REITORIA DA UFMA

Um ano antes das eleições, Nair exonera Natalino do cargo

Decisão foi feita em uma reunião na última sexta-feira, 14. Eleição de Natalino Salgado à reitoria, em 2019, torna-se mais difícil após exoneração

Ex-reitor, Natalino Salgado, e atual reitora da UFMA, Nair Portela. (Foto: Reprodução)

Uma decisão controversa feita na última sexta-feira, 14, pela atual reitora da Universidade Federal do Maranhão, Nair Portela, exonerou o ex-reitor, Natalino Salgado, do cargo de direção em que se encontrava desde o início do mandato da regente. O afastamento fará com que Natalino volte a ser professor, o que pode enfraquecer sua possível candidatura para as eleições de 2019 da Universidade.

A decisão foi feita na presença da Superintendente do Hospital Universitário (HU), Joyce Lages. O cargo até então ocupado por Natalino era um dos mais altos na administração do HU. Graças ao afastamento, o ex-reitor voltará a ser professor do curso de medicina, no qual não lecionava desde 2007, quando foi eleito para seu primeiro mandato.

Na mesma tarde, foi determinado também por Nair que o pró-reitor João de Deus Mendes da Silva abandonasse a Pró-Reitoria de Assistência Estudantil (PROAES) e assumisse a Pró-Reitoria de Planejamento (PROPLAN), área estratégica na administração superior e no processo eleitoral. O decreto deixou PROAES, ala responsável pela assistência direta dos discentes, vazia.

Nair Portela foi sucessora do segundo mandato de Natalino. A campanha da então candidata à reitoria, em 2014, foi indicada e apoiada pelo ex-reitor.

Natalino e Nair na campanha da reitora, em 2014. (Foto: Reprodução)

Estranhamento

O Sindicado de docentes da UFMA soltou uma nota sobre o caso, manifestando estranhamento quanto à situação e apontando suposto autoritarismo na atual gestão, onde “decisões internas importantes foram tomadas sem que houvesse consulta dos docentes”. O caso torna-se mais intrigante ainda, aos olhos do sindicato, pelo fato das exonerações terem sido feitas um ano antes das eleições:

Causa estranheza a criação de uma Pró-reitoria, particularmente dedicada ao planejamento, sem a devida discussão e apreciação dos Órgãos Colegiados da UFMA.  O ato torna-se ainda mais inusitado quando todos sabem que entramos no ano final do atual mandato da reitoria. Medidas extemporâneas, sem a devida mediação do conjunto da comunidade universitária, não parecem ser a forma mais adequada e democrática de gestão da coisa pública, retomando antigos métodos que já pareciam superados em nossa universidade. Além disso, também não parece oportuna a criação de um novo órgão justamente em momentos de crise financeira;

Confira a nota da Sind-UFMA na íntegra:

SIND-UFMA

NOTA SOBRE AS MUDANÇAS NA GESTÃO SUPERIOR DA UFMA

Tendo em vista os últimos acontecimentos administrativos da gestão superior da UFMA, conforme publicado nas portarias do DOU de 17 de setembro de 2018, e a repercussão que vem causando, o SIND-UFMA vem manifestar sua opinião e preocupações ao conjunto da comunidade universitária. São elas:

a) causa estranheza a criação de uma Pró-reitoria, particularmente dedicada ao planejamento, sem a devida discussão e apreciação dos Órgãos Colegiados da UFMA.  O ato torna-se ainda mais inusitado quando todos sabem que entramos no ano final do atual mandato da reitoria. Medidas extemporâneas, sem a devida mediação do conjunto da comunidade universitária, não parecem ser a forma mais adequada e democrática de gestão da coisa pública, retomando antigos métodos que já pareciam superados em nossa universidade. Além disso, também não parece oportuna a criação de um novo órgão justamente em momentos de crise financeira;

b) preocupa-nos, por outro lado, a vacância da Pró-reitoria de Assistência Estudantil (PROAS), que não pode ser preterida em nome de qualquer “planejamento”, pondo em risco a seguridade social e a permanência dos estudantes;

c) Por fim, mas não menos importante, causa apreensão ações externas e sem a devida mediação que interferem no dia a dia do Hospital Universitário (HU-UFMA). Compreendemos que o HU por sua natureza e complexidade não pode estar sujeito a mudanças conjunturais, ao sabor de conveniências políticas, colocando de alguma forma em risco sua finalidade que é o atendimento de excelência, o ensino, a pesquisa e a extensão na área de saúde.

São Luís 19/09/2018

A diretoria

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