SÃO LUÍS

Tradição e devoção marcam o Dia de São Pedro

O festejo de São Pedro reúne todos os anos, centenas de pessoas no largo da capela, no bairro da Madre Deus

Fé, cultura e resistência. Isso é o que se pode observar em uma das maiores festividades juninas de São Luís, a tradicional festa de São Pedro que varou a madrugada do dia 28 para o dia 29 no Largo de São Pedro (na Madre Deus) e reuniu milhares de brincantes de boi, antes de tudo fiéis ao santo padroeiro dos pescadores.
A concentração no Largo começou cedo, ainda no dia anterior, dia 28, quando os grupos encerraram suas apresentações para reverenciar o santo pela temporada junina. “É o nosso momento de agradecer por mais uma boa temporada e pedir que no ano seguinte seja melhor”, garante o brincante José Eudes Firmino, de 62 anos.
Para a comunidade que costuma frequentar o Largo, não há momento mais emocionante do que ver a ladeira e as escadarias tomadas pelos brincantes que disputam cada pedaço de chão para adentrarem na Capela de São Pedro. Para aquela, é o momento de apreciar vários batalhões de baixada, zabumba e matraca reunidos com suas toadas e batidas. Para os brincantes, é coisa séria. É um ritual que não pode deixar de acontecer sob o risco de não receber as bênçãos para o ano seguinte. “A gente agradece pela temporada junina, por estarmos ali, com saúde, e isso já faz parte da nossa cultura. Não podemos deixar de ir. O batalhão deve chegar lá por volta de seis horas da manhã, após as nossas apresentações, e ficar até recebermos as bênçãos”, diz seu José Costa, de 61 anos, brincante do boi de Maracanã.
Não importa a idade, as noites mal dormidas, o sono e nem o cansaço. Para integrantes de grupos de bumba meu boi, a tradição não pode parar. “A gente vai chegar lá umas 4h pra fazer a nossa fé pro santo. É uma coisa que a gente não pode deixar de fazer porque faz parte da nossa cultura. Vamos à Capela, desde que ela era lá embaixo, para fazer nossas orações”, diz Mauro da Silva, brincante do Boi da Maioba.
A moradora da Madre Deus Benedita Moraes já viu e viveu muitas experiências durante o amanhecer dos bois no Largo. “São centenas de grupos. Eles mesmo se organizam. Certa vez vi um senhor que estava com a garrafa debaixo do braço e na hora que chegou perto da imagem do santo começou a chorar. Faz parte. Essa festa é uma tradição cultural que também está ligada à religiosidade”, diz a moradora.
Uma das visões mais emocionantes, ainda segundo ela, é quando o brincante leva o boi para receber as bênçãos. “Uma vez o miolo (brincante que fica embaixo do boi) se abaixou, pegou o focinho do boi e ficou ali, roçando na imagem, devagar, sem pressa. Foi muito bonito. Aquela reverência é fora de série”, diz a aposentada.
Moradores de São Luís e turistas se mostraram extasiados com a profusão de ritmos e cores. Para a estudante Glaucia Amaral, segunda vez de férias em São Luís, não tem como não querer voltar. “É claro que para quem não é daqui é uma oportunidade única ver tantos bois juntos. Ouvir as toadas. Não tem como não se encantar”, diz.
Curiosidade
São Pedro ou São Pedro Apóstolo, em hebraico, significa “rocha”, segundo a interpretação católica e ortodoxa, fragmento (de pedra), “pedrinha”, segundo a interpretação protestante. Ele foi um dos doze apóstolos de Jesus Cristo, segundo o Novo Testamento e, mais especificamente, os quatro Evangelhos. A Igreja Católica considera Pedro como o primeiro bispo de Roma e, por isso, o seu primeiro papa. Ele seria, até hoje, segundo o catolicismo, o detentor do mais longo pontificado da história: cerca de trinta e sete anos.
Festa sem hora para acabar
Segundo a organização dos festejos de São Pedro, não dá para mensurar a quantidade de pessoas que circularam no último dia das comemorações. No ano passado, foram aproximadamente 5 mil pessoas só no dia 29.
Durante todo o dia, os grupos se revezaram para receber as bênçãos e se apresentar no palco montado em frente à Capela. À noite, teve apresentações do show Pela Estrada da Vitória (homenagem a Papete), Bumba Meu Boi de Soledade, Show de Zé Lopes, Dança do Caroço de Tremembés e Bumba Meu Boi do Maranhão.
A mistura de sons e ritmos deu o tom da festa, que começou com salva de fogos, reza do terço, visita dos bois à capela e a procissão marítima.
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