CULTURA

Tambor de crioula para comemorar o dia de Santa Luzia

Em comemoração ao Dia de Santa Luzia, a “Santa dos olhos”, produtor cultural Paulinho Dimaré realiza o 25º ano do Tambor de Crioula – Um Degrau de Santa Luzia

Tambor de Crioula no Centro Histórico de São Luís (Foto: Agência São Luís)

Fé, devoção e tambor de crioula marcam as comemorações ao Dia de Santa Luzia, celebrado hoje (13), em homenagem à padroeira dos olhos. Em São Luís, será celebrado o 25º ano do Tambor de Crioula – Um Degrau de Santa Luzia, no quintal da casa do produtor cultural, Paulo Bertoldo, mais conhecido carinhosamente no meio artístico e cultural de São Luís como Paulinho Dimaré, a partir das 20h às 00h, na  Rua São João, Nº 25, no  bairro do Pindorama. O ponto de referência é a caixa d”água Pindorama e o Frigorífico Ebenézer, na última parada do Vila dos Nobres.

Fruto do sincretismo religioso, o tambor de crioula é uma louvação a São Benedito no Maranhão (o que não impede de seus brincantes fazerem toque de tambor para outro santo), praticada há mais de três séculos pelos descendentes dos negros, sob a forma de canto, toque de tambor e dança. Os ritmos e as danças têm identidade e estilo próprios. As variações rítmicas ocorrem entre os grupos, que são compostos por ‘coreiros’ – os tocadores de tambor e as dançarinas e suas saia, também conhecidas como “coreiras”.

De acordo com Paulinho Dimaré, o primeiro toque de tambor feito por ele em homenagem a Santa Luzia aconteceu em 1993, no bairro da Fé em Deus, onde a festa permaneceu

por dois anos e depois foi transferida para o bairro do Pindorama, onde até hoje a comemoração acontece ao som da parelha do tambor de crioula, regada a ladainha, rezas, distribuição de bolo de macaxeira e tapioca, além de muito vinho e conhaque. “É uma festa que faço em homenagem a esta Santa que proporciona milagres aos seus devotos. Milagres acontecem todos os dias, basta crer e perceber o que acontece em sua volta”, disse Paulinho Dimaré, que é o atual presidente na Associação Cultural de Tambor de Crioula do Maranhão.

O produtor cultural revelou que a festa contará com a participação de coreiras e tocadores da ilha e de Alcântara. “A maioria das mulheres é do Quilombo de São Raimundo, de Alcântara, que sempre me acompanhou desde o início desta promessa”, contou Dimaré. Em entrevista a O Imparcial, Dimaré lembrou ainda que o primeiro cantador da festa foi Mané Oito junto com Seu Carneiro, sobrinho de Mestre Leonardo que comandaram a homenagem à Santa. “Depois de Mané Oito tivemos como cantador o saudoso Quelé que chegou a viajar para Portugal com Nelson Brito e Mestre Felipe pelo Laborarte. E hoje o nosso cantador oficial é Filipe de Alcântara que também divide a cantoria com Mestre Anselmo”, acrescentou Paulinho Dimaré, que além de produtor cultural, é servidor da Universidade Estadual do Maranhão (Uema), vinculado à Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Estudantis (Proexae).

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