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2.177 raios caíram na Ilha em 2 meses

Somente entre 00h do dia 14 e 10h do dia 15 de março, 620 raios tocaram o solo da Grande Ilha, segundo o Laboratório de Meteorologia da UEMA.

Reprodução

Nos últimos dias a população de São Luís vivenciou um tempo de raios e trovoadas, embora com chuvas não tão intensas. O período chuvoso traz uma maior incidência de raios. De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o território maranhense costuma registrar uma média de 52 raios por km² ao longo do ano, enquanto São Luís registra em torno de 15 raios por km².

De janeiro deste ano até o dia 17 de março, caíram no solo de São Luís, 2.177 raios: 263 raios em janeiro, 1.043 em fevereiro e até o dia 17 de março, 871 raios. Sendo que somente entre a 00h do dia 14 e 10h do dia 15 de março,  620 raios tocaram o solo da Grande Ilha, segundo o Laboratório de Meteorologia da UEMA. A chuva torrencial que caiu naquele dia na Grande Ilha foi a maior precipitação pluviométrica em São Luís até então, com 139,4mm, segundo Gunter Reschke, do Núcleo GeoAmbiental da Universidade Estadual do Maranhão.

Segundo Gunter, a estação de monitoramento de raios em São Luís foi montada no ano passado com os sensores sendo instalados em julho, mas somente neste período chuvoso começou a ser medida essa climatologia.

Raios são descargas elétricas de grande intensidade que conectam o solo e as nuvens de tempestade na atmosfera. A intensidade típica de um raio é de 30 mil Ampères, cerca de mil vezes a intensidade de um chuveiro elétrico. A descarga percorre distâncias da ordem de 5 km.

O Brasil é o líder em incidência de raios no mundo, com cerca de 77,8 milhões de descargas para o solo a cada ano. Quanto ao número de mortes provocadas pelo fenômeno, o país ocupa a sétima posição mundial: neste século já foram registrados 2.194 casos; uma média de 110 casos por ano no período. O levantamento foi elaborado pela equipe técnica do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), unidade do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI).

No período de 2000 a 2019 ocorreram 107 mortes decorrentes de raio no Maranhão. O estado figura entre os 10 do Brasil com maior incidência de raios, de acordo com o levantamento do INPE.

Ainda de acordo com o levantamento, a probabilidade de uma pessoa morrer atingida por um raio no Brasil ao longo de sua vida é de um em 25.000. Embora pareça pequena, a chance é maior do que aquela de ser mordido por um cachorro (um em 100.000). Essa probabilidade aumenta em até 2,5 vezes se você estiver desprotegido em uma área descampada durante uma tempestade típica, que produz cerca de três raios por minuto – neste caso, em apenas 30 minutos, a probabilidade de morrer atingido por um raio é em torno de um em 10.000, similar à de sofrer um acidente aéreo. Para pessoas que estejam em áreas descampadas durante uma tempestade mais forte, que produz cerca de 30 raios por minuto, a probabilidade de morrer atingido por um raio é de um em 1.000, ou seja, 25 vezes maior.

Segundo a doutora e clínica médica, Aparecida Quintanilha, quando um raio atinge uma pessoa ele passa por todo o corpo. A descarga elétrica se espalha e a energia esquenta o ar ao redor a mais de 27 mil Cº e pode levar a queimaduras de até terceiro grau nos pontos de entrada e saída do raio. Mas a maioria das vezes causa queimaduras de segundo grau, semelhante à escaldadura por vapor de água.

Aparecida Quintanilha alerta sobre os riscos quando a pessoa tem contato com alguma descarga elétrica e consegue sobreviver.  “O raio pode passar pela cabeça, ombros, descer pela coluna, pele e chegar ao coração. Ao atingir o coração pode ter ação de um desfibrilador perturbando o ritmo cardíaco e levando a uma parada cardíaca, podendo até queimar os vasos sanguíneos e danificar o músculo cardíaco”.

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