Meteorologia

Expectativa de chuvas no Maranhão supera média anual

O período de estiagem maranhense já começou mas continua chovendo. Entenda o que tem causado chuvas fora de época em diversas regiões do estado

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Faltando ainda 5 meses para o fim do ano de 2017, pode-se observar que a maioria das capitais nordestinas já registraram toda a chuva anual normal, segundo das do Instituto Nacional de Meteorologia. Mas porque já choveu tanto?

Para explicar melhor esse índice de chuva, voltamos para 2016. O ano começou com a influência do fenômeno El Niño, que se estendeu até meados de julho. Depois, a chuva foi rareando no segundo semestre, o que é perfeitamente normal para a época do ano nas capitais do Nordeste. Vale lembrar que, o ano de 2015, também foi um ano marcado pela influência do El Niño e já havia chovido pouco. Em anos de El Niño a chuva fica concentrada sobre o Sul e o Nordeste, em geral, tem chuva abaixo da normalidade.

No Maranhão

O Maranhão está tendo chuvas atípicas neste início de Agosto. O fluxo de umidade que chega ao estado provoca as pancadas de chuva.  Para se ter uma ideia, a média anual de chuva em São Luís é de 1836,2 milímetros e já choveu no período de 01 de janeiro até 08 de Agosto o equivalente a 2186,8 milímetros, ou seja, o ano nem terminou e a chuva já superou a média anual. Em 2016, choveu durante todo o ano 1538,8 milímetros ficando abaixo da média anual, ainda segundo o Inmet.

Segundo o Laboratório de Meteorologia, do Núcleo Geoambiental da UEMA, poucas nuvens cobrem o território em quase todo o estado do Maranhão. Isso se deve à atuação de uma massa de ar seco, comum para a época do ano. Mas devido à termodinâmica local e ao fluxo de ar favorável, poderá se formar nebulosidade significativa no litoral maranhense. Essa condição pode causar chuvas em pontos isolados da região

Conheça alguns fenômenos meteorológicos que causam chuvas no estado:

A Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) é a principal responsável pelas chuvas dos últimos meses no setor centro-norte do Maranhão, e isso tem contribuído para um aumento considerável dos totais mensais, onde muitos municípios tem apresentado chuvas já em torno da normal do mês.

Já a partir de maio e perdurando em junho e julho, as chuvas no Maranhão também são engatilhadas, muitas vezes, por ocorrências de um Distúrbio Ondulatório de Leste (DOL) ou Ondas de Leste, que são perturbações do vento e da pressão atmosférica que se propagam pelo Oceano Atlântico Tropical. Quando chegam na costa da Região Nordeste do Brasil, essas ondas têm a função fundamental de articular a precipitação na região.

O Estado do Maranhão começa indicar configurações do período seco. Entretanto, essa condição não descarta a ocorrência de veranicos (alternância de dias com sol e chuva), pois dependendo do posicionamento da ZCIT e de alguns casos de DOLs, podem ocorrer grandes sistemas de tempestade capazes de produzir chuvas fortes com trovoadas. Por conta do período chuvoso, as áreas de risco de deslizamentos e enchentes devem receber melhor atenção.

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