O Ministério da Saúde deu início à segunda etapa das oficinas de qualificação voltadas à inserção do implante contraceptivo subdérmico de etonogestrel no Sistema Único de Saúde (SUS), conhecido como Implanon. A expectativa é capacitar mais de 11 mil profissionais, entre médicos e enfermeiros, ampliando o acesso ao método na rede pública.
Ao todo, serão realizados 32 treinamentos em diferentes regiões do país, com prioridade para municípios com menos de 50 mil habitantes. No Maranhão, a capacitação está prevista para ocorrer em São Luís, nos dias 13 e 14 de maio, reunindo cerca de 440 profissionais da atenção primária. Além da inserção do implante, a formação também aborda estratégias de diálogo sobre saúde sexual e reprodutiva.
Neste novo ciclo, as oficinas já passaram por capitais como Vitória (ES), João Pessoa (PB), Recife (PE), Fortaleza (CE), Campo Grande (MS) e Salvador (BA) ao longo dos primeiros meses de 2026. Os encontros são presenciais e combinam conteúdo teórico e prático, com uso de simuladores anatômicos e supervisão de facilitadores do Ministério da Saúde. A carga horária foi ampliada: enfermeiros participam de 12 horas de formação, enquanto médicos cumprem 6 horas, com foco na segurança dos procedimentos e no cumprimento das normas profissionais. Também há espaços de articulação com gestores locais para fortalecer a implementação do método.
Em 2025, o Ministério distribuiu 500 mil unidades do Implanon para todos os estados, priorizando cidades maiores e áreas com maior vulnerabilidade social. O Maranhão recebeu 11.511 implantes. Para 2026, a previsão é de envio de mais 1,3 milhão de unidades em todo o país.
A nova etapa integra a estratégia de expansão do Implanon no SUS, com foco na qualificação dos profissionais para inserção, retirada e manejo de possíveis intercorrências. A iniciativa também reforça uma abordagem ampliada nas consultas, incluindo temas como direitos sexuais e reprodutivos, dignidade menstrual, enfrentamento ao racismo e atenção às violências na rede básica, além da oferta de outros métodos contraceptivos.
Primeira fase capacitou quase 3 mil profissionais
Realizada entre outubro e dezembro de 2025, a primeira etapa das oficinas percorreu os 27 estados brasileiros, com a realização de 30 encontros. Ao todo, cerca de 2,9 mil profissionais e gestores participaram das atividades, alcançando 682 municípios. Desse total, aproximadamente 1,8 mil médicos e enfermeiros foram habilitados para realizar a inserção e retirada do implante.
Para Ezequiel Martins, enfermeiro da Estratégia de Saúde da Família em Brasília, a formação vai além do aspecto técnico. “A atividade trouxe discussões sobre políticas públicas e direitos sexuais e reprodutivos, além de mais segurança para realizar o procedimento”, destacou.
Sobre o Implanon
O implante subdérmico é considerado um método eficaz na prevenção da gravidez não planejada, com duração de até três anos. Após esse período, o dispositivo deve ser retirado, podendo ser substituído imediatamente por um novo, conforme interesse da paciente. A fertilidade retorna rapidamente após a remoção.
O Implanon faz parte da lista de métodos contraceptivos gratuitos ofertados pelo SUS, que inclui preservativos, DIU de cobre, anticoncepcionais orais, pílula de emergência, laqueadura e vasectomia. O Ministério da Saúde ressalta que o uso de preservativos continua sendo essencial, por ser o único método que também protege contra Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs).
*Fonte: GOV