Dia do Idoso

Idosos chegam à melhor idade com vitalidade e vontade de aprender

No Dia Internacional do Idoso, histórias de pessoas que chegaram à melhor idade decididas a não parar.

Foto: Honorio Moreira.

Quando a velhice chega, a única coisa que resta aos idosos é descansar. Eles já fizeram muito durante a vida e agora é hora de desacelerar, certo? Errado! Neste dia 1º de Outubro, quando é comemorado o Dia Internacional do Idoso, O Imparcial trouxe algumas histórias de pessoas que decidiram que não era hora de parar no tempo.

No jornalismo, é comum citar o nome do entrevistado e logo depois, a idade. Dessa vez será diferente. Leão Santos, que de todas as idades está na melhor, é quem desmente o boato de que idoso precisa mesmo é sossegar. Cheio de vida e com muita vontade de aprender, seu Leão, como prefere ser chamado, afirma que descanso não é sinônimo de ficar parado. “Tenho 75 anos, mas minha mente não acompanha minha idade. Sou jovem mentalmente e acredito que a gente tem mesmo é que viver e sempre se exercitar. Ler, escrever, aprender coisas novas. Tudo isso ajuda”, conta.

Leão Santos faz parte da turma do curso de Informática para 3ª Idade do Senac-MA. Ele diz que tem o sonho de escrever um livro sobre sua vida e, para isso, teria de aprender a digitar textos no computador. “A facilidade com que você consegue escrever um texto sem nenhum borrão, como acontecia nas antigas máquinas de escrever, é fantástico. Eu quero começar a escrever um livro sobre a minha história e, por isso, entre no curso. Isso ajuda a me tornar mais independente”, relata.

Tirar o cérebro do ‘automático’

Um dos grandes males que têm acometido, principalmente, os idosos atualmente é o mal de Alzheimer. Ainda não há consenso quanto às verdadeiras causas da doença, mas o que as teorias revelam é que há grande possibilidade de o mal ser causado por fortes traumas, dores psicológicas ou falta de atividades que, de alguma forma, oxigenem a mente. Quem explica é o médico geriatra Jesus Gutierrez, que atende na rede Hapvida. “A partir do momento em que uma pessoa tira o cérebro do ‘automático’ e o desafia, ela mantém controle sobre a capacidade de se concentrar e memorizar algo. Isso vale para todo tipo de atividade que seja considerada uma novidade na rotina”, esclarece Gutierrez.

Parece que Raimundo Julião atendeu à recomendação do geriatra. Beirando os 60 anos de idade, ele decidiu entrar em uma empreitada desafiadora: ingressar em um curso superior. Em fase de conclusão no curso de Comunicação Social na UFMA, Seu Raimundo confessa seu desejo. “Minha ideia é chegar aos 60 anos bem, pensando bem, escrevendo bem, andando bem. Digo isso porque quando se exercita a mente, as coisas melhoram e muito e minha meta é envelhecer com saúde”, revela.

A saída é estimular

Instigar a mente a compreender códigos é extremamente importante para manter a mente saudável, principalmente quando se é idoso, segundo a psicóloga Francineide Aires. A profissional comenta que quando o idoso envereda por novas áreas de conhecimento são criadas várias possibilidades de interação social. “Quando um idoso procura aprender novas áreas, ele se depara com diversas possibilidades de crescimento, que é importante para sua saúde mental e para o envelhecer bem, para o envelhecer com qualidade. Socialmente, o idoso se coloca num lugar estratégico, onde conhece novas pessoas, interage com outros alunos, professores e faz novos amigos”, pontua.

E foi exatamente isso que motivou Maria das Graças a entrar em um curso de inglês. A aposentada já chegou à terceira idade, mas a mente, segundo ela, continua querendo trabalhar e aprender coisas novas. “Eu já tenho 67 anos, mas um sonho adolescente me fez vir aqui para aprender um novo idioma. Nunca tive condições de aprender inglês, e quando passei a ter, não tinha era tempo para entrar num curso. Agora, que tenho tempo, decidi que era hora de realizar esse desejo. E é muito rico porque a gente não aprende só uma língua nova, mas uma cultura nova. Fora os amigos que a gente faz”, declara.

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