Saúde · grave

Após decisão judicial descumprida, jovem com tumor cerebral contrai influenza em UPA de São Luís

Internado há 10 dias, Jhemeson apresentou sintomas persistentes de cefaleia intensa e sintomas gripais graves.

 Foto: Reprodução/Secap
Foto: Reprodução/Secap

Um jovem foi diagnosticado com um tumor encefálico após ser internado com fortes dores de cabeça na UPA do Araçagi, em São Luís. Mesmo com uma decisão judicial determinando sua transferência, em até 24 horas, para um hospital com suporte em neurocirurgia, Jhemeson Ferreira, de 18 anos, permanece na unidade sem o atendimento adequado, e contraiu influenza durante a espera pelo deslocamento.

Internado há 10 dias, Jhemeson apresentou sintomas persistentes de cefaleia intensa. Antes da internação, o jovem já havia se dirigido, durante quatro dias subsequentes, a outra unidade de saúde pública buscando por atendimento. Após avaliação médica, foi identificado um tumor no cérebro, exigindo exames específicos, acompanhamento neurológico urgente, e procedimentos para a realização de uma possível cirurgia. No entanto, a ausência de leitos e a demora no cumprimento da ordem judicial têm agravado o quadro clínico do paciente.

A família entrou com uma ação na Justiça e conseguiu uma decisão favorável. A liminar, concedida no dia 07 de Junho, pela Vara da Saúde, determina que o Estado do Maranhão e o Município de São Luís deveriam realizar, em até 24 horas, a transferência do paciente para um hospital com estrutura adequada, como o Hospital Carlos Macieira ou o HUUFMA. A decisão ressalta que o procedimento não deve interferir na fila de outros pacientes regulados. No entanto, até às 11h do dia 11/6, a ordem judicial ainda não havia sido atendida e o paciente permanecia na espera pelo tratamento.

Durante o tempo de espera, Jhemeson contraiu influenza dentro da unidade, o que pode representar novos riscos à sua saúde. Segundo a família, o estado de saúde do jovem requer cuidados, e a permanência prolongada na UPA sem os recursos necessários tem gerado ainda mais preocupação.

Thais Ferreira, mãe e responsável do menino, relata a situação de sofrimento do filho: “Meu filho passou dez dias numa poltrona, é um rapaz grande, sentia dores nas costas, nas pernas, teve noites mal dormidas. Só depois de muita briga, de eu passar mal com a pressão quase 20, conseguiram um leito para ele. Enquanto isso, ele pegou uma gripe forte, teve febre, e o antibiótico ainda piorava a situação. Eu tive que pedir para o médico suspender. Só então ele melhorou um pouco. Dormíamos em cadeiras, quando havia alguma disponível.”

Na tarde do dia 11, o paciente foi encaminhado para o Hospital Geral e, segundo a Secretaria de Estado da Súde (SES), um leito foi liberado para Jhemeson no Hospital de Câncer do Maranhão. Ele está com consulta agendada para esta quinta-feira (12), com médico cirurgião especialista.