Encantos e desencantos da cidade patrimônio

Um pouco sobre a nossa amada São Luís

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poucos dias de São Luís completar 407 anos (que ocorre hoje), o presidente Jair Bolsonaro e seu colega francês Emmanuel Macron travaram uma desavença jamais vista na história recente entre o Brasil e a França. Macron chegou a falar na pomposa reunião do G-7 – grupo das nações supostamente mais ricas do Planeta, embora a China esteja fora – que “a Amazônia é nosso bem comum”. Portanto, ele propôs um movimento mundial de combate aos incêndios e que ajude o reflorestamento da Amazônia, dentro da qual o Maranhão tem hoje mais de 30% de seu território.

Se tivesse lido um pouco de história das grandes navegações – ou lembrado delas –, Macron teria, certamente, feito referência à quase dominação francesa do Maranhão e pedaço do Nordeste brasileiro no distante período de 1612 a 1615. Mas ele preferiu a frase “somos todos amazonenses”, referindo-se à Guiana Francesa encravada dentro da Amazônia, como uma região ultramarina da França, na costa nordeste da América do Sul, composta principalmente por floresta tropical, centro da crise internacional, tomada pelo fogaréu das matas.

Mas recuando ao século XVII, se não fosse a intervenção militar do português Jerônimo de Albuquerque, hoje, quem sabe, São Luís seria a capital de um estado francês – da França Equinocial. O projeto tinha tudo para dar certo se não fosse o poderio militar de Portugal e sua ambição pela dominação do Brasil. Os franceses já tinham feito outra tentativa de se fixarem no Brasil, nos anos de 1612 a 1615. Tentaram fundar uma colônia no Rio de Janeiro, porém, foram repelidos. A França Equinocial, de La Ravardiàre, de Razilly e dos Capuchinhos, foi precedida da França Antártica de Villegaignon e Jean de Léry em 1550. Quem mora ou visita hoje São Luís, com seu conjunto arquitetônico de raro valor histórico e artístico, nem de longe imagina quem os franceses encontraram, ao aportarem onde hoje fica a Avenida Beira-Mar. Ao fundar São Luís em 1612, o capitão da fidalguia francesa Daniel de La Touche cuidou de distribuir terras ao grupo que o acompanhava. Eles passaram a cultivar alimentos, na tentativa de se fixarem na América e ganhar a simpatia dos nativos índios tupinambás. Naquele tempo, a Linha do Equador era chamada de Linha Equinocial, daí o nome com que batizaram a nova colônia.

Mas foi a partir da segunda metade do século 20 que a cidade de São Luís foi deixando para trás seu centro comercial instalado na Praia Grande e avançando na direção das praias, principalmente. Enquanto os ricos atravessaram o Rio Anil para buscar locais mais aprazíveis perto do mar, os pobres se instalaram em periferias, palafitas nos mangues e em invasões de terra firma que prosperaram em vários sentidos. Vão do Anjo da Guarda aos núcleos residenciais ao redor da Cidade Operária e Maiobão.

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