Brasil · redução da dependência

Exportações do Nordeste atingem maior volume em três anos e somam US$ 24,8 bilhões em 2025

Dados do Data Nordeste apontam avanço nas vendas externas e queda de 5% nas importações

Exportações do Nordeste atingem maior volume em três anos e somam US$ 24,8 bilhões em 2025

O Nordeste registrou, em 2025, o maior volume de exportações dos últimos três anos, com US$ 24,8 bilhões vendidos ao mercado internacional. O valor representa 7% de tudo o que o Brasil exportou no período. O desempenho também indica um avanço em relação a 2024, com redução da dependência do mercado externo, já que as importações recuaram no mesmo intervalo.

De acordo com os novos painéis de comércio exterior do Data Nordeste — plataforma pública de informações econômicas desenvolvida pela Sudene — as importações da região caíram cerca de 5%, passando de US$ 28,7 bilhões em 2024 para US$ 27,2 bilhões em 2025. A ferramenta reúne e organiza estatísticas estratégicas sobre a economia regional.

Principais produtos exportados e destinos

Entre os itens mais exportados pelo Nordeste, os produtos do reino vegetal lideraram as vendas externas, somando US$ 6,9 bilhões. Em seguida, aparecem os minerais, com US$ 4,6 bilhões, e os produtos das indústrias alimentares, que alcançaram US$ 2,1 bilhões.

A China foi o principal destino das exportações nordestinas, com US$ 6,22 bilhões, seguida pelos Estados Unidos (US$ 2,89 bilhões) e Canadá (US$ 2,72 bilhões). Na América do Sul, a Argentina se destacou como principal parceiro comercial, com US$ 1,62 bilhão. Já na Europa, os Países Baixos concentraram o maior volume de compras, com US$ 1,19 bilhão.

Bahia lidera exportações

No ranking por estados, a Bahia liderou as exportações em 2025, com US$ 11,52 bilhões. O Maranhão ficou em segundo lugar, com US$ 5,49 bilhões, seguido por Pernambuco, com US$ 2,36 bilhões.

Na sequência aparecem Ceará (US$ 2,30 bilhões), Rio Grande do Norte (US$ 1,14 bilhão), Piauí (US$ 850 milhões), Alagoas (US$ 580 milhões), Sergipe (US$ 510 milhões) e Paraíba (US$ 140 milhões).

Importações recuam

Do lado das importações, os produtos minerais lideraram a pauta do Nordeste, com US$ 10,98 bilhões, correspondendo a quase 40% de tudo o que foi comprado pela região no exterior. Em seguida, aparecem os produtos químicos (US$ 4,56 bilhões) e o grupo formado por máquinas e aparelhos, material elétrico e equipamentos de gravação e reprodução de som e imagem, com US$ 3,34 bilhões.

Quanto à origem das compras, os Estados Unidos foram o principal parceiro comercial, com US$ 7,71 bilhões, seguidos pela China (US$ 5,19 bilhões), Rússia (US$ 1,55 bilhão) e Argentina (US$ 1,42 bilhão).

Maranhão é o 2º maior importador da região

Entre os estados, a Bahia concentrou o maior volume de importações, com US$ 12,83 bilhões. O Maranhão aparece novamente em destaque, ocupando a segunda posição, com US$ 10,50 bilhões. Pernambuco (US$ 7,10 bilhões) e Ceará (US$ 6,50 bilhões) vêm em seguida.

Na sequência, aparecem Paraíba (US$ 1,47 bilhão), Alagoas (US$ 1,31 bilhão), Sergipe (US$ 842 milhões), Rio Grande do Norte (US$ 658,49 milhões) e Piauí (US$ 362,41 milhões).

Avaliação econômica

Para o economista e coordenador-geral de Estudos e Pesquisas da Sudene, José Farias, os dados reforçam a importância do comércio exterior como motor do desenvolvimento regional.

“O comércio internacional é um fator importante para o desenvolvimento do Nordeste. Por um lado, as exportações são um canal comercial relevante. Por outro, a partir do cenário das importações, é possível identificar oportunidades e estruturar estratégias de abertura de novos negócios internacionais, agregação de valor aos produtos e geração de emprego, renda e melhoria de produtividade”, avaliou.

Segundo ele, apesar da competitividade internacional, a região tem potencial crescente, especialmente em cadeias ligadas à bioeconomia, com oportunidades para ampliar o valor agregado dos itens exportados.

Transparência e acompanhamento histórico

A base de dados do Data Nordeste utiliza o Sistema Harmonizado (SH), nomenclatura internacional adotada desde 1988 e atualizada pela Organização Mundial das Aduanas. Os novos painéis permitem acompanhar a evolução histórica das exportações e importações desde 2010, com recortes por estado e município, origem e destino das mercadorias, além de valores agregados.

As informações são públicas e seguem padrões internacionais, ampliando a transparência e apoiando decisões de gestores, pesquisadores, investidores e da sociedade.

*Fonte: GOV