LITERATURA

O Mulato será lançado em quadrinhos na FeliS

Obra de Aluísio de Azevedo vai ser lançada na Feira do Livro, no próximo domingo, em novo formato, com roteiro de Iramir Araújo e ilustrações de Ronilson Freire

Reprodução

Por uma feliz sincronicidade do destino, O Mulato, obra-prima de Aluísio Azevedo, adaptada para os quadrinhos por Iramir Araujo terá lançamento durante a 13ª Feira do Livro de São Luís (FeLiS), ano no qual o romancista, contista, cronista, diplomata, caricaturista e jornalista maranhense é o grande homenageado do evento. O lançamento, com bate-papo e noite de autógrafos, será no domingo, 20 de outubro, à partir das 19h, no espaço Casa do Escritor.

O livro, publicado pela editora 7 Cores, com patrocínio da Equatorial Energia, por meio da Lei de Incentivo à Cultura do Maranhão, chega ao público numa bela e impactante arte de Ronilson Freire, impresso em papel pólen, formato 17x24cm, 130 páginas, P&B e capa colorida, após mais de dois anos de pesquisa e roteirização. “É uma obra atemporal e, por isto mesmo, profundamente contemporânea, que sinto que deveria ser lida por todos. Por isso, a opção de quadrinizá-la, porque além de permitir a possibilidade de uma maior democratização da literatura de um dos maiores escritores do Brasil, mesmo que por meio de uma adaptação, também é uma forma de preservar e valorizar uma obra genuinamente maranhense, por meio dos costumes, do cenário político e social da época, possibilitando um paralelo com os dias atuais”, explica Araújo.

Lançado em 1881, o romance original de Azevedo inaugurou o “Naturalismo” no Brasil, gênero literário do qual o autor é precursor no país. Na época de seu lançamento, O Mulato causou rebuliço, principalmente no Maranhão, por tratar de questões raciais de forma crua e detalhadamente descritas, e por sua crítica explícita à igreja e ao clero maranhense. Na obra, o mulato Raimundo retorna da Europa após formar-se advogado. No Maranhão, ele desperta a paixão da prima Ana Rosa, uma jovem ingênua e sonhadora. O namoro dos dois, no entanto, não progride por causa da origem do rapaz. Mesmo rico, advogado, educado e com um futuro promissor, ele carrega uma grande sina: ser filho de uma negra escravizada, o que para a sociedade maranhense de então era um pecado mortal.

Ambientado num Brasil escravocrata, o romance chocou a sociedade, que não gostou de se ver retratada na obra. Hoje, passados 138 anos de sua primeira edição, o que teria O Mulato, de tão atual? Para Iramir Araujo, certas formas de pensamentos e ações continuam arraigadas em uma parte considerável da população brasileira. “Infelizmente continuamos, nos dias de hoje, debatendo formas de trabalho análogas à escravidão, preconceitos raciais, religiosos e ideológicos. A hipocrisia religiosa: muita gente continua fazendo vítimas em nome de um Deus muito cruel. Tudo isto continua muito presente no cotidiano da nossa sociedade”.

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