Profissionais do sexo

São Luís recebe pela primeira vez o Encontro Nacional de Prostitutas

Essa edição marca os 30 anos do evento e, por isso, a  mesa de abertura será com o painel “30 anos de memórias, histórias e lutas das trabalhadoras sexuais”

Serão três dias de rodas de conversa, atividades culturais e muito debate, a exemplo da discussão sobre a luta das trabalhadoras sexuais brasileiras na perspectiva do futuro, avanços e retrocessos legais, perspectivas do trabalho dos profissionais sexuais, e também direitos e legislação no Brasil. É a sexta edição do Encontro Nacional de Prostitutas, que será realizado de 21 a 23 de setembro, no Convento das Mercês (Desterro).  O evento terá representações nacionais dos estados do Pará, Minas Gerais, Distrito Federal, dentre outras unidades da federação, e é promovido pela Rede Brasileira de Prostitutas e a Central Única de Trabalhadores e Trabalhadoras Sexuais.

Essa edição marca os 30 anos desde o primeiro encontro e, por isso, a  mesa de abertura será com o painel “30 anos de memórias, histórias e lutas das trabalhadoras sexuais”, que homenageará Gabriela Leite, ex-prostituta da Boca do Lixo (em São Paulo), da zona boêmia de Belo Horizonte e da antiga Vila Mimosa (no Rio de Janeiro). Gabriela Leite organizou, em 1987, o primeiro encontro nacional de prostitutas. Em 1992, fundou a ONG Davida. Ela estudou ciências sociais na Universidade de São Paulo (USP) e lutou pela regulamentação da profissão de prostituta. Em 2005, Gabriela criou a grife Daspu. Morreu de câncer em 2013.

Este é o primeiro encontro da Rede em São Luís, que tem como representante da Rede no Nordeste a coordenadora-geral da Associação das Profissionais do Sexo do Maranhão (Aprosma), Maria de Jesus Costa. O objetivo do evento é trabalhar a profissão no futuro, ao mesmo tempo em que vai mostrar como funciona a Rede em outros estados e o que está sendo feito.

A Rede é composta por 18 ONGs em todo o Brasil e tem atuação em todo o país, com levantamento de dados sobre como está a prostituição em cada estado, dados de violência, preconceito, denuncias, entre outros assuntos referentes à profissão.

“É uma realização total da Rede Nacional, no intuito de mudar perspectivas, mostrar as novas  estratégias de trabalho que estão sendo feitas não só para as putas, mas para todas as mulheres, trabalhar o futuro, eu volto a dizer, independentemente da mulher ser puta ou não. É mostrar o que estamos tentando mudar para melhorar o mundo”, destaca Maria de Jesus.

A Aprosma, fundada em 2002, reúne mais de mil profissionais do sexo e presta assistência e reivindica direitos para a classe. A ativista esteve por cerca de 20 anos na profissão. Começou aos 15, vinda da pequena cidade de Pontal. “A zona tinha muita festa, música e gente. Eu queria ‘luxar’, usar sapato alto, sentar à mesa do bar e tomar cerveja. Aí, acabei entrando nessa vida”, conta.

De Jesus, como é conhecida, não precisou dados atuais de Maranhão, mas destacou que faz atendimento a todos os tipos de casos. Considerada uma referência no Maranhão quando o assunto é denúncia, a ativista ressalta que violência ou prostituição de menor é caso para atenção de todos. “Trabalhamos com parcerias com vários profissionais de saúde, casas de assistência, órgãos públicos relacionados à mulher. Inclusive, nesse evento de setembro, todos os parceiros estão envolvidos, teremos a Carreta da Mulher no local  prestando atendimento para as mulheres… será um evento para tratar do futuro”, assegura De Jesus.

Profissão mais antiga do mundo

Tida como a “profissão mais antiga do mundo”, a prostituição está inserida no contexto de todas as sociedades, ocidentais e orientais desde os tempos mais remotos.

Odiadas, amadas, necessárias, regulamentadas por alguns governos, controladas por outros e seus serviços de saúde, resgatadas por religiões para uma vida digna, perseguidas ou glamourizadas em belas cenas no cinema americano, as prostitutas atravessam os séculos exercendo sua profissão, passando por cima de preconceitos, discriminações, violências e agressões que partem de todos os lados.

Muitos dos mitos acerca da prostituição permanecem e vão permanecer até o fim dos tempos, mas as conquistas adquiridas não têm preço, e estão em crescimento constante, seja com projetos, encontros, novos grupos que surgem, e políticas específicas voltadas para estas populações.

Pesquisa

De acordo com a Fundação Mineira de Educação e Cultura (Fumec), calcula-se que o Brasil tenha cerca de 1,5 milhões de pessoas, entre homens e mulheres, que vivem em situação de prostituição. A pesquisa revela que 28% das mulheres estão desempregadas e 55% necessitam ganhar mais para ajudar no sustento da família.

Segundo dados da Fumec, 59% são chefes de família e devem sustentar sozinhas os filhos, 45,6% têm o primeiro grau de estudos e 24,3% não concluíram o ensino médio. Logo, elas apresentam um baixo nível de escolaridade, o que significa que quase 70% das mulheres prostitutas não têm uma profissionalização.

“É uma realização total da Rede Nacional, no intuito de mudar perspectivas, mostrar as novas estratégias de trabalho que estão sendo feitas não só para as putas, mas para todas as mulheres, trabalhar o futuro, eu volto a dizer, independentemente da mulher ser puta ou não. É mostrar o que estamos tentando mudar para melhorar o mundo”, disse Maria de Jesus Costa,coordenadora-geral da Associação das Profissionais do Sexo do Maranhão.

Serviço

O quê?Encontro Nacional de Prostitutas

Quando? 21 a 23 de setembro

Onde? Convento das Mercês

Quanto? Gratuito mediante inscrição

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