CULTURA

O som pop de Tulipa Ruiz no Jazz & Blues, em São Luís

Cantora e compositora paulistana é um dos destaques da programação cultural do circuito São Luís do festival, que acontecerá na Concha da Lagoa da Jansen

Reprodução

Os grandes nomes do jazz, do blues, do choro e de outros gêneros musicais do Brasil e do exterior vão brilhar no palco da Nona Edição do Jazz & Blues Festival nos dias 9, 10 e 11 de novembro, no circuito São Luís. A abertura oficial do festival acontecerá na próxima quinta-feira (9), às 19h, Fanzine – Praça Beckman – Beira Mar – Centro, com o lançamento do livro Belchior – Apenas um Rapaz Latino –Americano, de autoria de Jotabê Medeiros, publicado pela Todavia Editora, que fará uma sessão de autógrafo. A noite contará com o show Tributo a Belchior com os cantores Milla Camões, Tássia Campos, Tutuca Viana e Marconi Rezende, e encerra com o show Transa e outras fodas com a Banda Calabar, que fará uma releitura ao vivo do álbum Transa, de Caetano Veloso.

A programação cultural dos demais dias do festival vai ocorrer na Concha Acústica Reynaldo Faray, localizada na Lagoa da Jansen. Entre as atrações confirmadas está a cantora e compositora paulistana Tulipa Ruiz, que, pela terceira vez, vai se apresentar na Ilha. Dona de vários sucessos, a cantora traz na bagagem três discos já gravados e bastante elogiados pela crítica. Nascida em Santos, criada na mineira São Lourenço e formada em Multimeios na PUC, de São Paulo, Tulipa Ruiz e o irmão, Gustavo, têm berço musical: o pai, Luiz Chagas, é guitarrista da vanguardista Isca de Polícia, banda que acompanhou Itamar Assumpção. As referências, entretanto, se espalham por Baby do Brasil, Zezé Motta, o grupo Rumo e as artistas internacionais e multimídias Meredith Monk e Yoko Ono, além de Joni Mitchell. Ainda garota e já universitária, Tulipa teve algumas experiências musicais por hobby. O “valendo”, porém, veio só em 2009, quando a então redatora e ilustradora se assumiu como cantora e compositora.

A vida de Tulipa mudou quando foi a um concerto da cantora norte-americana Meredith Monk: “Fiquei absolutamente embasbacada quando assisti ao concerto Impermanência, da criadora de óperas contemporâneas Meredith Monk. Como se quarenta mil fichas sobre espiritualidade, canto, respiração e amadurecimento tivessem caído ali na minha frente. Chorei de atrapalhar o colega do banco ao lado. Foi um rito de passagem para mim. O jeito que Meredith explora a voz, rompendo a barreira entre canto e palavra, me comoveu e fortaleceu. Aprendi que o palco é um lugar sagrado, de poder e experimentação. Foi lindo entender isso”, disse ela em uma entrevista.

Em 2010, Tulipa Ruiz estreava no mercado independente com Efêmera. O repertório de pop solar lhe rendeu citações de disco do ano por publicações especializadas, como a Rolling Stone Brasil e os jornais britânicos The Guardian e The Independent. Ainda emplacou música em novela e foi trilha sonora do videogame Fifa. Dois anos depois, em 2012, com Tudo Tanto, Tulipa trazia uma pegada pop rock.
Tulipa ganhou espaço no cenário musical brasileiro. Fez uma temporada com Marcelo Jeneci e já cantou com cantoras como Zélia Duncan. Tem em seu primeiro álbum participações de Tiê, Anelis Assumpção, Donatinho, Kassin, Thalma de Freitas, Juliana Kehl, Céu e Mariana Aydar. Tulipa construiu o que chama de “pop florestal” – metade de São Paulo, metade de Minas Gerais, com composições próprias, do pai e do irmão, o guitarrista Gustavo Ruiz.

Cinco anos depois, a cantora e compositora paulista surpreende e se reinventa com Dancê, seu terceiro álbum de estúdio produzido por Gustavo Ruiz, irmão, guitarrista, parceiro em dez das 11 novas composições e produtor de todos os seus trabalhos. No disco, o repertório de Tulipa continua pop e mantém ecos solares, mas está, do começo ao fim, feito para dançar. A sonoridade está ainda mais encorpada, em faixas com forte presença de metais e sopros, com arranjos de Marcio Arantes e Jacques Mathias. O álbum foi indicado ao Grammy Latino e saiu vencedor na categoria de Melhor Álbum de Pop Contemporâneo Brasileiro. Tulipa conta que, como o show está na estrada há três anos, foi se modificando com o passar o tempo, ora para tirar quem está no palco da mesmice, ora para agradar quem está na plateia. “O Dancê de 2017 acabou hibridizado porque entraram coisas do Efêmera, disco de estreia, em 2010, que rendeu grande repercussão] e Tudo tanto [de 2012]. A gente não gosta de um setlist duro e muitas das músicas pedidas variam de cidade para cidade”, acrescentou ela.

Tu, o novo disco de Tulipa

Em tempos de redes sociais, mensagens enviadas por WhatsApp, DMs no Instagram, diretas e indiretas em posts no Facebook, Tulipa Ruiz pede logo pelo amor. “Se entrar no game, game”, canta ela, em Game, a música responsável por anunciar a chegada do quarto álbum da carreira da cantora, chamado Tu. Tu, que tem previsão de lançamento para 10 de novembro, é o sucessor de Dancê, de 2015, e apresenta o material gravado em Nova York, no estúdio de Scotty Hard. Novamente, o trabalho é uma parceria com Gustavo Ruiz, irmão dela e produtor de grandes álbuns da nova música brasileira – e tem produção de Stéphane San Juan. No palco, Tulipa estará acompanhada de um power trio formado por Gustavo Ruiz (guitarra), Gabriel Mayall, o Bubu, (baixo) e Samuel Fraga (bateria). O público maranhense também pode ter a honra de ouvir no festival pela primeira vez as canções que fazem parte de novo disco da cantora.

Toda a programação do Lençóis Jazz e Blues Festival é gratuita. Ao lado da Concha Acústica Reinaldo Faray haverá feira gourmet, com a venda de sanduíches, cervejas artesanais e outras iguarias, no clima dos maiores festivais do país. O evento é patrocinado pelo Banco do Nordeste, Cantinho Doce, Fribal, Alpha, Atacadão Menezes, Sesc e Prefeitura de São Luís, com recursos captados através das Leis Rouanet (Governo Federal, Ministério da Cultura) e Estadual de Incentivo à Cultura (Governo do Maranhão, Secretaria de Estado da Cultura e Turismo). Realização de Tutuca Viana Produções, o Lençóis Jazz e Blues Festival conta ainda com o apoio de Concha Acústica Reinaldo Faray, Clara Comunicação, Tory Brindes, Taguatur Turismo e Restaurante Malagueta.

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