SÃO LUÍS 406 ANOS

Participação popular pode reduzir desigualdade em São Luís, dizem cientistas sociais

São Luís tem um “Coeficiente de Gini” alto, com 0,6200. O índice é usado para medir o nível de desigualdade de renda da população, e varia de 0 a 1. Quanto mais próximo de um, mais desigual é o rendimento da população

Diariamente, a Baía de São Marcos presenteia os visitantes com imagens paradisíacas da natureza. Mas basta praticar um olhar mais atento, que as palafitas saltarão os olhos. As construções irregulares, feitas de madeira,  avançam por cima do mar. Em uma luta incansável com as fortes ondas, elas revelam a intensa desigualdade social da capital.

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São Luís detém um “Coeficiente de Gini” bastante alto. O índice é usado para medir o nível de desigualdade de renda da população, e varia de 0 a 1. Quanto mais próximo de um, mais desigual é o rendimento da população. Entre os anos de 1991 e 2010, a capital maranhense sempre teve resultados acima de 0,6200. No Índice de Desenvolvimento Humano dos Municípios, a capital fica abaixo de cidades como Paulínia, Palmas e Rio de Janeiro, com o índice de 0,755, mesmo sendo considerado alto.

Para o cientista social Arthur Bogéa, para mudar essa realidade é necessário ampliar esse conceito de desigualdade
social. “Desigualdade Social não pode ser vista apenas como econômica. Existem uma série de elementos que são fatores que desencadeiam o problema”, analisa. Artur afirma que o melhor termo seria “Desigualdades Sociais”. “Não é só econômica. Existe a desigualdade de gênero, racial, étnica, regional”, explica.

Arthur aponta que em São Luís existe uma desigualdade regional muito grande. “Neste caso, é necessário um grande
trabalho de mapeamento das desigualdades e investir em políticas públicas”, argumenta. Segundo ele, o primeiro
passo seria um investimento público de qualidade. “Não adianta propor projetos de políticas públicas se não acompanhar, fiscalizar”, crítica.

O professor Alex Barros, cientista social especialista em Antropologia e Ciência Política, acredita que a participação
da esfera pública é importante. Barros entende que a melhor saída seria investir em uma infraestrutura eficiente. “As esferas municipal e estadual devem investir mais na melhoria da infraestrutura dos bairros. Construir escolas, raças, espaços públicos em que moradores e visitantes possam se sentir bem ao frequentar. Bem como, campanhas de valorização dos bairros buscando valorizar das pessoas”, propõe.

Arthur Bogéa ressalta que antes de pôr projetos em prática, a população deve ser ouvida. “É uma ação conjunta, entre o governo e a sociedade, para saber quais são as reais necessidades das populações”, pontua. Para ele, quando isso acontece a população se sente parte desse processo de mudança. “Essa população não ficará como um corpo estranho, só recebendo aquilo que o governo está mandando. Com isso, ela sentirá no direito de cobrar e fiscalizar”, analisa.

Para Alex Barros, essa participação popular é imprescindível na redução da Desigualdade Social. “A sociedade pode ajudar na solução deste problema, através de uma participação da sociedade organizada, com projetos que visem combater essas mazelas sociais”, clama. O cientista social ressalta que ONGs já realizam esse trabalho, mas não são valorizadas. “Precisamos dar um maior destaque a elas, bem como valorizar estas atividades”, constata.

Arthur propõe para uma maior participação popular, a saída seria o fomento das associações de bairro. “Devemos fortalecer as associações de bairro. Mais ainda, colocar representantes sociais dentro do governo, de forma que ele opine sobre as necessidades daquele grupo”, analisa.

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