Política · entrevista

“Estou voltando à cena política”, diz Washington Oliveira

Secretário de Representação Institucional no Distrito Federal, confirma que disputará vaga na Câmara e aponta como prioridade ampliar bancada do PT no Maranhão

Washington Luiz de Oliveira, atual secretário de Estado de Representação Institucional no Distrito Federal do governador Carlos Brandão (Foto: Divulgação)
Washington Luiz de Oliveira, atual secretário de Estado de Representação Institucional no Distrito Federal do governador Carlos Brandão (Foto: Divulgação)

Em um momento em que o tabuleiro do jogo político do Maranhão começa a se movimentar para as eleições de 2026, direcionamentos estratégicos ganham peso e podem influenciar diretamente nas articulações em curso.

É neste cenário de indefinições e disputas internas que Washington Luiz de Oliveira, atual secretário de Estado de Representação Institucional no Distrito Federal do governador Carlos Brandão, voltou a ocupar espaço central no debate público.

Figura com longa trajetória na política maranhense — marcada pelo exercício da vice-governadoria no governo Roseana Sarney, e pela atuação como conselheiro e presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MA), Washington carrega a imagem de experiência e articulação em diferentes esferas do poder.

Em entrevista concedida ao programa “O Imparcial Entrevista”, da rádio online do Jornal O Imparcial, o secretário revelou que aos 75 anos será candidato a deputado federal pelo Partido dos Trabalhadores em 2026, descartando de forma categórica a possibilidade de ocupar a vaga de vice-governador em uma chapa majoritária encabeçada pelo pré-candidato Orleans Brandão (MDB). A fala, ao mesmo tempo em que reafirma sua posição pessoal, lança luz sobre os desafios que o PT no Maranhão terá na composição das alianças no próximo pleito.

Durante a conversa, Washington tratou não apenas de sua decisão política, mas também de questões estruturais do Maranhão, da sucessão governamental e do futuro do partido no estado.

“Este é um cenário complexo. (…) O presidente Lula é quem vai nos orientar o que fazer aqui no Maranhão. Precisamos eleger dois senadores da base do governo federal para evitar que a extrema direita eleja senadores. É preciso aumentar a nossa bancada na Câmara que é muito resumida. Nós do PT Maranhão temos apenas um deputado federal”, afirmou, deixando claro que a prioridade do partido será ampliar sua presença no Congresso Nacional.

Reunião com Lula definirá sucessão em 2026

Ao relembrar sua passagem pelo Tribunal de Contas do Estado do Maranhão (TCE-MA), Washington Luiz, destacou que o período lhe proporcionou uma visão mais aprofundada sobre os desafios da administração pública no estado.

Segundo ele, a experiência no órgão de controle foi fundamental para compreender as fragilidades e os gargalos da gestão pública, tanto em nível municipal quanto estadual. “No Tribunal de Contas do Estado do Maranhão, eu pude conhecer mais profundamente o Maranhão. Um órgão importante, não só para o controle de contas, mas para implementar uma nova cultura no modo de gerenciar a administração pública”, afirmou.

Ex-presidente do TCE, Washington explicou que buscou imprimir um caráter pedagógico à atuação da instituição. “Como presidente da instituição implementei muitos projetos e programas principalmente na lógica que eu tenho que antes de punir, o tribunal de contas deveria orientar. Apresentar saídas e sugestões para as crises que a administração pública enfrenta.”

Ele ressaltou ainda que, no cargo de conselheiro, respeitou rigorosamente os limites legais, mantendo-se distante de atividades político-partidárias. Para Washington, o maior entrave ao desenvolvimento do Maranhão não é a corrupção, mas a má gestão dos recursos públicos.

“No Maranhão se desperdiça muito recurso público. Não é que haja corrupção, mas é pela má gestão. O desenvolvimento do país e do estado significa otimizar a execução do recurso público”, avaliou. Ele acrescentou que pretende levar essas bandeiras de eficiência e de fortalecimento da cultura do controle para sua militância política. “Saindo de lá e voltando para o partido, eu vou incorporar essas bandeiras também na minha militância política como uma forma de desenvolvimento do nosso estado”, acrescentou.

Durante a entrevista, o secretário, reconheceu a existência de uma crise política entre o governador Carlos Brandão (PSB) e o secretário de Educação, Felipe Camarão (PT), que já se coloca como pré-candidato ao governo do Maranhão em 2026. Washigton, afirmou que as divergências fazem parte do processo, mas que a solução deve vir do diálogo conduzido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Existe uma crise aí, o governador tem suas razões, assim como o pré-candidato Felipe Camarão também tem as suas. O PT avalia que o presidente Lula vai conversar com o governador Brandão para procurar uma saída para esse impasse que hoje tem no Maranhão”, declarou Washington.

Na avaliação do secretário, o enfrentamento interno poderá ser superado se houver disposição para concessões de ambos os lados, em nome de um projeto político mais amplo.

“Esse impasse pressupõe que todos podem ceder a alguma coisa e possa se unificar o grupo maior em torno do presidente Lula. Nós esperamos ter uma vitória na próxima eleição”, completou.  A declaração evidencia o papel central de Lula como mediador da base aliada no estado, num momento em que o PT busca ampliar sua representação no Congresso e garantir a sustentação do projeto nacional nas eleições de 2026.

O secretário não deixou de lado a conjuntura nacional. Segundo ele, a eleição presidencial de 2026 deve ser compreendida como uma disputa decisiva pela preservação da democracia. “Para que a gente possa eleger o presidente Lula, temos que lutar em defesa da democracia. E o Brasil está ameaçado sim pelo fascismo. Haja visto que ele está presente no Congresso. (…) O governo tem muita dificuldade. É preciso melhorar o Congresso que ali está”, alertou.

Ao confirmar sua pré-candidatura à Câmara Federal, Washington disse que pretende contribuir com a renovação das práticas políticas e reforçar a identidade histórica do PT. “Estou voltando à cena política para ajudar o PT nas eleições de 2026. Sou pré-candidato a deputado federal. Nossa prioridade no PT Maranhão será deputado federal e senador”, afirmou.

Washington ressaltou ainda a necessidade de o partido se reconectar com suas bases e fortalecer sua identidade histórica. “O PT precisa se voltar mais para suas bases. Qual a identidade do PT? O PT existe como partido de transformação social e não um partido eleitoreiro, somente! O modo de fazer política do PT tem que ser diferente da tradição da política nacional que é essa política clientelista”, disse. 

Para ele, o fortalecimento do partido no Maranhão passa pela formação política e pela valorização de novos quadros. “Um partido como o PT, que é progressista e de esquerda, tem que ter em seus quadros pessoas competentes, capacitadas para discutir e debater os problemas do estado”, conclui  A entrevista completa pode ser assistida no canal da TV O Imparcial no YouTube, além do site e das redes sociais do jornal.

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