MARANHÃO

Denunciado por assediar colegas, radialista nega acusações

Os casos vieram à tona na madrugada desta quinta-feira, dia 8. Logo, relatos de cerca de 45 mulheres foram compartilhados nas redes. Duas vítimas já registraram B.O.

Reprodução

Os profissionais de comunicação do Maranhão foram surpreendidos na madrugada desta quinta-feira, 8, com denúncias de que o radialista Samir Ewerton estaria assediando dezenas de colegas de profissão, propondo o conhecido “teste do sofá” em troca de supostas vagas para uma emissora nova no estado, a TV Metropolitana.

As acusações renderam o registro de Boletim de Ocorrência contra o radialista, feito na manhã de hoje na Delegacia Especial da Mulher de São Luís por duas das vítimas. De acordo com o B.O., de número 687/2018, Samir “começou a assediá-las [as vítimas], deixando claro que teriam direito às vagas somente as candidatas que com ele mantivesse relações sexuais”, e que “começou a enviar uma série de mensagens com conteúdo de assédio, solicitando fotos e convidando-as para encontro”.

Entenda o caso

As acusações contra o radialista Samir Ewerton foram iniciadas através de um post da jornalista e escritora Lohanna Pausini, que, além de relatos publicados em seu blog, compartilhou imagens de conversas de teor sexual e insinuativo da parte do comunicador. Após enviar um e-mail com o currículo em busca da suposta vaga de emprego na emissora, a profissional foi contatada pelo radialista via WhatsApp.

A denúncia abriu espaço para outras tantas: dezenas de profissionais da comunicação relataram assédios sofridos por Samir. Grupo formado na web já conta com 45 mulheres que se solidarizam e compartilham as situações vividas de longa data. Uma profissional de comunicação relatou que foi abordada online por Samir, que afirmou que estava trazendo uma TV para a cidade, e queria uma imagem boa para a emissora. “Um dia eu fui trabalhar no Castelão, e ele propôs que ficasse comigo, que aí ele abriria várias portas pra mim, mas eu disse que se quisesse ficar com alguém, eu não viria trabalhar, então eu tratei ele mal”, relatou a vítima a O Imparcial.

Acusações negadas

Em nota publicada nesta manhã em seu perfil pessoal, Samir negou as acusações e disse que estava sem celular desde a madrugada de domingo, quando seu carro foi inundado na Estrada do Itapiracó, e que o aparelho só foi encontrado pelo mecânico nesta quarta-feira, 7. Samir disse, ainda, que as providências “estão sendo tomadas com registro de B.O. na Polícia Civil para esclarecer tudo” e que as autoras das denúncias terão que provar que o radialista foi autor dos assédios. Leia a nota:

Suposto recrutador

Além do histórico de assédio sexual e moral relatado pelas dezenas de vítimas, já de longa data, há indícios de que outra “forma” de aproximação era utilizada pelo acusado. Seria uma suposta mensagem replicada em diversos grupos de WhatsApp, onde profissionais eram convocadas a enviar currículos ao e-mail de Samir e do profissional Luís Henrique Câmara Paz.

Luís Henrique informou a O Imparcial que havia recebido a solicitação da TV Metropolitana, com sede no Piauí, para o envio de currículos, sob segredo profissional, e que Samir, que não possui nenhum vínculo com a emissora e a quem Henrique não conhece pessoalmente, teria inclusive pedido uma vaga de apresentador. “Ele inventou de fazer essa nota e botou o meu e-mail e o dele. Ele inventou que precisava também botar o e-mail dele porque também ia fazer um programa de TV, arrendar um horário na TV, e por isso precisava dos currículos”, disse o comunicador.

Já em posse dos contatos das profissionais, Samir estaria mandando mensagens privadas com insinuações sexuais, propostas de “testes do sofá” em troca de vagas de emprego.

Notas de Esclarecimento

Através de nota, a TV Metropolitana informou que não está com vagas abertas para contratação de profissionais, e que não realiza e nem realizará contratações via aplicativos. “Pessoas mal intencionadas têm se utilizado de mídias sociais para oferecer falsas oportunidades de emprego em nossa emissora”, diz a nota, assinada pelo coordenador geral da emissora, Daniel de Jesus.

A Rádio Universidade disse ainda de manhã, através de nota, que a direção “está ciente do conteúdo das acusações contra o funcionário em questão”, que “está procedendo no sentido de manifestar sobre o assunto, já que envolve questões burocráticas, portanto necessárias para o funcionamento normal da emissora”, que “no mais rápido espaço de tempo possível, vai emitir o posicionamento adequado em relação ao caso” e, por fim, “definitiva e irrevogavelmente não compactua com qualquer comportamento profissional inadequado, sobretudo dentro dos quadros da emissora”.

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