Funcionários da empresa Cerro Construção e Sinalização Ltda, que prestam serviços terceirizados para a Secretaria Municipal de Obras e Serviços Públicos (SEMOSP), denunciam estar sendo submetidos a condições de trabalho análogas à degradação humana, além de sofrerem assédio moral e retaliações explícitas da gerência.
Segundo relatos dos próprios trabalhadores, a rotina nos canteiros de obras e frentes de serviço é marcada por graves violações dos direitos trabalhistas e humanos básicos. Entre as principais queixas estão:
- Alimentação estragada e falta de água: Os operários afirmam que as refeições fornecidas pela empresa frequentemente chegam azedas e impróprias para o consumo. Além disso, não há fornecimento de água potável para os trabalhadores enfrentarem as jornadas sob o sol.
- Condições sanitárias precárias: Os banheiros disponibilizados nos locais de trabalho são descritos como “sem a menor condição de uso”, violando as normas básicas de higiene e segurança do trabalho (NR-24).
- Atrasos e cortes financeiros: A categoria relata cortes injustificados nos salários, atrasos constantes no repasse do vale-transporte e a ausência total de ticket alimentação.
Demissões por retaliação
O cenário de precariedade se agravou após os trabalhadores tentarem dialogar com a diretoria da Cerro Construção. De acordo com um funcionário, que não quis se identificar, qualquer tentativa de reivindicação por melhorias é rebatida com ameaças de demissão.
A retaliação saiu do campo das ameaças na última quarta-feira, quando dois trabalhadores foram demitidos imediatamente após cobrarem os seus direitos básicos.
Em uma reunião realizada ontem com o corpo de funcionários, os representantes da empresa adotaram uma postura irredutível. Segundo os relatos, a gerência afirmou textualmente que “não tem condições de mudar nada” e que quem quiser continuar empregado terá que aceitar trabalhar sob essas condições.
“Eles falaram que vai ser do jeito que está, e quem reclamar vai para a rua. É um total desrespeito com o pai de família que só quer trabalhar com dignidade”, desabafou um dos funcionários.
O Imparcial entrou em contato com a Cerro Construção e Sinalização Ltda, mas até o momento não houve retorno. O espaço segue aberto para manifestações.
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