Cinema

Maranhão na Tela homenageia cineastas brasileiros

Festival que fomenta a produção audiovisual no estado comemora uma década com homenagens a cineastas nacionais e locais, além de exibição de filmes e mostras competitivas

Em 2017, o festival completa 10 anos

Dez cineastas brasileiros serão homenageados na celebração da primeira década do festival de cinema Maranhão na Tela. A programação começa a partir de amanhã e vai até o dia 26 de agosto, no Centro de Criatividade Odylo Costa, filho, Centro Cultural Vale Maranhão e Espaço Chão, em São Luís. Evento terá Panorama Doc Brasil, Mostra Maranhão de Cinema, Anim!art, além de oficinas, cursos e Cine Café que vai exibir produções locais e nacionais.

Durante o festival, serão homenageados os cineastas: Sandra Kogut, Lírio Ferreira, Lúcia Murat, Rosemberg Filho, Bruno Sáfadi, Marcelo Gomes, Gabriel Mascaro, Cavi Borges, José Jofily e o maranhense Joaquim Haickel , que formam o grupo dos realizadores homenageados com presença confirmada na edição especial de dez anos do Maranhão Na Tela.

Esta será uma oportunidade dos amantes da sétima arte conhecerem o trabalho da cineasta carioca Sandra Kogut, que é especializada em videoarte e documentários. Seu trabalho é caracterizado por experimentos de edição não linear, abordando temas que visam criar alguma intervenção no espectador, em relação a questões sociais. Entre os trabalhos de destaque, estão os filmes: Campo Grande (2016), que apresenta a história de duas crianças que são deixadas em frente à portaria de um prédio em Ipanema, com um pedaço de papel escrito o nome da dona da casa; Mutum (2007), longa-metragem inspirado no livro Campo Geral, de João Guimarães Rosa; e Um Passaporte Húngaro (2001), documentário que questiona o que é uma nacionalidade, para que serve um passaporte, e o que herdamos. Baseado na própria experiência de Sandra Kogut, que é judia. Ela entrou em contato com a Embaixada da Hungria na França para um pedido de passaporte, visando procurar a família.

Outro homenageado do festival será Gabriel Mascaro, cineasta e artista visual que iniciou sua carreira como realizador, fazendo documentários em 2008. Mascaro dirigiu KFZ-1348 (2008, codirigido por Marcelo Pedroso), Um Lugar ao Sol (2009) e Doméstica (2013). No mesmo ano, lançou o curta A Onda Traz, O Vento Leva. No ano seguinte, lançou seu primeiro filme de ficção, Ventos de Agosto (2014), e se tornou mais conhecido após o lançamento do seu último filme, Boi Neon (2015). O cineasta tem recebido atenção pela crítica especializada e despertou a curiosidade de curadores de festivais de cinema após estrear Boi Neon no 72º Festival de Veneza, de onde saiu com Prêmio Especial do Júri, em seguida conquistou a menção honrosa, em Toronto e cinco prêmios de melhor filme nos festivais do Rio, Varsóvia, Adelaide, Marrocos e Cartagena.

Também têm presença confirmada alguns convidados especiais, entre eles Daniel Oliveira (ator no filme Sangue Azul, de Lírio Ferreira, e que faz parte do elenco de Os dias eram assim, que está no ar pela TV Globo), Júlio Machado (protagonista de Joaquim, de Marcelo Gomes), Jorge Itapuã Beira Mar (diretor), Carol Benjamim (produtora e roteirista), Patrícia Nidermeier (atriz), Christian Caselli (diretor e produtor), Nizo Neto (ator) e Clara Averbuck, que ministrará uma oficina de criação literária.

Como nos anos anteriores, o Maranhão na tela 10 Anos exibe as tradicionais mostras do Panorama Doc Brasil, com quatro documentários; a Mostra Maranhão de Cinema, com mais de 50 filmes, a Anim!art, com centenas de animações de dezenas de países, além da etapa formativa, com oficinas e cursos sobre diversos ofícios ligados à arte cinematográfica, e o Cine Café. Os filmes dos homenageados serão exibidos no Cine Praia Grande e as demais mostras, no Teatro Alcione Nazaré. A programação completa e a lista dos filmes maranhenses selecionados para a mostra competitiva estão disponibilizadas no site www.maranhaonatela.com.br.

Duas perguntas//MAVI SIMÃO

Mavi Sião celebra os 10 anos do Maranhão na Tela

A realizadora do evento, Mavi Simão, assina a curadoria geral ao lado do jornalista e produtor Breno Lira Gomes. Segundo Mavi, são dez anos de atividade comemorados num excelente momento do nosso cinema e, para participar dessa festa, a produção reuniu grandes realizadores e filmes que fazem parte da história do Maranhão na tela.

Como você avalia esses primeiros 10 anos do Maranhão na tela?

O primeiro indicador que o Maranhão na tela tornou-se uma referência é que o festival nunca teve tantos inscritos. Nesta edição, foram mais de 60 filmes produzidos entre 2016 e 2017. Além disso, tenho feito uma imersão no arquivo do festival, resgatando toda a história dele que será apresentada no make off que traduz muito bem o que foram este dez anos que ajudaram a estimular e a desenvolver atividades que fomentaram a produção audiovisual no estado.

E como você se sente fazendo parte de tudo isso?

Para mim, é muito gratificante. Pois, este é um momento muito significativo para mim. Lembro que, nos primeiros anos do festival, o Maranhão ainda não havia produzido um longa-metragem, apesar da tradição cinematográfia que o estado sempre possuiu. Quando iniciamos, vivíamos um momento de ostracismo na produção audiovisual. Acredito que só foi a partir da terceira edição do festival que houve uma renovada no cinema maranhense com o surgimento de nomes como Arturo Saboia, Cícero Filho e Frederico Machado, que apostaram em realizar produções de qualidade que tiveram reconhecimento em vários festivais. Depois deles, veio uma nova geração que também está produzindo muito. Nomes como Breno Nina que, além de ator, também está dirigindo. Fico feliz em saber que o Maranhão na Tela contribuiu para esse novo momento do audiovisual maranhense.

Serviço

O quê? Maranhão na tela 10 anos
Quando? De 16 a 26 de agosto
Onde? No Centro de Criatividade Odylo Costa, filho – Rua da Feira Praia Grande, 162 – Centro; Centro Cultural Vale Maranhão – Rua da Palma 149 – Praia Grande – Centro
Quanto? Aberto ao público

 

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