CUIDADOS

Câncer de útero é o que mais mata no Maranhão

Doença tem a maior incidência no estado, de acordo com dados do Instituto Nacional do Câncer. A estimativa para 2018 é de 1.090 novos casos

Foto: Reprodução

Para o Brasil, estimam-se 16.370 casos novos de câncer do colo do útero para cada ano do biênio 2018-2019, com um risco estimado de 15,43 casos a cada 100 mil mulheres. No Maranhão, a estimativa para este ano é de 1.090 novos casos, e 240 na capital (São Luís). O câncer de colo de útero é a primeira maior incidência entre mulheres no estado. O câncer de mama fica em segundo lugar com a estimativa de 720 novos casos. As informações são do Instituto Nacional de Câncer (Inca).

Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer do colo do útero é o primeiro mais incidente na Região Norte (25,62/100 mil). Nas regiões Nordeste (20,47/100 mil) e Centro-Oeste (18,32/100 mil), ocupa a segunda posição mais frequente; enquanto nas regiões Sul (14,07/100 mil) e Sudeste (9,97/100 mil), ocupa a quarta posição.

No Hospital Aldenora Bello, segundo a médica oncologista Rachel Cosseti, mais de 30% de todos os cânceres em mulheres são câncer de colo de útero, ou seja: 1 em cada 3 mulheres atendidas tem câncer de colo de útero, em estado geralmente avançado e com muitas complicações associadas à doença.

“A gente sabe que no estado do Maranhão o câncer de colo de útero é a principal incidência de causa e morte da mulher. Isso é uma realidade bem assustadora porque é uma doença muito fácil de prevenir. Em outros países, é uma doença rara, inclusive, porque a prevenção é muito eficaz. O que acontece é que as nossas mulheres não buscam ou têm dificuldade de conseguir acesso aos serviços de prevenção, apesar de ser uma política de controle do Ministério da Saúde”, aponta a médica.

Estimativa

Para o Brasil, a estimativa do biênio 2018-2019 é a ocorrência de 600 mil casos novos de câncer, para cada ano. Excetuando-se o câncer de pele não melanoma (cerca de 170 mil casos novos), ocorrerão 420 mil casos novos de câncer. O cálculo global aponta a ocorrência de 640 mil casos novos. Essas estimativas refletem o perfil de um país que possui os cânceres de próstata, pulmão, mama feminina e cólon e reto entre os mais incidentes, entretanto, ainda apresenta altas taxas para os cânceres do colo do útero, estômago e esôfago.

Nas mulheres, os cânceres de mama (29,5%), intestino (9,4%), colo do útero (8,1%), pulmão (6,2%) e tireoide (4,0%) figurarão entre os principais.

Pode ser prevenido

Quando Marcela (nome fictício) descobriu que tinha câncer, ela tinha 30 anos. Namorava há 7 e não tinha filhos. Isso foi em 2015 e a descoberta foi em uma consulta de rotina após ter feito o exame Papanicolau. Desde o diagnóstico, passando pela cirurgia (conização do colo do útero), Marcela teve outra surpresa, após 23 dias de cirurgia, com o resultado da biópsia: câncer de colo de útero.

“O médico me explicou que, por conta de alguns problemas, como ser pré-diabética e ter problemas na tireoide, minha imunidade baixou demais e o vírus aproveitou a oportunidade. Disse que provavelmente meu organismo gerou sozinho. Daí, ele me disse que tínhamos duas notícias: que esse tipo de vírus tem vacina e tem cura. A ruim, é que o vírus podia ter deixado algum problema no meu útero”, diz a agente administrativo. Hoje, curada, Marcela diz que as mulheres não devem descuidar da saúde. Casos como o dela, infelizmente ainda são comuns. Segundo o Inca, a incidência anual do câncer de colo de útero chega a quase 17 mil novos casos e a taxa de mortalidade situa-se em torno de 8 mil óbitos por ano. Dona Adélia Pinheiro, 51 anos, disse que a primeira vez que fez um exame preventivo tinha quase 40. “Foi falta de informação mesmo. Graças a Deus nunca tive problemas. Mas as mulheres devem se cuidar desde cedo”. Para o médico clínico-geral Rafael Moraes, muitas mulheres ainda deixam de fazer os exames de rotina por achar que nunca vai acontecer com elas. “São esses exames periódicos que vão identificar qualquer problema logo no início e começar um tratamento mais eficaz”, diz.

Campanha Março Lilás

Neste mês de março, o Hospital do Câncer Aldenora Bello, mantido pela Fundação Antonio Dino, está com uma série de atividades de conscientização e combate a esse tipo de câncer com a campanha Março Lilás 2018, que traz como tema “Prevenção é um gesto de amor à Vida”.

Palestras, realização de exames Papanicolau, testes rápidos de glicemia, de HIV, e vacinas contra algumas doenças estão sendo realizadas em bairros da capital. O Março Lilás foi idealizado po Rachel Cossetti.
“Diante dessa realidade do estado veio a ideia dessa campanha com intuito de conscientizar e orientar a mulher sobre a prevenção, para que ela faça seus exames preventivos pelo menos uma vez por ano, conforme recomendado pelo Ministério da Saúde, dos 25 aos 74 anos de idade. Podendo ser recomendado diminuir essa frequência se houver alteração nos exames”, diz a médica.

Segundo ainda a médica, quando as mulheres buscam o Aldenora Bello, elas já estão com os sintomas que costumam aparecer em fase bem avançada. “É uma doença silenciosa. Por isso que é importante alertar para a prevenção. A gente sabe que há dificuldades de acesso aos serviços de saúde, mas a gente espera poder conscientizar mais para que elas busquem esses direitos”, acredita Rachel Cossetti.
Quem quiser ajudar a campanha, pode adquirir a camisa na sede da Fundação Antônio Dino, que mantém o Hospital Aldenora Bello, no valor de R$ 25. Ou ainda fazer doações pelo site fundacaoantoniodino.org.br ou pelo número: (98)3089-3400.

Amigo da Vida

A novidade da terceira edição da campanha é a aquisição do Consultório Amigo da Vida, que foi doado pelo consulado japonês, para que o atendimento seja feito diretamente nas comunidades ao longo do ano. “Temos conhecimento que, às vezes, a mulher não chega até uma unidade de saúde para fazer o preventivo porque ela não entende a importância, não ouviu falar a respeito ou pensa que não vai acontecer com ela. Então, precisamos chegar o mais próximo possível para que possamos examinar e fazer a prevenção dessas mulheres mais vulneráveis”, explica Rachel.

Diferente de outras campanhas de prevenção, o Março Lilás 2018 não vai apenas realizar o exame nas pacientes. A ideia este ano é realizar todo o processo de rastreamento da doença, dando o acompanhamento necessário para as mulheres.

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