Pesquisa

Qual a origem dos nomes de cidades maranhenses?

Essa resposta será dada na pesquisa do Atlas Toponímico do Maranhão (Atema) que envolve além da formação linguística, aspectos culturais, históricos e ambientais na criação do nome

Reprodução

Um trabalho inédito está sendo desenvolvido por uma equipe formada por docentes e discentes da Universidade Estadual do Maranhão Campus Balsas: a criação do Atlas Toponímico do Maranhão (Atema) envolvendo, além da formação linguística, aspectos culturais, históricos e ambientais na criação do nome.

Toponímia, que vem do grego topos “lugar” e onoma “nome”, é responsável pelo estudo dos nomes dos lugares, por meio da investigação etimológica e semântica da palavra, bem como suas mudanças linguísticas. O trabalho, coordenado pela professora Maria Célia Dias de Castro, está na primeira fase que deve ser concluída até meados de 2018. Nesta primeira etapa, estão sendo coletados dados do sul do Estado, por meio das cartas topográficas da região disponíveis no site do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Assim, o Atlas vai mostrar não apenas o que cada nome atribuído àquele lugar significa, mas um trabalho de pesquisa bem mais profundo. Segundo ela, os trabalhos sobre toponímia no estado do Maranhão ainda são pouco desenvolvidos.

“Esse trabalho já tem 1 ano, mas ainda temos muito o que fazer. Pesquisar os nome de lugares não é fácil e nem rápido. Chamamos de macrotopomínia o estudo dos nomes de lugares como estados e municípios, e micro, os lugares menores, como vilas, povoados, chácaras, fazendas, sítios, cursos d’água. Tudo envolve uma análise descritiva, semântica, de sentidos e significados, a relação desses nomes com o mundo, com a língua portuguesa, com o homem, as relações de poder que são expressas por meio de cada nome”, aponta a coordenadora do Atema.

A partir das cartas geográficas, a equipe formada por professores do Departamento de Letras e Matemática, além de estudantes bolsistas e voluntários, faz um levantamento do inventário lexical dos nomes que serão colocados nas fichas toponímicas. Na análise, leva-se em conta os resultados qualitativos e quantitativos para elaboração do relatório final.

Até o momento já foram catalogados 2008 topônimos da microrregião dos Gerais de Balsas. O estudo já passou por Porto Franco até Alto Parnaíba, mas ainda vai se estender para várias microrregiões. As próximas etapas preveem o Centro maranhense, em seguida o Leste até chegar à região Norte do estado. “É um trabalho audacioso, ambicioso, grandioso e que não tem um prazo pré-definido para ser concluído porque são muitos nomes, mas estimo que em uns 10 anos ele deve ficar pronto. Estamos finalizando a primeira etapa e é um momento único dessa nova experiência aqui para a gente, a exemplo de outros trabalhos de pesquisa que estão sendo feitos em outros lugares do país”, diz a professora.

Com a continuidade da pesquisa a coordenadora espera atrair outros pesquisadores de outras localidades para somar à equipe. Maria Célia pondera ainda que este não é o trabalho de uma equipe de uma universidade, mas de maranhenses que fazem um resgate da cultura de um povo, da religiosidade, da historicidade, da geografia. “Tem muita gente fazendo esse tipo de pesquisa no restante do país, então é um orgulho imenso trazer essa contribuição e mostra para a população, socializar esses nomes e esses dados que são desconhecidos ainda e incentivar o interesse pelo significado que determinado lugar tem”, aposta a coordenadora.

No ano passado, ela esteve na Universidade Federal do Mato Grosso do Sul se preparando para esse desafio. O projeto está sob a orientação e supervisão da Prof.ª Dr.ª Aparecida Negri Isquerdo (UFMS), que tem várias experiências nessa área. O Mato Grosso do Sul já possui um Atlas Toponímico.

Exemplos de Topônimos da Mesorregião Sul Maranhense – Microrregião do Gerais de Balsas

Mangabeiras – (mangaba+eira); mangaba, tupi ma’naua ‘planta da família das apocináceas’;

Gavião – Da mesma origem incerta que o espanhol gavilán; possivelmente do gótico*gabillans. Gavião – qualquer das aves acipitrídeas e falconídeas. (FERREIRA, 2010, p. 1-19);

Ásia – topônimo, uma das cinco partes do mundo. Do grego Ásia, pelo latim Asia. Não está explicada a origem do nome (MACHADO, 2003, p.176);

Letras – do latim littera. Ideia de ‘letra’: grama(t)- e liter-; -lítero.] ‘sinais gráficos que representam os fonemas de uma língua’ (AULETE ONLINE);

Besta – ‘animal de carga’ séc. XIII, do latim bestia (CUNHA, 2010, p. 88);

Curral Velho – talvez do latim currale, is. Origem duvidosa, talvez de um latim *currale;

Morro da Macaca – Macaco – provavelmente de origem africana e do Congo. Lenz pensa que o vocábulo é de Madagascar. Teodoro Sampaio, o tupi na geografia nacional, 3ª ed. p. 255, diz ser vocábulo tomado dos galibis da Guiana; o símio, na língua desses índios, é macaca.

Edital

O projeto foi contemplado no edital Universal da Fundação de Amparo à Pesquisa e Desenvolvimento Científico do Maranhão (Fapema) e, em julho deste ano, inaugurou local próprio, com instrumentos de suporte às pesquisas.

O que prevê a pesquisa

  • Identificar, descrever e analisar os macrotopônimos e os microtopônimos do Estado;
  • Pesquisar a etimologia desses topônimos;
  • Identificar as motivações com base na visão de mundo ecológica que leva(ra)m à escolha de determinado nome;
  • Identificar as relações entre os microtopônimos, a população e território e o processo denominador desse sistema que envolve o trinômio Língua/Povo/Território.

Perspectiva

Segundo Maria Célia, o objetivo geral é que o Atlas Toponímico do Estado do Maranhão – Atema, ao ser concluído, componha o Atlas Toponímico do Brasil (ATB). “Este projeto resultará na aquisição e disseminação de novos conhecimentos para a pesquisa toponímica. Além disso, resultará em novas pesquisas que envolvem professores e alunos, impactando nos processos avaliativos das instituições envolvidas, propiciando investimento na qualificação de professor e de alunos da Uema e da UFMA, pondo em destaque os estudos multiculturais e transdisciplinares que envolvem essa pesquisa”, assegura.

MOSTRAR MAIS