SAMBA!

João Cavalcanti faz show pela primeira vez em São Luís

Ex-vocalista do grupo de samba Casuarina faz apresentação no Projeto Samba na Lapa, que trará para Ilha nomes do samba carioca

O clima da boemia e do samba carioca estarão presentes na volta do projeto Samba na Lapa, que terá como atração principal o cantor e compositor João Cavalcanti, ex-vocalista da banda de samba Casuarina. O evento, que leva assinatura do produtor cultural Mário Moraes, acontece amanhã, a partir das 21h, no Savassi, antigo Rock Ribs, na Ponta do Farol.

Para o produtor Mário Moraes, a vinda de João Cavalcanti à Ilha do Amor marca não só o retorno do projeto Samba na Lapa, que teve a sua primeira edição há dez anos, como também o fortalecimento do intercâmbio cultural entre os artistas do samba carioca e músicos do samba maranhense. Em sua apresentação na capital maranhense, será acompanhado pelos integrantes do grupo Feijoada Completa e pelos músicos Carlindo Filho, no violão sete cordas, e Wendel Cosme, no bandolim.

O cantor, que faz parte da nova geração da MPB, ao lado de nomes como Marcelo Jeneci, Tulipa Ruiz, Céu, Tiê e outros, ouve muito rock, samba, música erudita e outros gêneros musicais que o completam como artista.
Em entrevista a O Imparcial, Mário Moraes lembrou que a primeira edição do Samba na Lapa trouxe nomes expressivos da cena contemporânea do samba carioca, tais como: Moyseis Marques, Alfredo Del-Penho, Edu Krieger, Elisa Addor, Nicolas Krassik, o grupo Anjo da Lua, Alice Passos, Julieta Brandão, Letícia Tuí, Gabriel Cavalcante, Toninho Geraes, entre outros que fazem samba na Lapa. “A ideia de reeditar o projeto Samba na Lapa consiste em trazer estes nomes que foram os grandes responsáveis por revitalizar a noite carioca na Lapa. Eu não tive a oportunidade de trazer o Casuarina em São Luís. Somente agora, dez anos depois, podemos apresentar o samba feito por João Cavalcanti e o Casuarina, que também contribuíram para fomentar o clima de boemia que a Lapa sempre teve. E esta é uma oportunidade do público maranhense conhecer o samba e outras composições autorais feitas por ele”, disse o produtor.

O show em São Luís será a primeira apresentação do cantor, depois de anunciar oficialmente a sua saída, após 16 anos à frente da banda carioca. Mario Moraes ressaltou que João Cavalcanti, junto com o Casuarina e outros artistas ligados ao universo do samba, tiveram papel importante no processo de revitalização da noite na Lapa, no Rio de Janeiro. O produtor lembrou que o Casuarina foi eleito o melhor grupo de samba deste ano no Prêmio da Música Brasileira. E que mesmo com a saída de João Cavalcanti, a banda continua na estrada com os outros integrantes: Gabriel Azevedo, Rafael Freire, João Fernando e Daniel Montes.

Sobre a saída da banda Casuarina, João Cavalcanti justificou-se para o público da seguinte maneira: “Saio pra manter o brilho nos olhos. Mas saio, acima de qualquer coisa, com a certeza de que tudo valeu a pena, e de que o Casuarina vai seguir e vai ser sempre um pedaço meu – do qual me orgulho e com o qual vou vibrar enquanto estiver por esse mundo”, diz Cavalcanti em trecho do comunicado publicado nas redes sociais.

Sambas e canções autorais

Mário Moraes adiantou, também, que o show de amanhã marca o início da carreira solo de João Cavalcanti. No repertório, os sambas da trajetória do cantor no Casuarina e canções de seu primeiro álbum solo: Placebo. O disco foi lançado em 2012 pela Warner. Neste trabalho solo, além de samba, João Cavalcanti, passeia pelo tango, rock, pop e frevo em canções como Síndrome, Demônios e Placebo. A música Placebo, que dá nome ao disco, é um samba composto por ele em tributo a Chico Buarque, Paulinho da Viola e Paulo César Pinheiro.

No disco feito paralelo ao trabalho do Casuarina, João Cavalcanti assina todas as 11 músicas, algumas delas em parceria com nomes como Marcelo Caldi e Sílvia Nicolatto. Em Placebo, o artista divide com os ex-companheiros do Casuarina a canção Frevo do Contra-Êxodo. A música é a que encerra o álbum, mostra a todos que a saída do cantor da banda foi uma decisão acertada e que ela não abalou a relação entre eles.
João Cavalcanti, que é filho de Lenine, já tem planejados os primeiros passos da nova trajetória. No ano que vem, lança CD com o acordeonista e pianista Marcelo Caldi, Garimpo. Na produção, ele assina, com o uruguaio Jorge Drexler, a música Consumido; com Joyce Moreno, Dia lindo; com Zé Renato, Domingos; e com seu pai, Lenine, A causa e o pó.

A carreira solo de João Cavalcanti está sob a responsabilidade da produtora MP,B e é gerenciada pelo empresário João Mario Linhares, o mesmo que cuida das carreiras de Ney Matogrosso, Pedro Luís, António Zambujo e Carminho (no Brasil), Roberta Sá, entre outros. Em 2019, o músico pretende lançar o segundo disco solo, Sangrado, com produção de Tó Brandileone.

Sobre João Cavalcanti

Formado em Jornalismo pela PUC-Rio, João Cavalcanti, quando era criança, participou de discos infantojuvenis e jingles publicitários, que o levaram a gravar com o Rei Roberto Carlos. João Cavalcanti herdou o amor pela música do pai, o cantor e compositor Lenine. Aos 18 anos, integrou a banda Rodagente, que fazia forró, época em que ele passou a frequentar muito a Lapa. Foi na zona da boemia carioca onde aconteceu a sua aproximação com o samba, o que lhe levou a fundar o Casuarina no ano de 2001. O grupo formado por ele, Gabriel Azevedo (voz e pandeiro), Rafael Freire (cavaquinho), Daniel Montes (violão) e João Fernando (bandolim), em 2007, recebeu o Prêmio Rival Petrobras, na categoria melhor grupo musical.

Dois anos depois, em 2009, lançaram os CD, DVD e Blu-Ray MTV Apresenta: Casuarina, pela gravadora Sony. Por esse trabalho, o Casuarina foi eleito o melhor grupo de samba no 21º Prêmio da Música Brasileira.Em 2010, João participou do 48º Festival Villa-Lobos e cantou ao lado da Orquestra Petrobras Sinfônica em homenagem ao cantor e compositor Braguinha, no Rio de Janeiro. No Casuarina, João Cavalcanti gravou cinco álbuns de estúdio e participou de dois registros audiovisuais de shows editados em DVD e cerca de mil shows realizados em 20 países. Com o grupo de samba, o cantor dividiu o palco com nomes como: Alcione, Arlindo Cruz, Beth Carvalho, Dudu Nobre e o próprio Lenine e outros artistas. Com a saída do grupo Casuarina no início deste mês, o cantor e compositor João Cavalcanti segue em carreira solo.

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