Brasil · ped 2025

“O Brasil não é um puxadinho dos Estados Unidos”, disse Edinho Silva ao assumir o comando do PT

De acordo com Edinho, o cenário exige que o Brasil busque reforçar novos blocos comerciais com nações que estejam alinhadas à democracia.

“O Brasil não é um puxadinho dos Estados Unidos”, disse Edinho Silva ao assumir o comando do PT

Nesta quarta-feira (16), Edinho Silva, recém-eleito presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), relatou que “o Brasil não é um puxadinho dos Estados Unidos”, em crítica direta ao governo do republicano Donald Trump. A afirmação aconteceu durante coletiva de imprensa sobre os resultados gerais do PED 2025, em meio ao acirramento da crise diplomática e comercial entre as duas nações, após o norte-americano anunciar tarifas de 50% sobre produtos brasileiros.

De acordo com Edinho, o cenário exige que o Brasil busque reforçar novos blocos comerciais com nações que estejam alinhadas à democracia. “Essa crise diplomática demonstra que temos que reforçar nossa concepção de formação de blocos comerciais e reunir na mesa os países que não aceitam a normalização das práticas do governo Trump”, afirmou o dirigente petista.

Edinho Silva, ex-prefeito de Araraquara (SP) e nome histórico da corrente Construindo um Novo Brasil (CNB), foi eleito com 378 mil votos — 73,1% dos cerca de 550 mil filiados que participaram do Processo de Eleição Direta (PED) do partido, o maior já registrado em toda a história do PT. A conquista destaca a hegemonia da CNB dentro da legenda e chancela a tese defendida por essa ala: “Derrotar a extrema direita e avançar na construção de um novo Brasil”.

Na disputa interna, Edinho venceu nomes tradicionais e mais à esquerda do partido, como Romênio Pereira (58,8 mil votos), Rui Falcão (57,7 mil) e Valter Pomar (22,5 mil). No momento atual, ele promete liderar uma agenda de debates estratégicos para o futuro da legenda.

Entre os principais assuntos elencados por Edinho como prioridade para os próximos períodos estão: reforma política eleitoral, fortalecimento dos partidos, financiamento do Sistema Único de Saúde (SUS), mudanças climáticas, jornada de trabalho 6×1, tarifa zero no transporte público e, especialmente, segurança pública. “É urgente que possamos aprofundar o debate sobre segurança. A sociedade está exigindo isso”, disse.

Edinho também defendeu mudanças estruturais no funcionamento do PT, assim como um novo estatuto. Entre os pontos propostos estão a renovação da militância, o limite de mandatos e o fortalecimento da organização de base.

Suspeita de fraude

Mesmo diante da mobilização que marcou um recorde de filiados, o PED não foi ileso de controvérsias. Houve denúncias de filiações em massa, suspeitas de fraude e ameaças de judicialização em diferentes estados. O senador Humberto Costa (PE), que presidiu o partido durante o processo, minimizou os episódios. “Em toda disputa política ocorrem trocas de acusações. Acredito que não houve nenhuma anomalia fora do padrão. Mas é claro que o processo precisa ser aperfeiçoado para garantir ampla participação”, disse.

O segundo turno das eleições para a presidência dos diretórios estaduais acontece no dia 27 de julho em cinco estados — Paraná, Tocantins, Santa Catarina, Rondônia e Rio Grande do Sul — além de diversos municípios onde o pleito também seguirá indefinido até lá.

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