Decoração

A tradição dos presépios se mantêm viva na capital

Seja em residências, igrejas, escolas, espaços públicos ou privados, a tradição de montar presépio nesta época do ano se mantém forte em São Luís

Foto: Luís Furtado

Mais do que peças de arte ou de decoração, o presépio é uma montagem que conta a história do nascimento de Jesus Cristo e significa algo especial para as pessoas: é vida, amor, luz e paz. Em muitas igrejas, instituições, repartições públicas, ou locais privados, o ornamento é montado durante o período natalino como representação da época de nascimento do Salvador. Mas, para famílias que mantêm a tradição iniciada por seus antepassados, significa, além disso, a perpetuação do amor e da fé em Deus.

Sebastião Cardoso Júnior, pesquisador e produtor cultural, é uma dessas pessoas. Com a tradição herdada dos pais, há 12 anos ele mantém, sozinho, a prazerosa tarefa de montar seu presépio. Recentemente, quando mudou-se de casa, realizou o sonho de poder montar o presépio do tamanho e do jeito que sempre quis. Melhor ainda, com a facilidade de poder abrir as portas para quem quiser visitar.

São ao todo 40 peças que compõem o presépio. Muitas delas adquiridas, outras doadas, algumas foram presentes de amigos, além das que ele herdou do pai, Sebastião Cardoso. A abertura oficial foi no dia de Nossa Senhora da Conceição, com uma ladainha, para abrir oficialmente para os amigos. A montagem do presépio começou em outubro e ele fez tudo sozinho.

“Aqui eu me realizo. Agora tenho mais espaço. No final de semana, abro as portas para os amigos, os vizinhos, tem gente de longe que vem ver. Dá muito orgulho de poder fazer essa representação do nascimento de Cristo, de continuar essa tradição familiar. Tenho peças de quando meu pai montava. Era um presépio de promessa. Depois que ele faleceu, continuei fazendo com mamãe, e há 12 anos, desde que ela faleceu, eu mantive a tradição”, conta Sebastião.

Até agora, o artista já montou o presépio da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos e vai fazer o da Igreja de Santo Antônio, além dos convites que já recebeu para montar em residências de amigos, a exemplo de Gabriel Melônio, que há mais de 20 anos mantém uma tradição herdada de sua avó.

Para ele, é uma honra poder participar desse mistério que é a vida cristã. “Fazer um presépio é levar uma mensagem de Natal através da arte. Tentar de forma humilde e simples transportar no tempo essa realidade do nascimento de Jesus através da arte dos presépios”, conta Sebastião.

Tradição que reúne a família

Foto: Luís Furtado

Não precisa ser muito grande, luxuoso (até porque Jesus Cristo nasceu em uma manjedoura) ou muito incrementado. Pode ser de material tradicional, reciclável, ou com alguma tecnologia. O que dá valor ao presépio é a intenção de montá-lo para representar o nascimento de Cristo e unir a família em torno da tradição. Isso, por si só, já basta. “O que eu percebo é que essa tradição está sim, muito forte… Se mantendo… As pessoas estão se interessando. Até órgãos públicos, igrejas, hoje estão fazendo queimação de palhinha. Porque a queimação era uma tradição familiar e hoje as igrejas também estão fazendo. É a nossa cultura sendo preservada. Famílias novas estão sendo criadas, amigas estão fazendo presépios, outras estão dando continuidade à tradição familiar, e assim vai”, diz o artista. Na família de Maria Arenilde Santos, essa tradição vem sendo mantida de geração a geração. A matriarca da família, dona Maria Augusta Santos, fez uma promessa em 1972 e teve a graça alcançada. Agora com 92 anos, ela conta com a ajuda das filhas para montá-lo.

Grandioso, o presépio tem dimensões consideráveis, com altura de 1,70cm e comprimento de 2,60cm. São três painéis em estilo montanhoso, laminado e em montanha de capim, isopor, papel laminado, material reciclável, que dão o tom do presépio. Para se ter ideia da grandiosidade, oito padrinhos e oito madrinhas ajudam a manter a festa que, com o tempo, cresceu muito.

Na casa de dona Augusta, no J. Lima, o presépio segue todo o ritual de abertura, ladainha, terço, queimação de palhinha. No dia de Natal, há uma solenidade especial que reúne os 10 irmãos que vêm de todos os lados do país. “É uma festa de fé e devoção que existe para reunir toda a família. E a gente vai continuar fazendo isso por muitos e muitos anos”, diz Arenilde, profissional de logística.

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