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A incrível trajetória turbulenta entre PT e MDB no Maranhão

Raimundo Borges - Bastidores

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pode ter dois palanques no Maranhão na tentativa de conquistar o 4º mandato no Palácio do Planalto. O fato inusitado tem um histórico de convivência entre PT e MDB no mais autêntico estilo tapas beijos. O primeiro palanque é o do petista Felipe Camarão, vice-governador, e o segundo, o do ex-secretário de Assuntos Municipalistas Orleans Brandão (MDB). Os dois candidatos ao Palácio dos Leões são frutos do racha no antigo grupo que Flávio Dino liderou entre 2014 e 2022 e hoje com Carlos Brandão agindo de um lado e Camarão, de outro. Por incrível que pareça, ele lidera a oposição estadual pelo partido que tem maioria esmagadora dentro do governo brandonista.

Desde sua primeira eleição vitoriosa em 2002, a relação política de Lula com o Maranhão tem sido carregada de turbulências, desavenças ideológicas e camaradagens. Naquele ano, Roseana Sarney renunciou o governo para disputar a presidência da República e deixou o vice José Reinaldo no cargo. Acabou atropelada pelo caso Lunus em que a Policia Federal realizou barulhenta operação na empresa do marido de Roseana e ela desistiu da corrida ao Planalto. O presidente era FHC e seu candidato José Serra, com o qual Roseana aparecia emparelhada nas pesquisas. A operação da PF teria sido ordenada no Planalto.

Os líderes do PFL de Roseana acabaram apoiando José Serra, e o clã Sarney, o petista Lula da Silva que, após ser eleito colocou a senadora maranhense como uma das principais líderes de seu governo no Senado Federal. Em 2006, a executiva estadual do PT decidiu optar por Jackson Lago (PDT) no segundo turno, concorrente de Roseana Sarney, e Lula declara apoio à pefelista, gesto que o PT considerou um “constrangimento”, por ser o principal adversário dos Sarney. Mas Jackson derrotou Roseana, apoiado pelo governador José Reinaldo, rompido com Sarney. Jackson é cassado em 2009 no TSE e Roseana cumpre o 3º mandato.

Naquela eleição, Lula declarou apoio a “companheira” Roseana em “pagamento” ao que José Sarney fez pelo seu governo como presidente do Congresso Nacional. Em 2010, Dilma Rousseff e Roseana Sarney foram aliadas na campanha de reeleição de ambas, com Lula no exercício do mandato. No Maranhão, Roseana vinculou sua campanha à imagem de Dilma, formando uma aliança de palanque onde o nome da petista era massivamente promovido. Em 2014, o PCdoB de Flávio Dino derrotou o sarneísmo e apoiou o segundo turno da reeleição de Dilma Rousseff (PT), contrariando o 1º turno, quando os pecebistas estavam no palanque de Aécio Neves (PSDB), então partido do vice-governador Carlos Brandão.

Na eleição de 2018, o PT de Fernando Haddad e o PCdoB de Flávio Dino marcharam juntos no Maranhão na coligação “Todos pelo Maranhão”, que garantiu a reeleição do governador no primeiro turno e ocorreu a derrota do petista para Jair Bolsonaro que manteve um governo de ruptura e chacotas conta o “comunista” maranhense. Em 2022, Dino, candidato ao Senado e Brandão ao governo, ambos no PSB, venceram totalmente alinhados ao PT no primeiro turno. Mas a aliança de centro-esquerda no Maranhão só resistiu até 2023, embora Brandão e Lula mantenham diálogo meio atravessado até esta fase da pré-campanha.

Em 2026, a história entre o PT de Lula e Felipe Camarão com o MDB dos Sarney e dos Brandão será contada com outro enredo, formatado na antiga da política e atualizado nas regras atuais, bem distantes daquelas de 24 anos atrás. Dino virou ministro do STF; Lula quer conquistar o histórico quarto mandato; Jackson Lago morreu em 2011; Sarney está com 96 e vivenciando a política; Roseana pensando no Senado; o PCdoB voltando às origens com Márcio Jerry; o PSB na oposição ao governo dos Brandão; e o PT novamente dividido, chegando à campanha com o candidato próprio Felipe Camarão e a maioria batendo ponto no governo Brandão que luta para eleger Orleans, presidente regional do MDB.

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Raimundo Borges
Raimundo Borges Colunista