CENSO IBGE

Diminui a quantidade de estabelecimentos agropecuários no Maranhão, aponta Censo

Dados mostram que houve uma diminuição de 23% na quantidade de estabelecimentos agropecuários, passando de 287.039 no ano de 2006 para 219.765 em 2017. Também houve uma redução da área agrícola no estado

Funcionários no IBGE em estabelecimento rural no município de Presidente Dutra

Houve uma diminuição na quantidade de estabelecimentos agropecuários no Maranhão. É o que apontam os dados preliminares do Censo Agropecuário, divulgado nessa quinta-feira, 26, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Essa diminuição também foi observada no Brasil, contudo, em nível nacional, houve aumento da área agrícola, o que não foi verificado no estado do Maranhão.

De acordo com os dados do Censo Agropecuário, houve uma diminuição de 23% na quantidade de estabelecimentos agropecuários no Maranhão, passando de 287.039 no ano de 2006, quando foi realizado o último censo, para 219.765 estabelecimentos.

Essa diminuição é um fenômeno que já vinha sendo observado em anos anteriores conforme mostram as estatísticas divulgadas pelos últimos censos. Em 1985, por exemplo, foram contabilizados no Maranhão 531.413 estabelecimentos. No censo seguinte, nos anos de 1995 e 1996, foram registrados 368 191 estabelecimentos. Já em 2006 esse quantitativo diminuiu ainda mais, sendo registrados 287.039 estabelecimentos agropecuários no estado.

No que diz respeito à área, os dados do censo mostram que a área total de todos os estabelecimentos somava 13.033.568 hectares no ano de 2006. Observou-se uma redução em 2017, quando foi contabilizada uma área de 12.233.613 hectares.

Os dados deste Censo Agropecuário também trazem informações preliminares sobre a utilização das terras nos estabelecimentos. Conforme mostram os dados, foram contabilizados 109.820 hectares de lavouras permanentes; 1.250.326 de lavouras temporárias; de 1.057.114 de pastagens naturais; 4.645.134 de pastagens plantadas; 4.348.858 de matas naturais; e 252.044 de matas plantadas.

O acesso internet dentro dos estabelecimentos agropecuários é outro dado interessante presente no censo. De acordo com as informações preliminares, 27.069 possuem acesso à rede mundial de computadores enquanto que em 192.685 não há esse acesso. Ainda sobre aqueles que dispõem de acesso à internet, em 5.819 o acesso é por banda larga; em 480 é discada por linha; e em 22.405 a internet é móvel.

Sobre o efeito de animais, os dados deste último censo contabilizaram 5.412.019 bovinos; 57.305 bubalinos; 250.931 caprinos; 193.141 ovinos; e 622.622 suínos. Na produção animal, o destaque é para a produção de leite de vaca (165.704.000 litros); leite de cabra ( 116 mil litros); e ovos de galinha ( 11.053.000 dúzias).

Brasil – O Censo Agro 2017 identificou, até o momento, 5.072.152 estabelecimentos agropecuários no Brasil, em uma área total de 350.253.329 hectares. Em relação ao Censo Agro 2006, essa área cresceu 5% (16,5 milhões de hectares, o equivalente a área do estado do Acre) apesar da redução de 2% (103.484 unidades) no número de estabelecimentos. No entanto, quando se excluem os produtores sem área, há aumento de 74.864 estabelecimentos. Ressalta-se, ainda, que diferenças metodológicas contribuíram para que total de produtores sem área caísse de 255.019, em 2006, para 76.671 em 2017.

Entre 2006 e 2017, a área total ocupada por estabelecimentos agropecuários cresceu 5,0% (16.573.292 hectares, o equivalente ao estado do Acre, aproximadamente), apesar da redução de 2% (103.484) no número de estabelecimentos. Quando se excluem os produtores sem área (apicultores, extrativistas, criadores de animais em beira de estradas), porém, há um aumento de 74.864 estabelecimentos no período. Diferenças metodológicas contribuíram para que total de produtores sem área caísse de 255.019, em 2006, para 76.671 em 2017.

Apenas o Nordeste teve queda tanto no número (menos 131.565) quanto na área (menos 9.901.808 ha – aproximadamente, o estado de Pernambuco) dos estabelecimentos agropecuários. Já na região Sul, mesmo com a queda no número de estabelecimentos (menos 152.971), houve aumento na área (mais 1.082.517 ha).

Entre 2006 e 2017, a participação na área total dos estabelecimentos iguais ou maiores de 1.000 ha aumentou de 45,0% para 47,5%. Com um aumento de 3.287 estabelecimentos e de 16,3 milhões de hectares, a área média do grupo elevou-se de 3.155,7 para 3.272,4 ha.

Já os estabelecimentos de 100 a menos de 1.000 ha perderam participação na área total, passando de 33,8% para 32,0%. Houve, entre esses estabelecimentos, uma redução de 4.152 unidades e de 814.574 ha, com a área média variando de 266,0 ha para 266,7 ha.

Já nos estratos intermediários (menos de 100 ha), a participação se manteve praticamente estável, variando de 21,2% para 20,5%, com um acréscimo de 74.942 estabelecimentos e com a área média mantendo-se em 15,8 ha.

Quanto à condição legal da terra, a proporção de estabelecimentos em terras próprias cresceu de 76,2% para 82%, mas a participação destes estabelecimentos na área total diminuiu de 90,5% para 85,4%. Já a proporção de estabelecimentos com terras arrendadas caiu de 6,5%, em 2006, para 6,3%, em 2017, embora a participação da modalidade na área total tenha crescido de 4,5% para 8,6%.

Em 2017, havia 15.036.978 pessoas ocupadas nos estabelecimentos agropecuários. Em 11 anos, isso representa uma queda de 1,5 milhões de pessoas, incluindo produtores, seus parentes, trabalhadores temporários e permanentes. A média de ocupados por estabelecimento também caiu de 3,2 pessoas, em 2006, para 3 pessoas, em 2017. Em sentido oposto, o número de tratores cresceu 49,7% no período e chegou a 1,22 milhões de unidades. Em 2017, cerca de 734 mil estabelecimentos utilizavam tratores.

Importância – O Censo Agropecuário contribui diretamente para que a sociedade tome conhecimento sobre a mais atual realidade vivida no campo, muitas vezes carente de dados oficiais que podem subsidiar futuras pesquisas sobre o tema. Ela é importante também, pois, com os dados, os governos podem desenvolver e colocar em prática políticas públicas e outros tipos de ações para impulsionar as atividades do campo e melhorar a vida da população residente no local.

O Censo Agropecuário foi realizado com um orçamento de R$ 780 milhões no país. Um total de 26.240 pessoas foi contratada para a realização da pesquisa onde foram percorridos 127.352 setores censitários: 116.964 rurais e 10.388 urbanos.

Para a realização do Censo Agro, o IBGE contou com a ajuda de nove instituições parceiras. Essas parcerias foram fundamentais para a divulgação do censo entre os produtores, facilitando a recepção dos recenseadores nas propriedades e conscientizando os proprietários de estabelecimentos sobre a importância de dar respostas precisas aos agentes da pesquisa. Em troca, o IBGE produzirá tabulações especiais para essas entidades, atendendo necessidades que elas tenham de informações sobre o setor.

Os parceiros foram: a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB); a Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais, Agricultores e Agricultoras Familiares (Contag); o Instituto Pensar Agropecuária (IPA); a Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários (ANDAV); a Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG); a Associação Brasileira da Indústria de Trigo (Abitrigo); a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA); a Confederação da Agricultura e da Pecuária do Brasil (CNA); e a Frente Nacional de Prefeitos (FNP).

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