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Históricas lutas das mulheres por paridade no poder político

Raimundo Borges - Bastidores

No momento em que as atenções do país se voltam para o que vai sair de candidatos das convenções partidárias e dos eleitos em outubro no Executivo e Legislativo Federal e Estadual, poucos estão debatendo a questão de gênero na política. O tema sobre o histórico déficit de mulheres no poder não parece, para muitos himens ter a importância que de fato tem. Afinal, elas somam 53% do eleitorado brasileiro e ocupam menos de 20% das cadeiras no Congresso Nacional. Nos 26 estados e o Distrito Federal, as governadoras são apenas cinco – Mailza Assis (AC), Celina Leão (DF), Hana Ghassan (PA), Raquel Lyra (PE) e Fátima Bezerra (RN), mesmo assim, três são vices que assumiram na desincompatibilização dos titulares.

Dos 12 pré-candidatos presidenciais, só Samara Martins, da desconhecida Unidade Popular (UP) de extrema esquerda, está no páreo. Michelle Bolsonaro era cotada como provável substituta do marido Jair Bolsonaro (preso domiciliar), mas acabou “vetada” por ele, tentando protegê-la de ataques na guerra eleitoral, aos quais não estaria preparada, preferindo apontar o filho Flávio, 01, como representante do clã bolsonarista. Em matéria no UOL sobre gênero, o jornalista Tiago Mali, faz uma pergunta inquietante sobre as eleições de 2026: “O Brasil será capaz de superar esse abismo e caminhar rumo à paridade?”

O Maranhão até que está bem na fita na temática. Elegeu Roseana Sarney, em 1994, como a primeira governadora do Brasil e repetiu o efeito por mais duas e uma em que o TSE cassou o mandato de Jackson Lago (PDT), anulou seus votos e colocou a emedebista no Palácio dos Leões. No Judiciário, duas mulheres já o presidiram (Etelvina Gonçalves e Cleonice Freire) e hoje conta com 12 desembargadoras no plenário de 33 cadeiras. Já a Assembleia Legislativa, pela primeira vez em 188 anos elegeu 12 deputadas em 202, e em 2023, Iracema Vale foi a primeira mulher a comandar a Casa, sendo reeleita em 2025. A desigualdade de gênero faz parte da história do Brasil. O voto feminino só foi permitido em 1932, pontapé inicial da lula que atravessou o século 20 e se projetou na Constituição de 1988, que consagrou a igualdade formal entre homens e mulheres. No entanto, a tradução dessa igualdade em cargos políticos segue lenta. Em 2021, a senadora Eliziane Gama conseguiu aprovar no Senado a Frente Parlamentar contra o desarmamento e também colocar mulheres na Comissão Parlamentar Mista da Covid19. Lutas assim chegaram até a imposição de cotas de candidatas, como exigência na lei eleitoral para os partidos, incluindo também a divisão da verba bilionária do fundo eleitoral nas campanhas.

Recentemente, o blogueiro Paulo Figueiredo, neto do último general da ditadura João Batista Figueiredo, rebateu Michelle Bolsonaro, que pedia mais espaço para as mulheres no PL, com um bizarro vídeo dizendo que elas “votam muito mal, principalmente as solteiras”. Também dentro do Congresso grupos de parlamentares de direita se dividem sobre políticas para garantir paridade entre homens e mulheres nas eleições. A maioria das mulheres direitistas é favorável. A maioria dos homens direitistas, é contra, assim como eles são em relação as cotas de gênero. As mulheres de esquerda são 100% a favor da política de paridade; as de centro, 94%; e os homens de esquerda, 89%.

Por coincidência, a mesma Roseana Sarney que em 1998 fez história como primeira mulher a governar um estado pelo voto democrático, agora estaria encerrando a carreira política, desistindo de concorrer à reeleição na Câmara dos Deputados e ao Senado, onde o seu nome aparece bem cotada nas pesquisas. Ela passou, em fevereiro, por mais uma cirurgia, desta vez de câncer de mama. Agora, deve desistir das urnas para cuidar os pais, apoiar a eleição do suplente Hildo Rocha (MDB) à Câmara Federal e permanecer fazendo política na família, abraçando candidatura da sobrinha Maria Fernanda Sarney, na busca de uma cadeira na Assembleia Legislativa do Maranhão. É a política correndo na veia dos Sarney.

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Raimundo Borges
Raimundo Borges Colunista