DRAMA SOCIAL

Governo está preocupado com fluxo migratório de venezuelanos na ilha

Refugiados da Venezuela estão recebendo apoio de secretarias do estado e da prefeitura de São Luís que estão oferecendo, abrigo, alimentos, além de atendimento de saúde.

Reprodução

Crianças e adolescentes da Venezuela que migraram para São Luís estão fora escola e muitos estão expostos a doenças, fome e ao trabalho infantil. Divididos em grupos, os venezuelanos acompanhados de seus filhos estão fazendo pedágio em sinais de trânsito ou pedindo esmola em paradas de ônibus no Centro ou em rotatórias da cidade. O Imparcial apurou que os imigrantes são das cidades de Pacaraima, Tucupita e de Caracas na Venezuela. Entre os maiores obstáculos enfrentados pelos venezuelanos estão: a adaptação  ao idioma, dificuldade em encontrar emprego, xenofobia e vulnerabilidade social. Os venezuelanos vieram para o Brasil fugidos da crise econômica em seu país.

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Sentada em um papelão com um bebê no colo em uma das paradas de ônibus improvisadas na Rua Rio Branco, a venezuelana identificada apenas como Maria tentava despertar a solidariedade das pessoas para que lhe ajudassem com dinheiro para comprar comida, roupas e remédios.

A mulher e o seu filho de menos de seis meses vieram com outros venezuelanos fugidos da crise política na Venezuela. Todos  estão no Brasil a pouco mais um ano e meio. Ao tentar mais saber sobre a situação, Maria preferiu o silêncio. Avessa a reportagem ela disse quase monossilabicamente que veio para São Luís porque estava passando fome e não tinha emprego.  “Quero uma casa e um trabalho. Preciso de ajuda para comprar alimentos”, disse ela afastando-se sem querer falar mais.

Do outro lado da cidade quem tentava a sorte era o venezuelano identificado como Arílio. Ele e o seu filho de 14 anos abordavam os motoristas em busca de trocados no sinal na Av. Colares Moreira, próximo ao Tropical Shopping. Há dois dias na cidade, ele disse que está abrigado com seus cinco filhos em uma casa, mas não soube informar o bairro. Com dificuldade em se comunicar e desconfiado ele também não deu muitos detalhes a O Imparcial sobre como chegaram na ilha. “Estamos nos aventurando. Ganho R$ 15 por dia. Dá somente para comprar comida. Mais tarde vou para o terminal”, disse ele sem especificar qual seria afastando-se para não ser fotografado.   

O venezuealano Arílio e o seu filho de 14 anos pedem dinheiro aos motorista na Av. Colares Moreira

Até o momento um grupo de trabalho humanitário formado pelo governo do estado secretarias de Estado dos Direitos Humanos e Participação Popular (Sedihpop) e Secretaria de Estado do Desenvolvimento Social (Sedes) e pela Secretaria Municipal da Criança e Assistência Social, órgão ligado à Prefeitura de São Luís tomou medidas emergenciais no sentido de assegurar moradia, alimentação, assistência social, assistência em saúde e educação, visto que o grupo formado pelos trinta venezuelanos refugiados em São Luís conta com 16 crianças e uma gestante.

Grupo humanitário já entrou em contato com o Governo Federal

A Sedihpop informou que os venezuelanos de etnia indígena Warao chegaram ao Brasil pela fronteira Norte, cruzaram o estado do Amazonas e do Pará, chegando a São Luís, no último dia 29, em busca de trabalho temporário, diante da crise econômica e política instaurada em seu país de origem. Esclareceu também que articulações para a regularização da documentação dos estrangeiros já estão em andamento e o grupo de trabalho está em contato com o Governo Federal, visto que a política de migração é competência da União. E que há uma preocupação com o fluxo desses refugiados na capital maranhense.

Refugiados estão recebendo café, almoço e jantar

Segundo Francisco Gonçalves, titular da Sedihpop, informou que chegaram na cidade inicialmente um grupo de 30 venezuelanos e depois mais 14 refugiados que são do mesmo grupo étnico. O secretário disse também que o estado está seguindo o protocolo internacional para atendimentos a refugiados. “Considera-se refugiados pessoas que migram de seus países por razões econômicas ou políticas. No caso deles, a migração se dá por conta das duas razões. Inicialmente eles estavam localizados na periferia de Caracas depois foram para Manaus em 2016 e em 2017 estiveram em Belém e eles fizeram um longo percurso até chegar em São Luís. A primeira ação de atendimento foi assegurar o abrigo em uma casa no bairro da Cohab. Além do abrigo junto com o apoio das secretárias do estado e da prefeitura estamos oferecendo alimentação com direito a café da manhã, almoço e jantar. Além de material de higiene, redes e colchões. Outra questão que estamos assegurando é o acesso à saúde. Hoje a força estadual de saúde esteve vacinando todos eles”, ressaltou Francisco Gonçalves.

O secretário revelou à O Imparcial que o problema que a força tarefa está enfrentando é que não justifica o fato dos venezuelanos estarem recebendo apoio e irem para as ruas da cidade pedir dinheiro com crianças nas rotatórias. “Estamos acionando o conselho tutelar. Existe uma legislação no Brasil tem regras. E eles precisam respeitar essa legislação nacional, até porque as razões principais de abrigo, direito a saúde e alimentação estão assegurados. Mas tudo que se refere a migração é uma política federal e não estadual. Porque a autoridade de fronteira é a Polícia Federal, ai  nesse caso uma das coisas que estamos pleiteando com eles é a questão da documentação e as equipes da Sedihpop, Sedes e Semcas estão conversando com eles sobre essa questão das crianças, até porque a legislação brasileira é clara”, acrescentou que vai comunicar a imprensa quando os venezuelanos forem  transferidos para um abrigo definitivo.    

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