Extra, extra!

A humanidade do jornaleiro versus a urgência do robô

Neste 30 de setembro, Dia do Jornaleiro, trazemos o questionamento: podemos comparar as mídias digitais aos profissionais que trabalham entregando (literalmente) a notícia?

Quer saber de política, economia, cultura, fofoca, tendências? A informação está a um palmo, ou melhor, a alguns cliques. Para se ter uma dimensão, pesquisando “Michel Temer” (o presidente) no Google, mecanismo de buscas que dispensa formalidades, são apresentados exatos 17.300.000 resultados em 0,41 segundos.

Ponha na balança. Não é preciso dizer que todo o trabalho que vai das mãos do jornalista aos braços do jornaleiro definitivamente não tomam 0,41 segundos. Num instante que já dura algumas décadas, a figura do ‘moço que entrega jornais’ (no imaginário dos mais antigos, um personagem fugaz que grita “EXTRA, EXTRA!”) passa despercebida por quem anda pelas ruas com os olhos vidrados na tela de um smartphone.

Vendedor, ouvinte e conselheiro. Quer mais, Google?

Após 19 anos vendendo jornais, George Lacerda possui dotes que até o Google invejaria, se não fosse um robô. Proprietário de uma banca localizada na Cohab, Lacerda acorda cedo todos os dias, trabalha nos fins de semana e feriados e tem uma missão sempre que chega à sua banca: ler pelo menos 10 manchetes de todos os jornais que vende.

Esse tempo investido na leitura garante boas vendas, já que a maioria de seus clientes não quer apenas comprar. “Eles vêm comprar o jornal, conversam, perguntam se eu assisti ao noticiário da noite anterior, querem falar sobre política e saber como está o movimento na cidade. São clientes fiéis que estão aqui todos os dias”, explica.

Lacerda vende jornais há mais de 19 anos.

Lacerda vende jornais há mais de 19 anos.

Lacerda conta que acaba virando psicólogo dos clientes. “O cara chega para conversar e conta que levou chifre, que tá botando chifre, que brigou com a esposa e com os filhos… essas coisas”, brinca.

Sobre a concorrência entre impresso e online, o jornaleiro prefere não se precipitar ao sentenciar um ou outro. Lacerda diz que a internet acaba afastando alguns clientes, mas também faz com que um novo público seja alcançado. “As pessoas vêm atrás de uma revista quando já viram na internet. No caso do jornal, elas veem nas redes sociais e, se o conteúdo interessa, vêm e compram. Então, diminuiu a venda por causa da internet, mas ela também auxilia porque antecipa o que vai estar nos impressos”, finaliza.

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