TRAGÉDIA

Chuvas causam transtornos no interior do Maranhão

O mês de março terminou com bastante chuva no Maranhão, o que ocasionou alagamentos e enchentes nas cidades de Marajá do Sena, Trizidela do Vale, Pedreiras e Bacabal

Foto: Blog do Chico da Voz

O mês de março foi de chuva intensa no estado e, de acordo com os meteorologistas da Climatempo, muitas áreas de instabilidade atuam pelo litoral do Nordeste e mantêm a costa norte e parte da costa leste em alerta para chuva forte. A Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) atua com força na costa norte do Nordeste e ajuda a espalhar nuvens carregadas de chuva. A chuva forte poderá causar transtornos como alagamentos na região.

De fato, foi o que aconteceu neste último fim de semana. O mês de março terminou com bastante chuva no Maranhão, o que ocasionou alagamentos e enchentes nas cidades de Marajá do Sena, Trizidela do Vale, Pedreiras e Bacabal.

Em Marajá do Sena (distante 368 Km de São Luís) a chuva intensa do dia 30 fez com que famílias fossem retiradas de suas casas e levadas para abrigos na cidade. Muitas famílias perderam móveis, roupas, dentre outros pertences. Segundo a Defesa Civil Estadual, 401 pessoas estão desalojadas e duas estão desabrigadas. O forte impacto da chuva também provocou rompimento em um trecho da rodovia.

Além de Marajá do Sena, outras sete cidades foram atingidas e estão tendo atuação da Defesa Civil do Maranhão: Imperatriz, Caxias, Pedreiras, Trizidela do Vale, Cantanhede, Nina Rodrigues e Lago dos Rodrigues.

A situação de emergência já foi reconhecida pela Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil, em virtude das chuvas que já haviam sido notificadas no mês de fevereiro e agravadas pelas ocorrências dos últimos dias.

No total, 114 imóveis foram afetados pela enxurrada, além da prefeitura, da escola e da igreja da cidade. As famílias desalojadas foram realocadas em casas de familiares e vizinhos e as duas pessoas desabrigadas estão sendo assistidas pela Prefeitura de Marajá do Sena.

Foto: Blog do Chico da Voz

Segundo ainda a Defesa Civil, o município está parcialmente isolado em decorrência das águas terem levado as pontes que fazem o acesso a povoados da zona rural. Medidas de infraestrutura já estão sendo adotadas pela Secretaria de Estado da Infraestrutura (Sinfra).

Alguns municípios que são cortados por rios já apresentam alertas com iminência de transbordamentos que podem levar ao desastre de inundação, como é o caso das cidades de Pedreiras e Trizidela do Vale, onde o Rio Mearim chegou a ultrapassar o nível de segurança em quase meio metro.

Em Trizidela do Vale, três famílias foram retiradas de suas casas. E em Pedreiras, o estado é de alerta e acompanhamento do nível do Rio Mearim.

Também em Bacabal, chuva intensa caiu no domingo, 1, e inundou ruas e avenidas, casas e estabelecimentos comerciais.

Para evitar que aconteça um problema maior, o Corpo de Bombeiros Militar do Maranhão, através da Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil, informou que vem realizando o monitoramento climatológico de vários municípios e dos rios que cortam essas cidades e que estão em risco de desastres provocados pelas chuvas comuns neste período.

Por conta disso, visando o atendimento da população, a Defesa Civil mantém uma equipe 24h por dia nesses locais para pronta intervenção em caso de necessidade.

“A Defesa Civil esclarece, ainda, que está aplicando, conjuntamente com outros órgãos da gestão estadual, o Plano de Contingência para desastres relacionados às chuvas. Integrantes da Força Estadual de Saúde estão prestando assistência às famílias e vão executar ações de vigilância sanitária, ambiental e epidemiológica, com objetivo de detectar precocemente qualquer agravo emergente, buscando reduzir danos nesses dois municípios e também em Marajá do Sena”, informa o órgão.

Mais chuvas

Segundo o Núcleo de Meteorologia da Uema, para este mês de abril pode ser esperado mais chuva, dentro ou um pouco acima da normalidade. Março costuma ser o mês mais chuvoso do estado. Mas alerta que em abril o volume pode ser ainda maior. “Normalmente em março são esperados os maiores volumes de chuva. Então, é natural que isso ocorra. Porém, a gente tem que ver se superou a climatologia de cada região. Já é uma expectativa de grande chuva. Este ano temos percebido que alguns locais do estado a chuva tá dentro da normalidade. Estamos vivendo um ano onde os volumes de chuva estão um pouco mais acentuados e previsão de consenso para março era de chuva acima do normal”, diz o meteorologista Márcio Elói.

No interior na região semiárida do Nordeste, a previsão por consenso indica maior probabilidade de totais pluviométricos na categoria dentro da faixa normal climatológica, com distribuição de probabilidades de 30%, 40% e 30% para as categorias acima, dentro e abaixo da faixa normal climatológica, respectivamente.

Plano de ação

Foto: Blog do Chico da Voz

Desde fevereiro, a Defesa Civil do Maranhão está atuando em oito cidades prejudicadas pelas fortes chuvas que caiu nos últimos meses: Marajá do Sena, Imperatriz, Caxias, Pedreiras, Trizidela do Vale, Cantanhede, Nina Rodrigues e Lago dos Rodrigues.

As chuvas em fevereiro superaram a previsão. O mês teve elevados índices pluviométricos, com regiões no norte do estado ultrapassando valores de 500 mm, como foi o caso da região metropolitana de São Luís e Zé Doca. O sul do estado não apresentou índices inferiores a 100 mm, e o município onde se registrou os menores índices foi Estreito, ficando entre 100 e 120 mm. “É importante salientar que o período representa o início da época chuvoso no norte do estado, onde a atuação da ZCIT é mais perceptível, organizando a convecção, o que produziu os elevados índices registrados no mês de fevereiro”, aponta o Nugeo.

Problema recorrente

Essa não é a primeira enchente de Marajá do Sena. Em anos anteriores, as chuvas volumosas ocuparam a cidade, alagando ruas, escolas, igreja, comércios, casas, derrubando muros e arrastando pontes. No mês de fevereiro, as chuvas deixaram cerca de 200 desalojados e desabrigados, além de prejudicar uma escola e duas pontes em Marajá do Sena.

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