TRADIÇÃO POLÊMICA

“Bike Lanche”: A “Bike Food” raiz do Maranhão

Consagrados pela facilidade e pelo preço, as lanchonetes ambulantes são o sucesso de um passado em que ainda era possível trocar vale transporte pela merenda do dia.  As mais clássicas ainda perduram, com caixas de vidro, na frente, e o isopor, atrás

No meio do sol escaldante de São Luís, Raimundo Nonato Mendes se esconde nas sombras de uma mangueira da praça Deodoro. O relógio batia 10h em ponto, mas o sol já dava sinais de o meio dia se aproximava. Com muitos clientes, o cansaço era visível no rosto do autônomo que está a 20 anos trabalha no ramo das bike lanches. Em pé, e sem tirar a alegria do rosto, ele vai atendendo cada um dos clientes que chegam a ele para saciar a fome da manhã.

“Saio as 5h da manhã de casa. Coloco tudo no carro e venho para cá”, conta Raimundo. Ele que está a 20 anos no ramo conta que o começo foi difícil. “Tu conhece aquelas ladeiras do Gapara? Pois é, vinha pedalando de lá”, lembra o autônomo que à pouco tempo comprou o carro que o ajuda a atravessar os 11 quilômetros que separam o lar do trabalho.

Raimundo Nonato ainda é um dos poucos que trabalham com o serviço de bike lanches na cidade. Consagrados pela facilidade e pelo preço, as lanchonetes ambulantes são o sucesso de um passado em que ainda era possível trocar vale transporte pela merenda do dia.  As mais clássicas ainda perduram, com caixas de vidro, na frente, e o isopor, atrás.

Todo de branco

Foto: Paulo Malheiros

Com toca, chapéu e jaleco Francisco inicia o trabalho cedo. As 4h ele começa a produção dos pasteis. Após um trabalho de mais de 3h, ele percorre pouco mais de 2km para chegar ao serviço na praça Deodoro. “Moro bem aqui no centro. Perto da Macaúba”, afirma Francisco.

Há 20 anos no ramo, Francisco diz que já tem clientes fixos. “Tem muito cliente bom. Tem até um que é coronel da polícia militar”, afirma o ambulante. Para o vendedor, os tempos melhoraram bastante. Hoje o expediente é rápido e pouco sobra alimento no fim do dia. “Rapaz, se sobrar um ou dois já é a merenda do fim do dia”, brinca Francisco.

Os passes escolares

Uma tradição. Quem nunca fez um escambo de comida por passe escolar? No passado em que a bilhetagem não era automatizada, a troca era comum. Para Raimundo Nonato, esse tempo era muito melhor. “Não sei pra que tiraram os passes. Era bem mais fácil”, conta o ambulante. Já para Francisco, a bilhetagem eletrônica melhorou muito a rotina. “Os passes a gente guardava para vender. As vezes perdia, molhava rasgava”, lembra o vendedor.

Um lanche polêmico

Foto: Paulo Malheiros

Mesmo sendo muito consumidos em São Luís, os lanches de rua dividem opiniões. A auxiliar administrativa Sabrina Gomes, diz não consumir produtos das bikes. “Acho que não é muito higiênico”, diz Gomes. Já para o estudante Yaron Alencar bicicletas acabam facilitando na disponibilidade e no serviço. “As lanchonetes aqui são muito longes e o serviço não é muito bom”, critica Yaron.

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