Política · Operação Sem Desconto

Após negativa de Dino, André Mendonça libera deputado Edson Araújo de depor em CPMI

Edson Araújo teria movimentado recursos vinculados a organizações representativas de trabalhadores da pesca e da aquicultura no Maranhão

Deputado estadual maranhense Edson Araújo (PSB) (Foto: Reprodução)
Deputado estadual maranhense Edson Araújo (PSB) (Foto: Reprodução)

Em meio ao avanço das investigações sobre descontos indevidos em benefícios previdenciários e ao acirramento das disputas políticas em Brasília, uma decisão do Supremo Tribunal Federal adicionou novo elemento de tensão ao cenário. O desdobramento jurídico, ocorrido às vésperas de um depoimento aguardado na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, repercutiu tanto no Congresso Nacional quanto no Maranhão.

A decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, tornou facultativo o comparecimento do deputado estadual maranhense Edson Araújo (sem partido) à CPMI que investiga possíveis irregularidades no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A medida foi concedida na quarta-feira (25), um dia antes da data prevista para o depoimento, marcado para quinta-feira (26).

A defesa do parlamentar recorreu ao STF após uma tentativa anterior de habeas corpus ter sido negada pelo ministro Flávio Dino. Ao analisar o pedido, Mendonça garantiu ao deputado o direito de não comparecer, com base no princípio constitucional que assegura ao investigado a prerrogativa de não produzir provas contra si.

Nos bastidores da comissão, a avaliação predominante é de que, diante da decisão, Edson Araújo dificilmente comparecerá à oitiva. Integrantes da CPMI consideram que a condição de investigado fortalece a estratégia de ausência. A Advocacia do Senado chegou a apresentar recurso contra a liminar, mas não há prazo estabelecido para reavaliação do caso.

Operação Sem Desconto

O nome do deputado aparece na Operação Sem Desconto, conduzida pela Polícia Federal, que apura um suposto esquema de cobranças irregulares aplicadas a aposentados e pensionistas. As investigações miram entidades associativas que teriam efetuado descontos indevidos diretamente nos benefícios pagos pelo INSS.

Segundo os autos, Edson Araújo teria movimentado recursos vinculados a organizações representativas de trabalhadores da pesca e da aquicultura no Maranhão. O parlamentar presidiu a Federação das Colônias dos Pescadores do Maranhão, instituição apontada como peça central nas apurações.

Dados provenientes de quebras de sigilo indicam que, apenas em junho de 2024, mais de R$ 54 milhões teriam sido repassados a entidades sob investigação. Em 2025, o montante identificado chega a R$ 18 milhões, além de outras cifras consideradas incompatíveis com o salário de deputado estadual, estimado em aproximadamente R$ 25 mil mensais.

O parlamentar nega qualquer irregularidade e sustenta que os valores têm origem legal. Até o momento, contudo, não apresentou detalhamento público sobre a procedência dos recursos.

A controvérsia em torno da CPMI ocorre poucos dias após o próprio ministro André Mendonça impor medidas cautelares ao deputado. Entre as determinações estão o uso de tornozeleira eletrônica, a proibição de deixar São Luís sem autorização judicial, a entrega do passaporte à Polícia Federal, o impedimento de frequentar a Federação das Colônias dos Pescadores e a proibição de manter contato com o deputado Duarte Júnior, que afirma ter sido ameaçado para não dar prosseguimento às investigações.

As restrições foram fundamentadas em indícios de possível tentativa de obstrução das apurações, o que elevou ainda mais a tensão política em torno do caso e ampliou o alcance das discussões no âmbito da CPMI e do Judiciário.

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