Política · efeito reverso

Tarifaço de Trump aumenta aprovação de Lula, aponta pesquisa

Condução firme do governo Lula da crise com os EUA eleva aprovação presidencial e reforça imagem internacional do governo.

Presidente Lula (Foto: Ricardo Stuckert/PR)
Presidente Lula (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

Nesta terça-feira (15), foi divulgada uma pesquisa do instituto AtlasIntel, em parceria com a Bloomberg, que indica um aumento na aprovação do presidente Lula após a decisão do presidente Donald Trump de aplicar tarifas de 50% sobre produtos brasileiros.

De acordo com os dados, a taxa de aprovação de Lula subiu para 49,7%, praticamente empatando com a desaprovação, que ficou em 50,3%. A margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais. Este é o melhor desempenho do presidente em 2025, revertendo uma tendência de queda que começou em dezembro de 2024, quando a desaprovação era claramente superior.

Em março deste ano, por exemplo, 53,6% dos entrevistados reprovavam Lula, frente a 44,9% que o apoiavam — uma diferença de quase nove pontos. A recente recuperação, ainda que discreta, sugere que a postura assertiva do governo diante da crise com os EUA foi bem recebida por parte do eleitorado.

Política externa ganha força

A pesquisa também aponta um avanço considerável na avaliação da política externa brasileira. Após a promulgação da chamada Lei da Reciprocidade e o tom firme adotado contra a ação de Trump, 60,2% dos entrevistados disseram aprovar a condução internacional do governo, contra 38,9% que a desaprovam.

Esse é um salto relevante se comparado a novembro do ano passado, quando a aprovação da política externa estava em 49,6% e a desaprovação em 47,3%. Em relação à resposta brasileira ao tarifaço, 44,8% consideraram a reação “adequada”, enquanto 27,5% a julgaram “agressiva” e 25,2%, “fraca”.

Já as tarifas americanas foram vistas como “injustificadas” por 62,2% dos entrevistados, enquanto 36,8% as consideraram “justificadas”. Sobre as motivações, 40,9% acreditam que as sanções são uma retaliação à presença do Brasil no Brics, enquanto 36,9% enxergam a influência da família Bolsonaro como fator decisivo.

Governo ainda enfrenta resistência, mas indicadores melhoram

Apesar do avanço na imagem pessoal do presidente, a avaliação geral do governo continua dividida. Para 49,4% dos entrevistados, a gestão Lula é “ruim” ou “péssima”. Em contrapartida, 43,4% a classificam como “boa” ou “ótima”. A diferença, no entanto, diminuiu em relação aos últimos meses.

Quando questionados sobre quem tem melhor desempenho no plano internacional, 61,1% afirmaram que o petista é superior a Jair Bolsonaro, enquanto 38,8% consideram Lula pior que o ex-presidente.

A possibilidade de um acordo entre Brasil e Estados Unidos para superar o impasse comercial ainda divide opiniões: 47,9% acreditam que o governo conseguirá chegar a um entendimento, enquanto 38,8% estão céticos. Outros 13,3% não souberam opinar.

*Fonte: com informações do Correio Braziliense