NA REDE

Youtubers mirins valorizam a cultura maranhense

Os irmãos paulistas Danilo e Daniel Simões, filhos da jornalista maranhense Débora Simões, ensinam de forma lúdica assuntos que comumente não são abordados em sala de aula através do canal DDdemais

Reprodução

O Palácio dos Leões, o Boi Barrica, o Boi Pirilampo e o Boi de Axixá e assuntos ligados à cultura, à história e à literatura maranhense serão temas dos próximos vídeos do canal do YouTube DDdemais, apresentado pelos irmãos paulistas Danilo e Daniel Simões, de 13 e 11 anos, que realizaram várias entrevistas durante a sua passagem por São Luís.  O canal, que já possui mais de 20 mil visualizações, tem como foco o incentivo ao conhecimento por meio da cultura e educação.

Idealizado pela jornalista maranhense Débora Simões, que há anos está radicada em São Paulo, e pelo seu marido Waldir Reis, que é designer gráfico, o DDdemais surgiu em março deste ano, a partir de um projeto cultural que tem como objetivo ensinar assuntos interessantes e curiosos de diversas naturezas de uma forma lúdica e sem o didatismo. “Os meninos sempre gostaram de redes sociais e de interagir com as pessoas. Eles são muito estudiosos e estavam crescendo e precisávamos incentivá-los a conhecer outras culturas, fatos históricos e assuntos que comumente não são abordados nas salas de aulas. Então, partimos para a realização deste canal que, aos poucos, está conquistando o seu espaço”, explicou Waldir Reis.

No canal DDdemais, o espectador pode encontrar vários vídeos com os personagens Deel e Diih, que aparecem nas produções, como, por exemplo, a intitulada Nossas Criações – A Missão da Evolução, sobre a evolução industrial, onde eles mostram que a humanidade está cada vez mais perdendo a humildade e fixando diversas classes sociais, apenas por impressões generalizadas. No vídeo eles convidam as pessoas a descobrir o que a quebra entre essas classes pode causar.

Outro vídeo interessante é o Primeira Guerra Mundial Part.1, onde os meninos contam como surgiu o nacionalismo e o imperialismo, as grandes empresas que ficaram cada vez maiores e os países imperialistas que dominam as várias áreas do planeta no fim do século XIX. Os meninos apresentam outro vídeo onde o personagem Deel tem uma grande dúvida:“Como é que medimos com exatidão a distância entre a Terra e a Lua?”. E com base nisto Diih nos surpreende com a informação de que existe “espelhos” na lua.

“O primeiro vídeo que fizemos foi sobre o pintor Cândido Portinari, um dos maiores artistas plásticos do Brasil, que iniciou seus estudos no Rio de Janeiro e ficou conhecido mundialmente. Tínhamos um trabalho da escola e começamos a pesquisar sobre ele. Quando vimos, estávamos com uma espécie de roteiro. E foi a partir daí que surgiu a ideia de colocar os vídeos no canal para atrair mais atenção das pessoas”, explicou Danilo Simões.

Durante a entrevista, Daniel Simões destacou que um dos trabalhos que mais gostou de fazer foi o vídeo sobre Luís Gama, um dos mais importantes abolicionistas do Brasil, porém desconhecido pela maior parte das pessoas. “Ele tem uma história muito forte e poucos sabem de sua existência. Luís Gama, quando criança, foi vendido como escravo pelo próprio pai. E foi considerado um dos principais advogados negros do Brasil, reconhecido pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), por ter conseguido libertar 500 escravos”, contou Daniel Simões.

Daniel Simões revelou que a atuação de Luís Gama como advogado se deu depois de tentar, em 1850, entrar na Faculdade de Direito do Largo do São Francisco. Impedido por ser negro, frequentou as aulas como ouvinte e, com o conhecimento adquirido, atuou na defesa de escravos, além de ter se destacado como jornalista, poeta e um dos maiores líderes abolicionistas do Brasil.” Temos aprendido muito com estas nossas pesquisas para a realização dos vídeos, e isso tem ajudado bastante nas atividades da escola”, disse o menino, que sonha em ser engenheiro mecatrônico.

Para a jornalista Débora Simões, o canal DDdemais é o embrião de outras possibilidades. A jornalista afirmou que a dupla vai dar continuidade ao projeto até enquanto eles quiserem. E que estão apostando nesta ideia, porque eles gostam do que estão fazendo. “Sempre colocamos para eles que é importante estudar para ter uma profissão que lhes dê uma segurança no futuro”, finalizou a jornalista.

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