Urina Preta

Grande prejuízo no mercado de pescados

A doença é causada por uma toxina que pode ser encontrada em determinados peixes como o tambaqui, o badejo e a arabaiana ou crustáceos (lagosta, lagostim, camarão).

Foto: reprodução

As informações de ocorrências de pessoas acometidas pela síndrome de Haff (Doença da Urina Preta) em estados na Região Norte, notadamente no Pará, está causando pânico na população de São Luís, que está se abstendo de consumir pescados tanto da água salgada quanto da água doce, causando grandes prejuízos aos empresários e revendedores que trabalham nas feiras e mercados da cidade, apesar de não haver nenhum registro da doença em terras maranhenses.

“Entende-se o medo do consumidor, porém, é descabido, pois esta doença não foi registrada em São Luís e em nenhum município do Maranhão. Nosso pescado é oriundo da costa maranhense e ou dos inúmeros açudes existente na Baixada, sendo peixes de qualidade, que nenhum mal causa a quem o consome”, garante o empresário Mivaldo de Jesus, comerciante do ramo no entreposto de pescados do Desterro.

Ele disse que não há motivos para ter medo, pois não tem registro de vítimas no estado e descarta que peixes de água doce são importados do Pará. O Maranhão é autosuficiente em peixes desta espécie, produzidos em largada escala nos municípios da Baixada Maranhense, notadamente em Matinha. Os empresários paraenses é que estão importando o produto do Maranhão.

O empresário Rony Pereira, também comerciante no Entreposto de Pescados do Desterro, descarta a possibilidade do pescado comercializado no Maranhão, venha a causar danos á saúde do consumidor, visto os pescados da costa maranhense, desde o momento da sua captura, são acondicionados em refrigeração, de forma a manter sua qualidade absoluta de peixe fresco. Também o peixe da àgua doce, quase em sua totalidade, é produzido em cativeiro sendo alimentado com ração de qualidade, o que lhe dá total garantia. “Não tem porque temer”, garantiu Rony.

Oferta reduzida

Assim está acontecendo no Mercado Central. O revendedor Antonio Pereira afirmou que se obrigou a reduzir a oferta de pescados do mar e de água doce, em 50%, tendo em vista que igual percentual de clientes, diminuiu. “Todos estão temendo uma doença que sequer teve algum registro na capital ou no interior. Nosso peixe vem da costa e é peixe de qualidade, assim com os peixes de água doce, que vem de criatórios, onde recebem tratamento adequado e não tem como causar qualquer doença”, garante.

No Mercado da Liberdade a situação é bem mais complicada. Ali, os revendedores já reduziram seus estoques em 50% e estão vendendo menos de 20%. 

O revendedor Adeilton Lima, mais conhecido como “Dedé”, disse que os prejuízos estão se acumulando, visto que as vendas continuam em queda livre, havendo a necessidade das autoridades sanitárias se manifestarem para desfazer este mal entendido, visto que não se tem conhecimento de qualquer caso desta doença ocorrido no Maranhão. 

“O pescado aqui comercializado é de boa qualidade, vindo da costa, assim como o peixe de água doce, que em torno de 98%, é produzido em cativeiro”, afirmou Dedé.´

Ao final da tarde da última sexta-feira, a Secretaria de Estado da Saúde se manifestou através de nota.

A Secretaria de Estado da Saúde (SES) informa que, até o momento, não há casos confirmados da doença no estado do Maranhão.

Relembra, também, a nota emitida pelo Comitê Estadual de Sanidade dos Animais Aquáticos, a Câmara Setorial de Aquicultura, no dia 13 de setembro, conforme texto abaixo:

O Comitê Estadual de Sanidade dos Animais Aquáticos, a Câmara Setorial de Aquicultura, a Secretaria de Agricultura, Pecuária e Pesca do Maranhão (SAGRIMA), a Agência Estadual de Defesa Agropecuária do Maranhão (AGED), a Agência de Pesquisa Agropecuária e de Extensão Rural (AGERP), a Associação dos Engenheiros de Pesca do Maranhão (AEP) e os pesquisadores e professores da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA) atentos aos últimos noticiários que envolvem o consumo de pescados vêm a público esclarecer sobre os casos da Síndrome de Haff, também conhecida como Doença da Urina Preta, ocorridos recentemente:

Até o presente momento, não foram registrados casos da doença no Estado do Maranhão. Ainda não se sabe ao certo como a contaminação ocorre. Existem muitas informações sendo disseminadas por meio digital, que relacionam a doença ao consumo de pescados, o que prejudica o setor como um todo.

Não há registro oficial de contaminação de pessoas que tenham consumido pescados provenientes de criatórios (cultivos).

O pescado proveniente de empreendimentos aquícolas e pesqueiros que promovam as boas práticas de manejo e de manipulação do pescado, tanto na produção quanto na comercialização e que atuem com medidas de biossegurança, diminuem as chances de se tornarem veículos de agentes contaminantes que causem prejuízos à saúde humana.

Estamos acompanhando a evolução de todos os casos, em que se registre a contaminação, na tentativa de desenvolver ações com maior eficiência em prol da segurança alimentar da população e da cadeia produtiva do pescado.

Os casos registrados acenderam o debate sobre quais espécies de peixes poderiam transmitir a doença. Portanto, não há nenhuma publicação cientifica ou relato da comunidade médica que associe a Síndrome de Haff ao consumo de peixes de criatório.

Ademais, o pescado continua sendo a proteína animal mais saudável e mais consumida em todo o mundo. As entidades que trabalham envolvidas com a cadeia do pescado pedem que a população evite a disseminação de informações falsas.

O que é a Doença de Haff

A doença é causada por uma toxina que pode ser encontrada em determinados peixes como o tambaqui, o badejo e a arabaiana ou crustáceos (lagosta, lagostim, camarão).

Quando o peixe não foi guardado e acondicionado de maneira adequada, ele cria uma toxina sem cheiro e sem sabor. Ao ingerir o produto, mesmo cozido, a toxina provoca a destruição das fibras musculares esqueléticas e libera elementos de dentro dessas fibras no sangue, ocasionando danos no sistema muscular e em órgãos como os rins.

Sintomas

Ocorre extrema rigidez muscular de forma repentina, dores musculares, dor torácica, dificuldade para respirar, dormência, perda de força em todo o corpo e urina cor de café, pois o rim tenta limpar as impurezas, o que causa uma lesão na musculatura. A doença causa muitas dores musculares, lembrando a dengue, porém sem febre.

Os sintomas costumam aparecer entre 2 e 24 horas após o consumo dos peixes ou crustáceos.

Tratamento

A hidratação é fundamental nas horas seguintes ao aparecimento dos sintomas, uma vez que assim é possível diminuir a concentração da toxina no sangue, o que favorece sua eliminação através da urina. Nos casos graves, pode ser necessário fazer hemodiálise.

Prevenção

Não consumir pescados ou crustáceos cuja origem, transporte ou armazenamento sejam desconhecidos. O ideal é comprar esses produtos em locais com garantia de segurança.

Recomendação

Ao sentir dores musculares e apresentar urina escura após o consumo de peixes ou crustáceos, deve-se procurar imediatamente uma unidade de saúde.

Importante: Somente médicos e cirurgiões-dentistas devidamente habilitados podem diagnosticar doenças, indicar tratamentos e receitar remédios. As informações disponíveis em Dicas em Saúde possuem apenas caráter educativo.

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