Brasil · dificuldades financeiras

Lula nega privatização dos Correios e anuncia plano de reestruturação

Presidente afirma que governo estuda parcerias e mudanças na gestão para recuperar a estatal e garantir sustentabilidade financeira

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quinta-feira (18), que o governo federal discute um processo de reestruturação dos Correios, que enfrentam dificuldades financeiras, mas descartou qualquer possibilidade de privatização da empresa. Segundo ele, estão em análise medidas para tornar a estatal novamente produtiva e financeiramente equilibrada.

“Enquanto eu for presidente, não haverá privatização”, declarou Lula durante entrevista à imprensa no Palácio do Planalto.

O presidente explicou que o governo avalia alternativas como parcerias com empresas nacionais e estrangeiras. “Pode existir parceria, pode virar uma empresa de economia mista, mas privatização não vai ter”, reforçou. Lula citou, inclusive, o interesse de companhias italianas e brasileiras em dialogar com a estatal.

Na avaliação do presidente, os problemas enfrentados pelos Correios são resultado de uma gestão inadequada ao longo dos últimos anos. “Resolvemos colocar a mão na ferida. Vamos tomar as medidas necessárias, inclusive mudar cargos e estruturas que precisarem ser mudados”, afirmou.

Em setembro, o governo alterou o comando da empresa. O atual presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, apontou a intensificação da concorrência no comércio eletrônico como um dos fatores que contribuíram para os resultados negativos. Já a ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, afirmou que a situação foi agravada pela falta de investimentos, diante da inclusão da estatal em listas de possíveis privatizações em governos anteriores.

Pouco após assumir o cargo, Rondon apresentou a primeira etapa do plano de reestruturação financeira e operacional, voltado à modernização e à sustentabilidade da empresa. Entre as medidas está a negociação de um empréstimo de até R$ 20 bilhões junto a instituições financeiras.

O governo também analisa a concessão de aval para a obtenção desses recursos, além de possível apoio do Tesouro Nacional. De acordo com o Ministério da Fazenda, no entanto, o valor final deverá ser inferior aos R$ 6 bilhões inicialmente solicitados, e qualquer auxílio estará condicionado à execução do plano de reestruturação.

Lula ressaltou que, embora os Correios tenham relevância estratégica, uma empresa pública não pode operar de forma deficitária. “Ela não precisa ser a campeã do lucro, mas não pode ser a campeã do prejuízo. Precisa se equilibrar”, afirmou.

Em meio à crise, o governo federal instituiu um novo mecanismo para permitir que estatais federais não dependentes do Tesouro Nacional, mas em dificuldade financeira, possam reorganizar suas contas sem perder essa classificação. Um decreto publicado na semana passada alterou as regras de transição entre empresas dependentes e não dependentes.

As declarações foram feitas durante um café da manhã com jornalistas, no Palácio do Planalto, seguido de coletiva de imprensa. Lula esteve acompanhado dos ministros Fernando Haddad (Fazenda), Rui Costa (Casa Civil), Mauro Vieira (Relações Exteriores) e Marina Silva (Meio Ambiente e Mudança do Clima).

*Fonte: Agência Brasil

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