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A Sereia de Itacolomi: Grupo Narraiz lança e-book que resgata o imaginário e as encantarias do Maranhão

O Grupo Narraiz é um coletivo de atrizes e contadoras de histórias que une tradição oral, musicalidade, artes visuais e teatro de formas animadas

As águas, os mistérios e as histórias que atravessam gerações são o ponto de partida para o e-book A Sereia de Itacolomi, nova publicação do Grupo Narraiz (Foto: Divulgação)
As águas, os mistérios e as histórias que atravessam gerações são o ponto de partida para o e-book A Sereia de Itacolomi, nova publicação do Grupo Narraiz (Foto: Divulgação)

As águas, os mistérios e as histórias que atravessam gerações são o ponto de partida para o e-book A Sereia de Itacolomi. Nova publicação do Grupo Narraiz, a obra foi lançada nesta sexta-feira (19) como parte do projeto Nas Águas do Itaqui. O livro acompanha a jornada de Salú, um jovem pescador que parte em busca da dona de uma voz encantadora que ecoa pelas noites de um vilarejo à beira-mar, conduzindo o leitor por um universo povoado por seres fantásticos, causos populares e encantarias maranhenses.

O Grupo Narraiz é um coletivo de atrizes e contadoras de histórias que une tradição oral, musicalidade, artes visuais e teatro de formas animadas. Conhecido pelo espetáculo Bicho que vira gente, gente que vira bicho — principal eixo artístico do grupo —, o coletivo estreia agora no mercado editorial. O livro marca também a primeira obra publicada pela autora Sofia Cartágenes.

Foto: Divulgação

Da tradição oral às páginas digitais

A história nasceu a partir da experiência de Sofia como contadora de histórias em uma livraria de São Luís. Fascinada pelo imaginário das sereias, a artista começou a pesquisar narrativas correlatas e a resgatar relatos de sua própria família.

“Fiz pesquisas sobre histórias de sereias, que sempre me fascinaram”, conta Sofia. “Comecei a perguntar sobre causos para minha mãe, que guardava muitas memórias das histórias que meu avô contava sobre a praia de Guimarães, no Maranhão. Assim, trilhei um caminho autoral e, aos poucos, surgiu A Sereia de Itacolomi”.

Durante a escrita, a principal preocupação da autora foi preservar o sotaque e a estrutura das narrativas herdadas de seus antepassados. “Tentei ao máximo manter as expressões e os modos de narração da forma que me foram passados oralmente. É uma maneira de salvaguardar a linguagem específica e o ‘jeitinho maranhense’ de contar histórias”, afirma.

Ao longo da trama, Salú guia o leitor por paisagens e referências do cotidiano das comunidades costeiras do estado. Peixes típicos da região, seres encantados e elementos do imaginário popular ganham vida na narrativa, que conta com as ilustrações de Marina Hauer.

Sobre o projeto Nas Águas do Itaqui

O lançamento do e-book integra as ações do projeto Nas Águas do Itaqui, iniciativa que promove a circulação de espetáculos e atividades formativas. No próximo mês, o grupo realizará apresentações e oficinas em diferentes localidades de São Luís.

Para o coletivo, a publicação amplia o universo poético da proposta e reforça o vínculo entre arte, memória e território.

Nas Águas do Itaqui faz referência às águas que banham a região Itaqui-Bacanga e que conectam territórios, pessoas e histórias. Inspirado nesse fluxo, o projeto convida o público a imaginar que o percurso artístico do Grupo Narraiz também se move como o mar. Nada poderia ser mais oportuno do que lançar um livro sobre sereia dentro dessa travessia simbólica”, destaca a atriz Mariana Madeira.

Disponível inicialmente em formato digital, a expectativa do grupo é que o material ganhe, em breve, uma edição física para distribuição gratuita. O projeto Nas Águas do Itaqui é realizado por meio do Edital de Chamamento Público nº 006/2025 – Fomento aos Núcleos Artísticos, da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), com o objetivo de fortalecer a difusão cultural no Maranhão.

Grupo Narraiz

O Narraiz é um grupo de contadoras de histórias formado pelas atrizes Emanuele Paz, Mariana Madeira, Nicole Duarte e Sofia Cartágenes, que se encontraram durante o curso de Teatro da Universidade Federal do Maranhão (UFMA).

Foto: Divulgação

O nome reúne as palavras “narrar” e “raiz”, sintetizando o compromisso do coletivo com as tradições orais e as historicidades brasileiras. Seu trabalho transita entre contos tradicionais e narrativas contemporâneas, integrando musicalidade, visualidades e teatro de formas animadas. Entre suas principais produções está o espetáculo Bicho que vira gente, gente que vira bicho, apresentado em eventos e festivais no Maranhão e em outros estados brasileiros.

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