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Diferenças e conformidades nas eleições do Maranhão

Raimundo Borges - Bastidores

A eleição de governador do Maranhão nesta jornada de 2026 traz a nítida marca da diferença das anteriores. Em 2022, os três candidatos que pontuaram na dianteira das pesquisas e nas urnas estão fora do páreo em outubro. Carlos Brandão que ganhou no primeiro turno está à frente do governo até 1º de janeiro. Flávio Dino que foi eleito senador, está envergando a toga de ministro do Supremo Tribunal Federal e fora da política; Lahesio Bonfim, que ficou em 2º lugar na votação, busca uma chapa para concorrer ao Senado; Weverton Rocha, o 3ª nas urnas daquele pleito, agora é candidato à reeleição no Senado.

A definição dos vices nas principais chapas concorrentes este ano é outro fato diferenciador. Eduardo Braide (PSD) escolheu a empresária Elaine Carneiro, também do PSD; Orleans Brandão (MDB) está praticamente definido com o ex-prefeito de São Luís, Edivaldo Holanda Júnior, que passou oito anos no Palácio La Ravardière antes de Braide chegar. Significa que a eleição de governador vai ser decidida, em grande parte, pelo peso dos 678 mil eleitores da capital, de um total de 5,1 milhões do Maranhão. Ao convocar Edivaldo para sua companha, Orleans busca ampliar espaço no reduto braidista, consolidado pelos seis anos à frente da prefeitura, onde chegou em 2024 com 71% dos votos.

No restante da lista dos pré-candidatos, o PT de Felipe Camarão só definiu a senadora Eliziane Gama como candidata à reeleição; e o representante do Psol, Eniltn Rodrigues indicou Pedra Celestina a vice, pela mesma legenda. Portanto as eleições ao Palácio dos Leões 2026 trazem como novidade contar com dois ex-prefeitos com passagem pelo Palácio La Ravardière – Edivaldo Júnior (Republicanos) como vice de Orleans, numa coligação de onze partidos. Já Eduardo Braide definiu para o Senado, o deputado federal Duarte Júnior, que o derrotou no 2º turno em 2020 e no 1º em 2024 em São Luís.

Outro destaque é a ausência na eleição majoritária de sobrenomes que marcaram a história da política do Maranhão em mais de meio século. Nenhum Sarney; nenhum Castelo (de João Castelo); nenhum Lago (de Jackson Lago); e nenhum Dino (de Flávio Dino). Roseana Sarney foi governadora eleita quatro vezes, com a cassação de Jackson Lago; Castelo foi eleito o último governador biônico da ditadura de 1964 e prefeito de São Luís; e Jackson eleito prefeito três vezes na capital e governador em 2006. Outro dado curioso é a faixa etária dos candidatos ao governo: Orleans, 31; Braide, 50 anos; Camarão, 45 e Eniltn, 42.

Pelo fator etário, portanto, a chamada Geração Z, que engloba as pessoas nascidas entre meados da década de 90 e 2010, não tem do que reclamar. Será um pleito majoritário totalmente sem idoso – muito conformizado com os nativos digitais, hiperconectados, que valorizam a autenticidade e priorizam o bem-estar, a diversidade e o propósito no trabalho. Logo, as eleições deste ano são potencializadas nas redes sociais, e o desprezo pontual aos antigos palanques eleitorais, com shows na praça, carro de som e papelada escrita e de foto, passando de mão em mão entre os eleitores.

As eleições de 2014 foram marcadas pela ruptura do sistema sarneísta pelo “comunista” Flávio Dino; em 2018, foi a continuidade do dinismo até 2022, quando Carlos Brandão chegou ao Palácio dos Leões com uma filosofia de governo centrada no municipalismo. Deu sequência às principais linhas de governança do dinismo, mas de 2024 ocorreu a ruptura do bloco política e Brandão carimbou a gestão com sua marca. Com os dois lados rompidos, hoje ninguém arrisca apostar no que vai dar no dia 4 de outubro. Porém, pela 1ª vez, dois ex-prefeitos da capital disputam o pleito majoritário, nenhum Sarney nele e brandonismo pedindo passagem com um projeto que leva ao confronto dois primos de sobrenome Braide – Orleans e Eduardo.

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Raimundo Borges
Raimundo Borges Colunista