SÃO LUÍS

Ocupação da antiga Oleama abre debate sobre uso de prédios no Centro Histórico

Moradores da área do Desterro e adjacências reformam por conta própria o prédio desde o dia 17 de agosto. Governo diz que há um projeto para construção de secretaria no local

Foto: Joedson Silva

Quem transita pela região do Desterro, no Centro Histórico de São Luís, e já estava acostumado a ver o prédio da antiga fábrica Oleama interditado com tijolos ou ocupado por pessoas em situação de rua e usuários de drogas, hoje se depara com outro cenário: o de grafitagens feitas na fachada e da movimentação de moradores do bairro carregando baldes de tinta, materiais de construção e instrumentos musicais. Visando atribuir uso social à estrutura, ocupantes que cresceram assistindo o abandono de um espaço cheio de potencial ao longo de mais de 40 anos iniciaram o processo de limpeza do prédio há aproximadamente um mês, e agora trabalham na reforma dos ambientes para dar início a atividades culturais, além do estabelecimento de uma creche comunitária.

Última intervenção da Prefeitura de São Luís registrada na área foi em 2015. Foto: Agência São Luís

Apesar de o prédio pertencer ao Estado e da existência de um projeto de reforma para transformá-lo na Secretaria de Estado da Economia Solidária (Setres), o local seguia fechado. A Prefeitura de São Luís realizou em 2015 a interdição da estrutura e abordagem social para remover as pessoas em situação de rua que ali estavam. “O prédio era ocioso, ficava com drogados, pessoas que assaltavam ônibus, moradores de outros bairros vinham”, comenta Jully Jamila, moradora do Desterro e vice-presidente do Pacto Pela Paz de São Luís na região.

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A ocupação surgiu da iniciativa do Grupo de Capoeira Caras de Onça. Posteriormente, outras entidades como o Conselho Cultural Comunitário do Centro Histórico e a União de Moradores do bairro passaram a integrar o movimento. A ideia é realizar oficinas de grafitagem, rodas de Capoeira e Tambor de Crioula, além de outras atividades artísticas, sobretudo com as crianças da área – e tudo, dizem os membros da ocupação, sem a participação de política partidária. “Precisamos sim de captação de recursos, mas agora não queremos nada de partidos, partido isso, aquilo. Ninguém nunca apoiou”, aponta Jene Ribeiro, do Conselho Cultural.

Veja como o prédio está ficando no IGTV de O Imparcial

Foto: Joedson Silva

Por meio de nota, a Secretaria de Estado da Cultura e Turismo (Sectur) informou que “mantém diálogo com os ocupantes do imóvel, de modo que a situação seja solucionada em conjunto”, que o projeto para que o prédio se torne sede da Setres foi provado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e Departamento Histórico, Artístico e Paisagístico (DPHAP) da Sectur, e deve ser executado pela Secretaria de Estado da Infraestrutura (Sinfra).

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