TEATRO

A obra musical da “Pimentinha” no palco do TAA

O trabalho faz parte da conclusão do projeto que selecionou 40 jovens de comunidades para um contato mais próximo com a Dança Contemporânea, Ballet Clássico e Jazz, possibilitando- os uma vivência e formação técnica na área

Reprodução

A densidade da obra de Elis Regina, considerada por muitos críticos a maior cantora brasileira, que morreu em 1982 e que deixou um legado musical que influencia até hoje a música popular brasileira,  estará no palco do Teatro Arthur Azevedo  nesta quarta-feira (24), às 20h com o espetáculo Uma Poesia Eterna, Elis”. O trabalho será apresentado por 25 jovens integrantes do Projeto Pulsar Jovem, criado em junho de 2018, pela Pulsar Companhia de Dança, que vem desenvolvendo trabalhos artísticos há mais de duas décadas no estado, e levando a dança do Maranhão para o país.

O trabalho faz parte da conclusão do projeto que selecionou 40 jovens de comunidades para um contato mais próximo com a Dança Contemporânea, Ballet Clássico e Jazz, possibilitando- os uma vivência e formação técnica na área. A ideia original de levar a obra de Elis a cena, surgiu de conversas entre o coreógrafo Joilson Ferraz e o diretor da companhia Abelardo Telles. A luta diária por conquistas na área profissional, pessoal e social travada pela cantora, foi a mola propulsora para criação do espetáculo. Encontrar um fio condutor em toda sua obra foi um trabalho denso, já que nenhum dos integrantes a conheceu em vida. Para o coreógrafo Joilson Ferraz, depois de definido que o trabalho seria sobre  Elis, restava mergulhar em sua obra.

“Pelo material pesquisado e sua importância, decidimos falar da poesia contida nas letras, da forma de interpretar e sua entrega para o público. Elis se dava por completo, se ariscava e seguia em frente, essa garra e coragem contida nela e tão necessária nos dias de hoje, estará representada em cena nas coreografias criadas , ressalta o coreógrafo. Mesmo pensamento compartilhado pelo diretor  da companhia Abelardo Telles “Elis será sempre necessária, sua obra é eterna. O espetáculo não se trata de um recorte biográfico de sua vida, mas uma interpretação livre da poesia contida nas letras, tão brilhantemente interpretadas pela “pimentinha”

Sobre o processo de criação do espetáculo

O processo de criação do espetáculo  vem despertando sensações e mexendo com as emoções dos jovens participantes. Para a bailarina Walquiria Diniz Soares, 23 anos, que teve no projeto Pulsar jovem a oportunidade de mergulhar na dança  contemporânea.

“A dança move em mim um prazer absoluto e uma realização pessoal, além proporcionar experiências únicas, traz a responsabilidade de expressão através da arte. Esse será meu primeiro espetáculo de dança contemporânea e é imenso o prazer de poder retratar a vida e obra da eterna e majestosa Elis. Tenho consciência da responsabilidade e estou muito ansiosa por tudo que está por vir, esse espetáculo promete fortes emoções. Pedro Gabriel integrante e fã do trabalho da Pulsar relata que  esse será o primeiro espetáculo que realmente estará presente na ligação de coreografias que tem começo, meio e fim. “Esse espetáculo será sem dúvida uma experiência incrível, desde o primeiro dia da audição, tive uma gama de sentimentos, alegrias, tristezas. A dança tem me ajudado em muitos aspectos físicos e psicológicos”.

Já para Lucas Silva um outro integrante do projeto  “Sinto muito amor e orgulho por tudo que estamos produzindo. Sou muito grato ao projeto e aos profissionais que nos instruíram durante esse período. Estou na expectativa pra que tudo dê certo e que o resultado final seja lindo”

Ainda sobre o processo de criação, Fernando Saraiva o outro coreógrafo que também assina a direção e o roteiro junto com o Joilson Ferraz, ressalta que entre as mensagens propostas pela obra estará a que levará a cena, que, mesmo depois de 37 anos da ausência física de Elis, ela continua símbolo feminino de luta e de inconformismo político. Suas músicas mesmo compostas há mais 50 anos,  falam de coisas  bem  atuais, polêmicas, que condenam e criticam todo e qualquer ataque a liberdade de expressão, a todo artista e a cada mulher.

“É notório o legado que Elis Regina deixou a música popular brasileira  ,nós mais jovens não tivemos a oportunidade de conhecê-la  em vida, mas  através das suas músicas e interpretações. A cada música que ouvimos nos leva a refletir  como era o Brasil antes de nós, como era o comportamento de cada cidadão da época e  como ela incomodava com sua voz , personalidade e atitude” conclui Fernando.

Espetáculo dividido em quatro momentos

Os coreógrafos decidiram por dividir o espetáculo em quatro momentos:  rádio , bar, casa e praça. O Rádio – apresentará o surgimento da cantora para o grande público, as polêmicas e manifestações .O Bar será retratado como o momento de festejo, da luxúria, do poder, dos jogos, do flerte e aproximação com o  Jazz. Já para o momento da Praça os coreógrafos apresentarão  os encontros, as relações amorosas, as paixões e a poesia.

Para a Casa, que também será o momento final do espetáculo, será o momento mais denso dentro da obra, onde será retratado  as desilusões , as paixões estremecidas, os conflitos familiares, as perdas e reencontros , além de algumas surpresas só reveladas claro em cena .   “Falar de Elis é falar sobre resistência, sobre coragem. É falar sobre não ceder ao governo, a política , as vozes que querem nos calar . E muito mais que isso, é lutar não só pelo seu espaço, mas uma luta coletiva por liberdade,  por querer escrever o seu nome, por querer ganhar o seu sustento, por querer falar abertamente sobre sentimento, sobre a perversidade da sociedade sobre falcatruas. Elis será um espetáculo encantador, será  um espetáculo para toda família. É um espetáculo que falará de uma poesia eterna, para mães, pais e filhos e ficará em nossa memória. Um momento de reafirmação de sua contribuição para a música brasileira para todo o sempre e todas gerações”. Conclui Joilson Ferraz coreografo, roteirista e diretor artístico do espetáculo.

SERVIÇO

O que?  Uma poesia eterna: Elis

Quando? Quarta-feira (24), às 20h

Onde? Teatro Arthur Azevedo , Rua do sol – Centro.

Quanto? Plateia/ Frisa R$ 30;  Camarote/Balcão/Galeria R$ 20

Ingressos a venda: na bilheteria do Teatro Arthur Azevedo, Bilheteria Digital, Foto Sombra (São Luis Shopping e Shopping da Ilha  )

Compras on line: teatroarthurazevedo.byinti.com

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