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COMÉRCIO

Comerciantes estão otimistas com o retorno das atividades

Pandemia da covid-19 derruba confiança do consumidor, mas empreendedores se dizem otimistas quanto ao retorno gradual das vendas no comércio em São Luís

Reprodução

Primeiro vieram as medidas de isolamento social, depois o fechamento do comércio e de estabelecimentos de serviços não essenciais, em seguida, o lockdown. Desde a segunda quinzena de março, quando a Organização Mundial de Saúde declarou a Covid-19 como pandemia,  a rotina do mundo nunca mais foi a mesma,  a rotina de São Luís nunca mais foi a mesma. Agora, com a retomada gradual das atividades e serviços, o mundo busca se readaptar.

Na economia, especialistas afirmam que superar o pessimismo do consumidor será o grande desafio. Setor fortemente afetado, comerciantes torcem pelo fim da pandemia e pela chegada de um novo mundo mais próspero.

A empresária Ana Paula Portela Barros, proprietária de uma loja na Cohama, reabriu o estabelecimento na segunda-feira, por ser uma empresa familiar. Depois de ter apostado nas vendas online, por delivery e retirada na loja, ela aguarda que no atendimento presencial as coisas possam se restabelecer.

A queda no faturamento semanal foi de 10%, segundo ela. “Como não tivemos venda de jeito nenhum na data do Dia das Mães, a gente está apostando no Dia dos Namorados. Mas por enquanto, normalidade ainda não há. A expectativa que temos é sempre otimista, apesar da economia muito ruim, mais difícil, porque o auxílio emergencial vai acabar, e as pessoas vão estar desempregadas, sem auxílio, sem nada, então vai ser bem mais difícil da retomada da economia. A gente tem que estar otimista, mesmo sabendo que a realidade está sendo bem difícil. Até antes da pandemia a economia tinha melhorado bastante, viu? Mas infelizmente tem coisas que só Jesus para nos dar conformação e passar por isso com resignação e confiança”, disse a empresária.

Como não tivemos venda de jeito nenhum na data do Dia das Mães, a gente está apostando no Dia dos Namorados

A fala de Ana Paula só reforça o que diz a Fecomércio-MA sobre o nível de intenção de consumo das famílias de São Luís. O índice medido mensalmente apresentou um recuo de -25,3% no mês de maio em comparação ao mesmo período do ano passado. Na passagem mensal de abril para maio, a queda no otimismo dos consumidores ludovicenses foi de -12,7%. Com 74,9 pontos, em uma escala que vai de 0 a 200 pontos, a intenção de consumo na capital maranhense apresentou o menor resultado da série histórica do índice que começou em janeiro 2010.

Todos os subcomponentes que formam o indicador apresentaram variação mensal negativa, com destaque para a avaliação do consumidor quanto ao momento para aquisição de bens duráveis (-23,8%), o nível de consumo atual (-18,8%), a perspectiva profissional (-17,6%) e as perspectivas de consumo (-16,4%). “Os setores de eletrodomésticos, móveis, veículos e produtos de valor agregado mais elevado terão um grande desafio pela frente, apesar de já estarem com autorização para reabertura. A deterioração do mercado de trabalho e da renda do consumidor vai criar um cenário de bastante pessimismo para o consumo”, avalia o presidente da Fecomércio-MA, José Arteiro da Silva.

A deterioração do mercado de trabalho e da renda do consumidor vai criar um cenário de bastante pessimismo para o consumo

“Quando tive que fechar a loja eu chorei muito”

Enquanto os consumidores estão pessimistas quanto ao consumo no geral, empresários fazem do otimismo uma alavanca para superar a crise. Rafaella Castro, proprietária de duas lojas de confecção e artigos femininos, no Angelim e no Maiobão, também reabriu a loja esta semana, seguindo o decreto governamental. Otimista, porém realista, ela conta que ficou muito abalada quando teve que fechar a recém inaugurada loja do Maiobão. “Ninguém esperava por isso né? E nem que fosse afetar, como está afetando tudo.

Embora a gente esteja vendendo online nas nossas lojas, não é a mesma coisa que vender presencialmente. A gente já trabalhava com delivery, mas não era tanto como está sendo agora. Afeta toda uma cadeia econômica porque as pessoas estão com medo de sair de casa, e com isso, apostamos no delivery. Apesar de agora ter novas regras, onde algumas lojas já podem abrir, muita gente prefere não arriscar. Eu abri uma loja no Maiobão, ai veio a pandemia e eu tive que fechar. Então, estou bem confiante, otimista, que aos poucos as coisas vão voltando ao normal. Quem faz as coisas darem certo é a nossa força de vontade. É confiar e esperar”, disse a empresária.

Quem faz as coisas darem certo é a nossa força de vontade. É confiar e esperar

Outra empresária, Iara Campos, utilizou dos mesmos meios para conseguir honrar com os compromissos: venda online, por delivery, por retirada no local (antes do lockdown) e assim aguarda que as coisas melhorem. “Quando tive que fechar a loja eu chorei muito, porque estava fechando um sonho, com um futuro que a gente não sabia qual era, totalmente incerto. As vendas online ajudaram até no nosso psicológico. Agora, como empresa familiar, estamos reabrindo em horário reduzido e tomando todas as precauções que você pode imaginar. As vendas não estão como gostaríamos que estivessem, as clientes estão com muito medo, mas a gente sempre tem que olhar o lado bom das coisas. Eu  costumo falar para mim mesmo, para minha equipe que a gente tem que se motivar todo dia e tem que olhar o lado bom de tudo. Foi muito desesperador,mas tudo tem um aprendizado e estamos bem otimistas”, disse Iara.

As vendas não estão como gostaríamos que estivessem, as clientes estão com muito medo

Empregos

Um dos fatores que agravaram o pessimismo dos consumidores ludovicenses foi a movimentação negativa do mercado de trabalho no mês de abril.

A capital maranhense registrou um saldo negativo de -1.982 postos formais de trabalho, com destaque para o comércio e a construção civil, que eliminaram -918 e -747 empregos com carteira assinada, respectivamente.

No mês de março, quando foram registrados os primeiros casos da covid-19 em São Luís, esses dois setores já haviam registrado a redução de -760 vagas de emprego, sendo -440 postos no comércio e -320 na construção civil.

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