ENTREVISTA

“A grandiosidade de Parintins foi nosso maior desafio”

Em entrevista ao O Imparcial, presidente do bloco tradicional Os Foliões, William Moraes, falou sobre o enredo do Carnaval deste ano e dificuldades enfrentadas

Foto: Reprodução

São Luís e Parintins estão em festa no carnaval 2018. Conhecidas pelas belezas e riquezas culturais, as duas ilhas estão também unidas pela alegria e pela folia, que pulsa num só movimento, e agora ainda mais fortemente ligadas pela música, pelo ritmo, pela paixão e pelo amor. Para celebrar esta união, o bloco tradicional Os Foliões, homenageia a terra do boi-bumbá.

Segundo o diretor de Os Foliões, Willian Moraes, o bloco homenageia os bois Caprichoso e Garantido, de Parintins, na Amazônia, cuja origem está diretamente ligada ao bumba meu boi do Maranhão. E esse intercâmbio cultural não ficará somente no período carnavalesco. Ao longo do ano, artistas de Parintins e Manaus virão a São Luís administrar cursos e oficinas, bem como o bloco irá se apresentar na terra do boi-bumbá. Os contatos estão feitos com ambas as agremiações e o governo do estado do Amazonas.

O Imparcial conversou com o diretor do bloco tradicional Os Foliões, William Moraes, sobre as dificuldades, o enredo e muito mais.

O Imparcial – O Como surgiu a ideia do tema?

William Moraes – O ano de 2017 marcou o retorno do desenhista e carnavalesco Dew Rodrigues ao Bloco Os Foliões, onde esteve entre os anos 2007 e 2012, levantando vários títulos e prêmios. No dia 1º de maio, aniversário de fundação do bloco mais premiado do Maranhão, foi apresentado o tema Sou Foliões, Sou Caprichoso Sou Garantido. Na Passarela, Vem Bumbar Comigo. O tema foi recebido com muita alegria e carinho pela diretoria e pelos componentes do bloco, que abraçaram a ideia e passaram a viver a magia da maior ópera a céu aberto do mundo: o festival folclórico da cidade de Parintins, no coração da Amazônia. O bloco foi dividido em equipes azuis e vermelhas, as cores dos bois. Os trabalhos foram iniciados em julho, com ensaios e montagens das indumentárias, que trazem a essência dos mistérios da maior floresta do mundo. A inspiração chegou a Dew Rodrigues na hora certa, pois, além de forte, o tema marca uma nova fase na carreira gloriosa de Os Foliões.

O Imparcial –O carnavalesco viajou até Parintins para conversar e pesquisar sobre os bois

William Moraes –Garantido e Caprichoso ou fez uma pesquisa somente pela internet?
Inicialmente, a pesquisa foi feita pela internet. Mas, através das redes sociais, a coordenação cultural do bloco foi conhecendo artistas (dançarinos, músicos, cantores, compositores, artesões, maquinadores, produtores), torcedores e dirigentes de ambos os bois-bumbás. Nota que o universo do Festival envolve todos os demais estados da região Norte. Tanto o Boi Caprichoso, quanto o Garantido, bem como jornalistas e radialistas do Amazonas, receberam com bastante satisfação a homenagem, o que ajudou demais na montagem dos trabalhos.

O Imparcial –Qual foi o maior desafio do bloco para tirar do papel e realizar o tema?

William Moraes –A grandiosidade do mundo de Parintins. Os bois possuem o mesmo auto e quase todos os personagens do bumba meu boi do Maranhão, uma vez que foram criados tendo o auto maranhense por fonte de inspiração. Mas foram incorporados outros elementos do imaginário e do modo de viver amazônico. Transportar a força da organização, do artesanato, da indumentária, da musicalidade, da paixão que envolve tudo isso… Além dos custos, que foram muito, muito elevados. As duas maiores dificuldades: adaptar a essência do universo do boi-bumbá e os recursos para a produção do espetáculo de passarela e de rua. Tudo muito grande, brilhante, mutável.

O Imparcial –Com quantos componentes o bloco vem para o carnaval 2018?

William Moraes –Para o espetáculo de passarela, mais de 180. Sem sombra de dúvida. Para os circuitos de rua, 120 foliões.

O Imparcial –Como foi driblar a questão da busca de recursos para colocar o bloco na avenida?

William Moraes –O bloco está pronto. Não foi fácil. Não somente pelos custos desse tema, mas pelos custos que o bloco tem o ano inteiro com o ponto de cultura e de leitura, o grupo teatral, Via-Sacra, rodas de leitura, espetáculo junino Folias Juninas, Raízes de Portugal, Reisado Folias de Natal, entre outros. As equipes internas arregaçaram as mangas e realizaram diversas ações e promoções para arrecadar recursos, bem como houve o apoio direto do governo do estado do Maranhão, Prefeitura de São Luís, Rede São Luís de Pontos de Cultura, Ceuma, UFMA e padrinhos.

O Imparcial –Após apresentação no carnaval, quais são os próximos planos do bloco?

William Moraes –Continuaremos com as atividades do ponto de cultura Bordados e Encantarias, Força e Tradição do Maranhão; com as atividades do pontinho de cultura Foliões Mirins e do ponto de leitura Histórias de Minha Terra. E com a encenação da Via Sacra de São Pantaleão, além das apresentações durante o São João 2018 e viagens a Parintins e Manaus e São Paulo. Estamos trabalhando ainda no projeto para apresentações nos festivais de Roma e Sardenha, na Itália. E ensaios do Reisado Folias de Natal. Vamos dar início também às ações para o carnaval 2019 e fazer o lançamento da Banda Foliões, projeto estimulado pela musicalidade amazonense. Faremos ainda apresentações em São Luís e cidades do interior maranhense, além do I Festival de Chopp, em comemoração aos 42 nos de fundação do bloco e a readequação da Casa de Cultura Mestre Walmir.

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