Últimas Notícias · COMPORTAMENTO

Especialista fala sobre as desculpas dadas no ambiente de trabalho

Usar pretextos para fugir das responsabilidades no ambiente de trabalho é um mal comum, podendo também afetar a produtividade, dizem especialistas

Foto: Reprodução.


Reprodução

Max Kolbe acredita que a forma como algumas instituições funcionam desmotiva a mão de obra do funcionário

“Não terminei o relatório porque não me entregaram os dados a tempo” ou “Não me explicaram direito o trabalho”… Não é raro escutar essas e outras desculpas para justificar o que não foi feito. Contratempos ocorrem durante o expediente, mas, quando evasivas são usadas excessivamente, é sinal de problemas. “As pessoas têm mania de adiar tarefas. É um padrão que acaba sendo permitido nas empresas”, comenta Christian Barbosa, especialista em gerenciamento do tempo.
“Hoje em dia, muitas empresas veem esse comportamento como natural. Isso deixa os empregados que cumprem os prazos desmotivados”, diagnostica ele, que também é especialista em produtividade pessoal. “Esforçar-se e não sair do lugar acarreta um nível de frustração muito grande em médio prazo, então a pessoa se sente mal e entra para o círculo vicioso de criar justificativas”, explica Barbosa. A atitude pode levar à perda de relacionamentos. “O criador de desculpas se coloca como vítima e cansa quem convive com ele.”
Professor de ética empresarial e sócio-diretor da S2 Consultoria, focada em desenvolvimento organizacional, Renato Santos acredita que os principais motivos que levam um funcionário a criar desculpas são: maldade, pressão, desenvolver outras atividades ao mesmo tempo, empresa que não dá espaço para erro, falta de coragem para assumir falhas e medo de perder o emprego. Outra razão também pode ser a busca pela perfeição. “Alguns preferem atrasar a entregar algo sem qualidade. No entanto, assim, o superior não sabe se pode confiar no funcionário para cumprir um prazo”, pondera.
Santos afirma que é inaceitável estabelecer uma data-limite e avisar que não será possível entregar no dia em que o período vence. “O gestor deve repreender o aviso em cima da hora e não possibilitar que o empregado culpe colegas”, ensina. Segundo o professor, passar a batata-quente adiante cria um círculo vicioso. “A pessoa te culpa, você repete o ato com outro, que faz o mesmo com um terceiro e assim por diante. Isso gera insatisfação e um ambiente antiético, que deixa o setor prejudicado.”
O chefe x as escusas
Dono de um escritório de advocacia, o advogado Max Kolbe, 33 anos, percebe que alguns dos 24 funcionários são mestres em se justificar. “É irritante. Tem gente que, a cada dia, diz estar com dor em um lugar diferente. Quando alguém não vem, faz muita falta. Preciso colocar pessoas em áreas que não têm nada a ver com a função para a qual foram contratadas visando repor outro funcionário. É complicado”, diz. Além de deixar tarefas pendentes, o excesso de desculpas cria um ambiente pesado. “Se o colaborador reclama muito, traz negatividade para a empresa. Ninguém precisa ficar ouvindo problemas toda hora.”
Max acredita que a forma como algumas instituições funcionam desmotiva a mão de obra, encadeando o processo de desculpas. “Os empregados precisam comprar a ideia da empresa. Se o chefe trata bem o funcionário, acaba virando um compromisso moral cumprir as responsabilidades”, percebe. Para alavancar a produtividade e eliminar as desculpas, o jurista instituiu um ambiente mais descontraído. “O colaborador pode trabalhar da forma como quiser: o importante é entregar bons resultados.”
Para chefes como Max, Christian Barbosa recomenda rigor ao tratar do assunto. “Pessoas ineficientes contaminam a equipe e devem ser cortadas. Quando alguém começa a adotar essa conduta, é preciso dar um feedback pontual a cada vez que o funcionário der desculpas esfarrapadas. Na terceira ou na quarta repetição, ele deve ser demitido”, estipula Christian Barbosa.
Os rodeios do meu colega…
Para quem precisa lidar com um criador de desculpas, o ideal é não desmoralizar ou tentar prejudicar a pessoa. É o que recomenda o professor de ética empresarial Renato Santos. Contar tudo para o chefe pode não ser a melhor saída. “Evite falar para o gestor, ele pode ver seu comentário de maneira negativa ou não saber lidar com a informação. Se tiver um grau de abertura com o criador de desculpas, converse com ele com uma abordagem de conselho. Caso não tenha intimidade, não comente, pois o colega pode fazer uma leitura negativa.” Em último caso, ele indica que o empregado procure o departamento de recursos humanos ou denuncie se a empresa tiver um canal de denúncias.
Confira as 1O justificativas mais usadas pelos ‘desculpeiros’ e policie a si mesmo:
1. Eu não sabia
2. Não recebi o e-mail
3. Isso sempre foi feito dessa maneira
4. Eu só fiz o que me mandaram
5. Eu já enviei o e-mail
6. Eu fiz a minha parte
7. Isso não é minha função
8. Já deu o meu horário
9. Esse cliente não é meu
10. Esse problema não é meu
Compartilhar
O Imparcial
O Imparcial