueou totalmente a via e o Corpo de Bombeiros foi acionado para conter as chamas. 

A Prefeitura de São Luís iniciou a transferência dos trabalhadores para o Mercado da Cidade, inaugurado em novembro do ano passado, na Avenida Vitorino Freire. A categoria afirma, no entanto, que não houve diálogo suficiente antes da decisão. 

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Fagner Cutrim, que vem de uma família de feirantes, trabalha há 35 anos no setor de artesanato e está entre os que estão sendo realocados, criticou a condução do processo. “A prefeitura nunca se fez presente no Mercado Central. Nunca houve diálogo, reunião com os trabalhadores. O prefeito só apareceu aqui no dia da inauguração da obra”, afirmou. 

Segundo os manifestantes, a mudança estaria sendo exigida pela Secretaria Municipal de Inovação, Sustentabilidade e Projetos Especiais (Semisp) e pela Secretaria Municipal de Agricultura, Pesca e Abastecimento (Semapa). Eles alegam que apenas um galpão foi entregue até o momento e que o espaço apresenta problemas estruturais. 

“Os locais que não são condizentes com o nosso espaço físico. A gente trabalha na área externa do mercado e jogaram o artesanato para o último pavilhão. O mercado foi distribuído todo errado e não tem infraestrutura. Não tem água, não tem estrutura para trabalhar. O espaço que me deram não comporta minhas mercadorias. É impossível trabalhar lá dentro. Não dá para passar tanto tempo trabalhando num lugar desse, não tem condição”, disse. 

Os comerciantes relatam ainda presença de pombos e risco de prejuízo às mercadorias, especialmente produtos congelados. Além das condições consideradas inadequadas, afirmam que estão arcando com custos para adaptar os boxes no novo galpão. “O pessoal está quebrando e reformando tudo porque não tem estrutura para trabalhar lá dentro. Lá está uma quebradeira doida”, acrescentou Fagner. 

Eles também cobram o cumprimento de promessas de auxílio financeiro, em acordos firmados anteriormente com o poder público.

O Mercado da Cidade foi entregue pela prefeitura como espaço provisório para abrigar os feirantes durante a reforma e modernização do Mercado Central. Segundo o Município, o novo equipamento possui quatro galpões, boxes padronizados, praça de alimentação, banheiros e mais de 300 vagas de estacionamento, com capacidade para cerca de 450 trabalhadores.

A Prefeitura de São Luís disse ao O Imparcial que a obra do Mercado Central ainda não iniciou devido ao processo de realocação dos comerciantes, que estão sendo levados para o Mercado da Cidade. Ainda segundo a Prefeitura, após o inicio, a obra está prevista para ser concluída em 2029.

Com reação às reclamações referentes a falta d’água e falta de espaço para organização dos produtos no Mercado da Cidade, a Prefeitura de São Luís informou que por causa do curto período de entrega do Mercado pela empresa responsável pela obra, não houve tempo para contratação de vigias, o que fez com que houvesse furtos de bombas d’água, problema que segundo a prefeitura, já foi resolvido.

Em relação a falta de espaço para organização dos produtos, a gestão municipal informou que equipes de arquitetura e engenharia já estão no Mercado da Cidade ouvindo os feirantes.