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Dia Mundial do Câncer: a trajetória de Roseana Sarney e o alerta para a saúde preventiva

De acordo com as estimativas mais recentes do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Maranhão apresenta particularidades em sua incidência oncológica

 (Foto: Reprodução)
(Foto: Reprodução)

Neste 4 de fevereiro, Dia Mundial do Câncer, o mundo reforça a importância da prevenção e do diagnóstico precoce. No Maranhão, a trajetória de Roseana Sarney serve como um lembrete de que a doença não escolhe cargos ou classes sociais, e que a rapidez na detecção é o fator determinante para a cura.

Em 2024, Roseana compartilhou publicamente sua batalha contra um tumor no pulmão. O diagnóstico ocorreu durante exames de rotina, o que permitiu que a doença fosse identificada em um estágio inicial. Na época, ela passou por uma cirurgia bem-sucedida para a retirada do nódulo e seguiu um rigoroso protocolo de recuperação.

Diferente de muitos casos de câncer de pulmão, que são descobertos quando já estão avançados e apresentam sintomas como tosse com sangue e falta de ar, o caso de Roseana destaca a importância do check-up periódico.

Câncer de Pulmão

O câncer de pulmão é um dos mais comuns em todo o mundo e possui uma taxa de mortalidade alta, justamente pela dificuldade de diagnóstico precoce. No Brasil, o tabagismo é o principal fator de risco, responsável por cerca de 85% dos casos.

No entanto, o caso de Roseana também levanta o alerta para os chamados “não-fumantes” ou fumantes passivos, mostrando que a vigilância deve ser constante.

“Eu venci o câncer porque descobri cedo. Meu compromisso agora é lutar para que cada maranhense também tenha essa oportunidade, com acesso a exames e hospitais equipados em todo o estado”, afirmou a parlamentar em discursos recentes sobre o tema.

O Cenário Epidemiológico no Maranhão

De acordo com as estimativas mais recentes do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Maranhão apresenta particularidades em sua incidência oncológica. Diferente de estados do Sul e Sudeste, onde o câncer de pulmão e próstata lideram com larga vantagem, o Maranhão ainda luta contra doenças ligadas a fatores infecciosos e falta de rastreio preventivo.

  • Câncer de Colo do Útero: Continua sendo uma das principais causas de morte entre as maranhenses. A incidência é alta, apesar de ser uma doença evitável pela vacina de HPV e pelo exame de Papanicolau.
  • Câncer de Próstata: Segue como o mais frequente entre os homens maranhenses, muitas vezes diagnosticado em estágios avançados devido ao preconceito com o exame de toque.
  • Câncer de Estômago e Pênis: O Maranhão registra taxas de câncer de pênis significativamente superiores à média nacional, uma condição estritamente ligada à falta de higiene íntima e infecções por HPV.

Avanços e desafios

Nos últimos anos, o Maranhão buscou expandir a Rede de Atenção Oncológica. Antes concentrado quase exclusivamente em São Luís (Hospital de Câncer do Maranhão), o atendimento chegou a outras regiões:

  1. Descentralização: A implantação de unidades de oncologia em cidades como Imperatriz, Caxias e Pinheiro visa evitar que o paciente precise viajar 10 horas para realizar uma sessão de quimioterapia.
  2. Tecnologia: A aquisição de novos aceleradores lineares para radioterapia e a modernização de centros cirúrgicos no Hospital de Câncer do Maranhão (Tarquínio Lopes Filho).
  3. O Gargalo do Diagnóstico: O maior desafio ainda é o tempo entre o primeiro sintoma e a biópsia. Muitas vezes, o paciente consegue o tratamento, mas a doença já está em estágio metastático.

Prevenção

Especialistas reforçam que cerca de 30% a 50% dos casos de câncer podem ser evitados com mudanças no estilo de vida. No Maranhão, as campanhas focam em:

  • Vacinação contra o HPV: Disponível no SUS para meninas e meninos de 9 a 14 anos.
  • Combate ao Tabagismo e Alcoolismo: Fatores de risco para câncer de boca, laringe e esôfago.
  • Higiene e Saneamento: Essenciais para reduzir casos de câncer de pênis e estômago.

“O Dia Mundial do Câncer não é apenas sobre a doença, é sobre a equidade. No Maranhão, nosso maior inimigo não é apenas a célula cancerosa, mas a dificuldade de acesso e a desinformação”, afirma a rede estadual de saúde.

Onde Buscar Ajuda?

Se você notar sintomas como nódulos persistentes, feridas que não cicatrizam ou perda de peso inexplicável, a porta de entrada é a Unidade Básica de Saúde (UBS). De lá, o paciente é encaminhado para especialistas nas Unidades de Alta Complexidade em Oncologia (Unacons).

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